Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

112ª Sessão Ordinária - 02/12/2009

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, companheiros deputados, essa discussão que terá início no próximo ano será fundamental pela realidade em que vivemos e para nós, que viemos de longe e estamos a longo tempo militando nos partidos. Dizíamos naquela época que era o partido do "sim" e o partido do "sim, senhor". Mas soubemos escolher! E é assim mesmo a construção da democracia, quer dizer, tínhamos que ter um lado, lutar para que ocorresse a transição democrática militando no antigo MDB, como o deputado Edison Andrino coloca, o antigo "Manda Brasa", e construir a democracia para a liberdade, para a anistia, para o direito a escolher os nossos dirigentes, para o direito à organização dos trabalhadores, para o direito à esquerda livre, o que conseguimos ter a duras penas.

Deputado Edison Andrino, não está muito bem entendida na América Latina - para mim está muito clara hoje - aquela famosa frase do primeiro-ministro espanhol, que ainda é atual, que disse: "Alguns líderes sul-americanos gostam tanto da pobreza que cada vez aumenta mais a pobreza na região".

Nós tivemos governos e governos falando em nome do povo, trabalhando em nome do povo, mas o analfabetismo continua na faixa de 12%, o desemprego nos grandes centros continua na faixa de 10%, os banqueiros nunca ganharam tanto neste país, a avenida Paulista nunca lucrou tanto como neste governo! Nós sabemos disso. Que banco no Brasil, com toda a crise mundial, teve algum prejuízo? O HSBC teve prejuízo de bilhões na Europa e nos Estados Unidos, mas no Brasil teve lucro de bilhões. Por quê? Porque os juros altos prejudicam o investimento na indústria, na geração de emprego e de riquezas. Não mudou nada! E o pior é que os que estão no poder, se comparados com os anteriores, não passam de políticos liberais, de lutadores de boxe que escolhem entre si com quem lutar, com quem disputar.

Nada mais justo do que, na realidade que estamos vivendo, surgirem novas forças políticas que mudem a realidade que aí está, para construirmos uma nova realidade, que não repita os erros e as falhas do passado. Compete a quem se diz de esquerda, a quem se diz democrata construir essa alternativa.

Eu entendo que no processo democrático de construção deste país o fisiologismo, sim, deputado Edison Andrino, deva cair. Que não se repita mais o fisiologismo de um partido como o que está no poder, até porque conquistamos a democracia e de dois em dois anos temos eleições.

É tão simples ser oposição hoje! Mas na nossa juventude, deputado Edison Andrino, ser oposição era correr risco de vida! Hoje não se corre risco de vida. Que coisa boa discutir ideias, mas é preciso ser objetivo, ter propostas e não políticas compensatórias, políticas paliativas. Pensam que com essas políticas estão mudando a realidade. Não estão! Estão aí os dados! É aquilo que eu falei, parece que alguns líderes sul-americanos gostam tanto da pobreza, que ela aumenta cada vez mais. A realidade aí está e são muitas as dificuldades.

Se temos hoje 11 milhões de brasileiros no programa Bolsa Família, temos que reduzir para 10,5 milhões, para 10 milhões, reduzir até não precisar mais, porque senão, daqui a cinco ou seis anos, essas pessoas vão-se aposentar pelo INSS! Que fim levarão essas pessoas se continuarem a receber Bolsa Família, mas sem um emprego, sem dignidade, sem cidadania! No sistema capitalista, se a pessoa não tem emprego, quando será um cidadão, deputado Sargento Amauri Soares?

Portanto, temos que ter a visão de que é momento, sim, de acabar com essa mesmice, através do voto, da democracia, da consciência. Estamos vendo as coisas repetirem-se, diluírem-se; coisas que ocorreram no passado ainda estão ocorrendo.

Precisamos, sim, em cima de uma boa reforma partidária fazer a reforma tributária, um novo pacto federativo, porque não é mais possível que 65% de tudo o que se arrecada vá para Brasília. O poder está centralizado, precisamos descentralizá-lo.

O Sr. Deputado Edison Andrino - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!

O Sr. Deputado Edison Andrino - Deputado Professor Grando, estou há 43 anos no mesmo partido e conheço v.exa. fazendo política praticamente o mesmo tempo. Conheço v.exa., o ex-senador Nelson Wedekin, o nosso saudoso deputado Roberto Motta, grande companheiro, que também fez política no antigo MDB. Já tivemos discordância de ordem ideológica, mas v.exa. é um marco como político sério do estado de Santa Catarina, como prefeito desta cidade, como vereador e como deputado estadual na segunda legislatura.

Quero dizer a v.exa. que também há um partido que ainda é uma grife, que é o PPS, que tem uma figura da qualidade de Roberto Freire. V.Exa., que também não acredita muito nas propostas colocadas, seria um bom parceiro do projeto de Roberto Requião.

Quero dizer também a todos que o governador Roberto Requião não é zebra, não! Sua eleição não é impossível! Requião está para a política e para a eleição para presidente da República como estava o Flamengo para o Campeonato Nacional. Estava lá na metade, veio vindo, veio vindo, é líder e vai ser campeão! E Requião, com sua proposta e com o PMDB apoiando, assim como partidos como o de v.exa. e como o PDT, do deputado Sargento Amauri Soares, tem tudo para ser o grande diferencial da próxima eleição para presidente da República.

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Concordo com v.exa. porque em Santa Catarina construímos uma Frente Popular em outras épocas, da qual faziam parte partidos como o PDT, como o Partido Socialista. Enfim, quando eu fui prefeito, construí meu espaço dentro da Frente Popular.

O que estranhamos é que a esquerda tenha perdido essa visão de unidade em função de um partido que dizia que governaria à esquerda, mas que hoje faz coligação com partidos retrógrados e com pessoas que apoiaram o regime de exceção, inclusive. E nós sabemos disso!

Está aí a ex-ministra Marina Silva se colocando contra essa postura! Estão aí tantos outros candidatos colocando-se como alternativa, assim como Leonel Brizola fazia. E o que temos neste país hoje? A tentativa de construir a bipolarização. Isso não nos interessa, porque é a política do liberalismo. Fundamentalmente podemos ter avanços isolados, mas é o corporativismo tomando conta. Não é a política livre, não é a política de liberdade, não é a política das pessoas e dos seus diretos reconhecidos e conquistados.

Feita essa explicação, não poderia deixar de falar sobre uma reunião que tivemos, hoje pela manhã, deputado Sargento Amauri Soares, junto com o deputado e companheiro Edison Andrino, com o companheiro Pedro Uczai, com o deputado Vânio de Oliveira, enfim, com a Frente Parlamentar da Cultura, juntamente com pessoas que atuam nessa área em Santa Catarina.

Havia reivindicações específicas, mas em função da Conferência Nacional que será realizada em março do ano que vem, marcou-se uma reunião estadual no dia 24 de fevereiro, com todos os delegados já escolhidos pelas Conferências Municipais.

Mas o importante é saber que no estado temos uma secretaria de Cultura, Esporte e Turismo e que cada vez mais é necessário que esse segmento da cultura tenha uma política própria, uma política estadual que oriente a questão da cultura, como nos próprios municípios. É comum a cultura estar vinculada ao esporte, ao turismo, até podem ser feitas essas políticas, mas os fundos são importantes, porque é necessário um investimento público na cultura, de 1% ou de 2%, como se reivindica em nível nacional, para divulgarmos aquilo que é tradição, que é a história de um povo, que é a sua força motriz. A cultura é fundamental para que possamos ter, inclusive, uma visão política mais ampla.

Quero dizer que a Frente Parlamentar da Cultura deste Parlamento está dando um exemplo ao país e espero que tenhamos sucesso para discutir os nossos problemas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)