23ª Sessão Ordinária - 03/04/2007
O SR., DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, quero também saudar o prefeito Luiz Carlos Zen, de Urussanga, os vereadores Edenilson Montini Da Costa e Alemão, de Jaguaruna. Daqui a pouco teremos uma grande concentração de prefeitos e de vereadores, também a Fecam, comandada pelo nosso companheiro José Milton Schaeffer, prefeito de Sombrio, que estará dando uma coletiva nas dependências da assessoria de imprensa.
Sejam todos bem-vindos. Encontra-se aqui também o prefeito Neodi Sareta, nosso sempre presidente e deputado desta Casa.
Ouvia atentamente a manifestação do nosso deputado Professor Grando. Acho interessante o discurso e acho até que ele seria procedente, deputado Gelson Merísio, se fosse um discurso como nós vimos há quatro anos no início de gestão, deputado Dirceu Dresch.
Esse discurso nós já ouvimos por ocasião da reforma administrativa número um, número dois e estamos agora votando a de número três. Como disse antes, a cada véspera de eleição votamos uma nova reforma administrativa. Cria cargos, cria estrutura, cria comitê eleitoral, dá emprego para o cabo eleitoral, promete para o outro e diz: "olha, se você for candidato no ano que vem, pode ser o secretário regional daqui, de acolá". E assim vai. É aquilo que o deputado Pedro Uczai tem dito sempre. Como estrutura eleitoreira, deputado Dirceu Dresch, essa questão da descentralização funcionou. Não dá para negar. Eleitoralmente é uma máquina inquestionável. Basta ver a votação de alguns candidatos do governo que, é verdade, tinha uma estrutura muito boa também para custear a campanha, mas o que vimos foram as regionais trabalhando, pegando junto, colocando os 15, 20 comissionados com a sacolinha do santinho na estrada. Horário de trabalho não tinha. Era entregar santinho e pedir voto para o seu deputado. Muito mais para o deputado do que para o governador. Tanto que levaram um susto. Diziam que ganhariam a eleição com 500 mil votos no primeiro turno, que não daria segundo turno e no segundo turno levaram um susto grande. Queriam ganhar com um milhão de votos e ganharam com míseros 3% com toda aquela máquina, aquela dinheirama, com aquela estrutura toda, que não foi pequena. Pressão, Ibope que compraram, toda aquelas formas lícitas e questionáveis que usaram para ganhar a eleição.
Mas ela funcionou. Eleitoralmente essa estrutura de regionais, deputado Professor Grando, deu voto. O PMDB nunca imaginou eleger 11 deputados. Havia candidato que choramingava antes, achando que não tinha chance e hoje comemora aqui que fez não sei quantos votos, porque a máquina funcionou, trabalhou, investiu, gastou.
Então, para fazer votos a estrutura funciona. Mas a "ambulancioterapia" continua, Professor Sérgio Grando. A "ambulancioterapia" que foi prometida acabar, não acabou. As bolsas de estudos dos alunos carentes que foi prometido dobrar, não dobraram. A agricultura foi abandonada. As escolas interditadas.
Deputado Kennedy Nunes, sei que v.exa. vai falar sobre isso. Deputado Cesar Souza Júnior, a Câmara de Vereadores de Joinville aprovou uma moção, por unanimidade, repudiando o abandono das escolas. Deputado Kennedy Nunes, não é uma Câmara qualquer. Não é a Câmara de uma cidade qualquer, é da cidade de Joinville que aprovou por unanimidade.
Não venham depois dizer que ele fez 80% dos votos em Joinville, mas quando os representantes do povo aprovam uma moção repudiando a atitude do governador, por unanimidade, significa dizer que já querem um cartório eleitoral para reclamar o voto. É o arrependimento do voto, porque até as escolas de Joinville estão sendo abandonadas. Então, deputado Professor Grando, na teoria - e v.exa. é um brilhante professor - na teoria isso funciona, mas na prática não está funcionando.
Em Tubarão nós estamos com cinco escolas interditadas e com as obras paralisadas. Cinco escolas abandonadas. Isso é descentralizar? Sei que v.exas. já não suportam mais ouvir aqui, mas é a única obra que tem na minha região, que é a pavimentação Jaguaruna/Camacho. São quatro anos de uma novela mexicana sem fim. E a empresa foi embora novamente, porque não agüenta mais as mentiras do governo.
A serra do Faxinal tem um deputado que comemorou aqui porque já estava ouvindo o ronco das máquinas. Destruíram, demoliram a serra, deputado Kennedy Nunes, e agora contrataram a Setep. Um contrato de alto custo para tentar dar trafegabilidade porque até a serra conseguiram destruir, como já tinham feito na serra do Corvo Branco, na época de Paulo Afonso.
O Sr. Deputado Kennedy Nunes - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Kennedy Nunes - Como é bom ouvirmos os nobres deputados. Às Vezes há coisas que passam despercebidas por nós.
E houve uma frase do nobre deputado Professor Grando hoje na sua fala que me chamou a atenção. E eu agora consegui a justificativa de que talvez não tenha na secretaria das escolas a fotografia do governador do estado. Talvez o governador não queira ser lembrado de quem é que está deixando as escolas serem fechadas por falta de manutenção.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Obrigado, deputado Kennedy Nunes. Nem precisa colocar fotografia. Ele mandou jogar fora toda a papelaria do governo anterior, contrariando uma emenda constitucional, para mudar até a logomarca do estado, colocando uma bandeira tremulante. Existe algo mais personalista do que isso? Enquanto isso, deputada Ana Paula Lima, até o nosso maior cartão postal, a serra do Rio do Rastro, encontra-se em situação de abandono total.
Ouça o que disse o jornalista Adelor Lessa, no dia de hoje. Não é a língua comprida da Oposição que está dizendo isso, é o jornalista respeitado Adelor Lessa:
(Passa a ler.)
"Ainda no escuro! Ano vai, ano vem, e a serra do Rio do Rastro, uma das fotografias mais usadas para fomentar o turismo em Santa Catarina, continua na mais absoluta escuridão. Neste fim de semana, apagaram as últimas lâmpadas que ainda "resistiram". Sem contar a buraqueira e o mato que tomam conta da pista." [sic]
Deputados Dirceu Dresch e Pedro Baldissera, estou denunciando isso há algum tempo. Eu não sei se é inveja, porque quem pavimentou a serra do Rio doRastro foi o Esperidião Amin, no seu primeiro governo, e quem iluminou foi o Esperidião Amin, no seu segundo governo, o fato é que a serra está abandonada e eu estou reclamando há algum tempo e agora o jornalista Adelor Lessa está repercutindo. As lâmpadas estão apagadas, a estrada esburacada e o mato tomando conta.
O Sr. Deputado Pedro Baldissera - V.Exa. me conede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!
O SR. Deputado Pedro Baldissera - Deputado Joares Ponticelli, nós temos percebido inúmeras obras, por todo o estado de Santa Catarina, paradas, a passo de tartaruga, outras totalmente paralisadas. O governador em exercício há pouco tempo estava inaugurando obras já entregues há mais de 30 dias, e por aí a fora.
E aí vemos prefeitos vindo à capital, na tentativa de buscar dinheiro para as suas prefeituras. Muitos desses prefeitos têm, localizada na sua cidade, a secretaria Regional. Talvez, deputado Joares Ponticelli, esteja faltando orientação aos prefeitos, prefeitos da base do governo que saem de suas cidades e vêm para a capital buscar recursos.
Que descentralização é essa? Um governo mais próximo, presente, mas está tudo centralizado. Não estão descentralizadas as políticas públicas como a saúde, a educação, a agricultura, aliás, a agricultura é um desastre neste estado, e assim por diante. Então é isso...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)