49ª Sessão Ordinária - 02/06/2010
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, servidoras e servidores públicos aqui presentes na tarde de hoje, quero continuar a discussão anterior, que foi o ponto central do discurso da deputada Angela Albino, e repetir aquilo que temos defendido: que as instituições de segurança têm que trabalhar para defender a população e não para defender os interesses de um pequeno grupo de empresários, no caso específico os empresários do transporte coletivo da Grande Florianópolis, que têm interesses bem cravados dentro do poder público municipal, que ajudam na campanha, cujas as famílias estão misturadas entre a empresa e a administração pública ao longo dos tempos, e não somente agora.
E aí, infelizmente, uma instituição pública como a Polícia Militar coloca-se a serviço de meia dúzia de empresários para aumentar o lucro deles.
O coronel Newton Ramlow, como já foi falado aqui, tem a concepção de que a Polícia Militar tem a função de combater os movimentos sociais. E ele disse isto num jornal do nosso estado, no ano passado: "O deputado Soares não gosta de mim porque eu combato os movimentos sociais". Como se fosse missão constitucional, numa sociedade democrática, a Polícia Militar, ou as instituições públicas em geral, combater os movimentos sociais.
Então, é uma concepção que está torta. A instituição serve justamente para garantir o direito de todas as pessoas, inclusive daquelas que se manifestam contra as autoridades. E não para combater os movimentos sociais como pensa, defende e age - o que é pior - o coronel Newton Ramlow, comandante do 4º Batalhão.
E aí, infelizmente, quem é comandando por um cidadão desses acaba respondendo a processo, porque dá inquérito e é o soldado que vai sentar nos bancos dos réus, pois está sob o comando de uma figura que pensa dessa forma. É uma forma torta de pensar as relações sociais numa sociedade democrática, numa relação, eu diria, promíscua com partidos políticos e com autoridades bastante conhecidas na nossa região.
Sobre as questões aqui colocadas pela deputada Angela Albino e também pelo deputado Joares Ponticelli, quero dizer que faltam presídios, faltam penitenciárias, faltam colégios, faltam postos de saúde, faltam medicamentos básicos e hospitais (alguns estão fechando), mas não falta palácio.
Deputado Giancarlo Tomelin, quanto a trocar o nome, eu até concordo e assino junto. Agora, se não mudar o conceito, não adianta. Trocar o nome deste palácio aqui e o governo usar um monte de dinheiro para construir 36 palácios estado afora, é outra aberração. Ou não é? Podem colocar o nome que quiserem, mas é palácio porque lá se sentam aqueles que se sentem acima da maioria da sociedade. Lá estão aqueles que se sentem melhores do que o seu povo. E isso fica claro nas expressões políticas ditas por aí por autoridades públicas, que se sentem acima, via de regra, os muito poderosos. Os grandes empresários sempre terão o assento que quiserem em qualquer um desses palácios, mas essa não é a realidade para as entidades representativas dos servidores e dos trabalhadores em geral.
Voltando ainda ao ponto anterior, presidente Jorginho Mello, quero dizer o seguinte: será que alguém dos partidos políticos que governam, que governaram, que querem governar ou que querem continuar governando Santa Catarina, imagina, em sã consciência, que vamos esquecer os 21 companheiros foram expulsos da Polícia Militar pelo governador Luiz Henrique e pelo ex-comandante-geral da PM? Com certeza, não esqueceremos! Anistiaremos um dia! Haverá um governo para anistiar, nem que sejam os ossos desses companheiros, daqui a 50 anos. Até lá falaremos disso todos os dias, porque os servidores públicos merecem ser tratados com respeito e não da forma palaciana como têm sido...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)