39ª Sessão Ordinária - 08/05/2002
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente e Srs. Deputados, em primeiro lugar, quero registrar a presença do Prefeito de Rio do Sul, Sr. Jailson Lima da Silva, e de seus assessores, a quem damos as boas-vindas, desejando que fiquem à vontade na Assembléia Legislativa.
Srs. Deputados, há quem diga que a guerra nada mais é do que a continuidade da política por outros meios, por meios violentos; ou ainda há quem diga que a política é a guerra sem armas.
Essa forma de ver a política ou de ver a guerra nos ajuda a entender um pouco do que vem acontecendo no Brasil, nos últimos dois ou três meses, com a aproximação do processo eleitoral de 2002.
Havia, num primeiro momento, um leque de candidaturas que, gradativamente, se percebem em uma estratégia de ataque frontal, direto, por meios bastante questionáveis. Em que pese os resultados, os benefícios podem ser contabilizados de um jeito ou de outro, dependendo de quem interprete os fatos politicamente.
Mas estou me referindo ao primeiro, ao assalto ao escritório da Lunus, onde foram encontrados milhões, e também ao episódio ocorrido esta semana, que ataca diretamente o candidato oficial do Presidente Henrique Cardoso, do PSDB, ao qual a Revista Veja publicou. E quando estamos observando, uma hora é o candidato do PFL, que é pego com a mão na cumbuca, outra hora é o do PSDB.
Essa guerra vai gradativamente elucidando o meio tortuoso com que vem se fazendo política no Brasil. É chegada a hora de a sociedade brasileira e catarinense se posicionarem politicamente.
Eu me recordo também, por exemplo, que o Presidente Fernando Henrique Cardoso, quando candidato à reeleição, em 1998, alterou as regras do jogo, o que, na verdade, constituiu um golpe branco nas regras eleitorais brasileiras, porque não havia o direito de reeleição para Presidente da República, ao suplantar em um único turno as duas maiores lideranças da esquerda brasileira, o companheiro Lula e o seu vice, Leonel Brizola.
Aquela votação representava, de certa forma - é assim que interpreto -, o desejo de a população brasileira tentar preservar a falsa ilusão de que o Plano Real era uma verdadeira conquista e uma fortaleza econômica inabalável, implantada no centro da economia brasileira.
Depois da eleição, em outubro de 1998, já em novembro, o Plano Real deu sinais de sua fragilidade, e pela primeira vez na história o Presidente transfere a faixa verde e amarela para ele mesmo, através do voto popular. Só que na primeira semana do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, em janeiro de 1999, hoje cabo eleitoral de José Serra, que está nas capas dos jornais sendo acusado de ter fraudado as privatizações, sobretudo a do Vale do Rio Doce, o Plano Real ruiu, a bolsa de valores disparou, as reservas cambiais reduziram e esse veio à televisão dizer que o Brasil havia sido vítima de um ataque especulativo externo.
A sociedade não reagiu, mas não aceitou aquela desculpa esfarrapada. Mas se aquela crise tivesse acontecido, dentro de uma hipótese, na primeira semana do Governo do Lula, estariam os veículos de comunicação, os Partidos tradicionais, conservadores, o Fundo Monetário Internacional, o governo americano, o Banco Mundial dizendo o seguinte: “Viu, foi só o PT chegar na Presidência da República que o Plano Real ruiu!”
Mas, Srs. Deputados, estão tentando fazer isso novamente. Um banquinho holandês, comparativamente ao que significa a substantiva riqueza nacional, na semana passada, achava-se no direito de dizer para o povo brasileiro o que é perigo ou não à luz dos seus interesses.
Esse jogo não podemos aceitar! A sociedade brasileira está construindo um processo democrático que vai se afirmando na contradição. Ela vai, gradativamente, criando e solidificando a idéia de cidadania. Nós não vamos ser monitorados! Nós não vamos aceitar golpes baixos dados pelo sistema financeiro, pelas empreiteiras, pelos Partidos golpistas tradicionais que sempre estiveram presentes no cenário político brasileiro!
Falo desta forma para dizer que estamos indo a um caminho sólido, firme e, sobretudo, porque também estamos construindo movimentos sociais fortes, a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do Movimento dos Pequenos Agricultores, do Movimento de Mulheres Agricultoras, da CUT. É esse tipo de movimento que vai corroendo a base injusta da sociedade em que vivemos e que, evidentemente, vai trazendo desconfortos que se refletem nos discursos da Assembléia Legislativa, a exemplo do discurso do Deputado Milton Sander, que me antecedeu, que na verdade vem aqui defender o latifúndio improdutivo, vem aqui querer a manutenção do status quo e a manutenção do quadro social crescente de miserabilidade.
É por isso que os agricultores catarinenses do Oeste estão, neste momento, mobilizados, pois estão cansados de ficar esperando as soluções demagógicas, a exemplo do Governador Esperidião Amin, que foi a Brasília e prometeu que traria R$3,5 milhões para resolver o problema da seca do Oeste, que até agora não aconteceu.
É por isso que os agricultores de Santa Catarina, Deputado Ronaldo Benedet, a partir de hoje, fecharão as estradas, porque cansaram de esperar promessas frustadas de políticos demagógicos, de Ministros que vieram ao lado do Sr. Governador Esperidião Amin, que também empenhou a sua palavra e nada, até agora, resolveu.
Por isso, vamos continuar solidários na luta dos servidores, vamos continuar chamando a atenção da sociedade para não dar mais espaço político a esse tipo de postura que deve ser varrida do cenário político catarinense e nacional.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)