Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

40ª Sessão Ordinária - 12/05/2011

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, pessoas que nos acompanham pela TVAL, pela Rádio Alesc Digital ou que estão presentes na manhã desta quinta-feira.

Quero também registrar a minha solidariedade e os meus aplausos à categoria de Enfermagem, aos trabalhadores e trabalhadoras em geral que estiveram neste plenário, na manhã de hoje, falando da Semana da Enfermagem.

Evidentemente, a luta pelas 30 horas semanais é muito importante para a saúde brasileira. Os servidores públicos do estado de Santa Catarina já têm esse direito. É preciso que os funcionários da iniciativa privada também o tenham, assim como em nível nacional. Para isso acontecer é preciso que seja aprovado o projeto que está no Congresso Nacional.

Quero falar também da assembleia geral dos professores realizada na tarde de ontem, nesta capital, com posterior caminhada pelo centro da cidade. Fala-se em oito, dez mil pessoas presentes na assembleia e na passeata também. Não tive a oportunidade, anteriormente, de ver uma assembleia de categoria profissional de tamanha proporção e fiquei muito alegre por ter ido acompanhar parte de todo aquele movimento.

Quero registrar a importância daquele ato, da luta do Magistério pelo piso nacional salarial dos professores. Quero dizer também que, no final da sessão de ontem, quando fazia um pronunciamento desta tribuna, tive a informação de que o carro de som da manifestação dos professores havia sido proibido, pela Polícia Militar, de sair de dentro do pátio do CentroSul. Fizemos contato com o comando-geral da Polícia Militar, a deputada Luciane Carminatti também falou com o comandante do 4º Batalhão da capital e a situação foi resolvida em alguns minutos.

Portanto, queremos agradecer a essas autoridades da Polícia Militar, ao próprio comandante-geral, que interveio no sentido de se tomar a medida mais correta, mais justa, mais adequada, pois dentro dos princípios constitucionais, o direito de manifestação, o direito de circulação na sociedade brasileira é garantido. E teria que ser assim também na capital do estado de Santa Catarina.

Era final de tarde e cerca de dez mil pessoas participaram de uma manifestação que ocasionaria, evidentemente, prejuízo ao trânsito de veículos na capital, que já é afogado e engarrafado todos os dias. Agora, o fato de a nossa mobilidade ser uma porcaria não pode ser argumento para que seja proibida uma manifestação pública pacífica feita por professores e professoras do nosso estado. Mas prevaleceu o bom senso e agradecemos às autoridades que tomaram essa posição.

Quero registrar ainda que um militante de um determinado partido - e não vou citar o nome, deputado Reno Caramori, porque esse partido não tem representação nesta Casa e não pode defender-se desta tribuna - usou o microfone do carro de som, creio, para me denegrir, porque quem estava cumprindo a ordem que considera absurda eram justamente policiais militares. A pessoa que usou o microfone sabe que os militares em serviço não têm o direito de dizer "não, senhor", porque isso é desobediência e dá prisão em flagrante.

Portanto, a decisão de um comandante, que estava lá na hora, e nem sei quem era, de não deixar o caminhão e os professores saírem ou de pretender não deixar foi atribuída à posição dos policiais militares, à nossa associação, também com o objetivo de atingir este parlamentar.

Essa pessoa sabe da nossa posição, esse partido sabe da nossa posição, sabe da nossa solidariedade a todos os movimentos justos e legítimos da nossa sociedade, portanto, foi oportunista e demagoga quando fez isso. Não cito o nome, como disse, porque esse partido não possui representação nesta Casa.

Esse fato, inclusive, foi registrado pela coordenadora-geral do Sinte, sra. Alvete Pasin Bedin, que, ao final da manifestação, numa rádio da nossa região, agradeceu aos policiais militares pelo trabalho feito no sentido de garantir a movimentação e a segurança daquelas milhares de pessoas que estavam nas ruas. É esta a missão da Polícia Militar: garantir a segurança das pessoas. Se for por motivo de festa, se for pela razão de um evento esportivo, a Polícia Militar faz a segurança das pessoas da melhor forma possível.

Portanto, quando é uma manifestação de reivindicação com relação ao governo do estado, ao governo federal, ao governo municipal, é também obrigação da Polícia fazer a segurança. Essa verdade prevaleceu e isso foi reconhecido, inclusive, pela coordenadora-geral do Sinte.

Quero parabenizar o Sinte, Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Santa Catarina, pela expressiva, fantástica, impressionante, bonita, pacífica, justa, correta e legítima manifestação, na tarde de ontem, em nossa capital.

É evidente que o governo do estado precisa atender aos ditames da legislação federal e negociar, a partir deste momento, até a semana que vem, com os professores, para evitar, inclusive, que o estado entre greve. As demandas salariais dos professores são justíssimas, assim como as dos trabalhadores e trabalhadoras da Saúde e da Segurança Pública, porque quem está na linha de frente atendendo à população é muito mal remunerado, enquanto em outros lugares a remuneração é bem alta. Mas quem está na linha de frente atendendo 70% da população e arriscando a sua vida é mal remunerado e ganha em torno de R$ 1.000,00.

Então, precisamos valorizar os servidores da linha de frente do Magistério, da Segurança, da Saúde e de outros setores importantes.

Deputado Padre Pedro Baldissera, estou há dias, há semanas, na verdade, com um discurso para fazer, mas a conjuntura sempre me toma o espaço. O assunto diz respeito ao cinismo, sobre o qual já falei aqui há quatro semanas, dos governos imperialistas do mundo, à frente, logicamente, o governo dos Estados Unidos. Cinismo que agora precisa ser qualificado melhor. Acho que é o cinismo com uma dose bastante alta de canalhice. É o que têm feito pelo mundo afora os governos dos Estados Unidos, da Inglaterra, da França, da Itália e por aí afora.

Dizem que mataram Osama Bin Laden. Tinham invadido e estão lá no Afeganistão matando o povo porque Bin Laden estaria lá. Estão há quase uma década matando pessoas no Afeganistão para pegá-lo. Esse foi o argumento.

Invadiram o Iraque, jogaram toneladas de bombas nos centros das cidades, em bairros residenciais, porque Saddam Hussein, ex-presidente daquele país, tinha armas de destruição em massa. Mataram, segundo estimativas, um milhão de pessoas e prenderam e mataram na forca o ex-presidente Saddan Hussein.

Vejam bem, não estou defendendo Saddan Hussein e muito menos Osama Bin Laden, aliás, eles eram amigos e tramaram juntos, com a CIA e com o Pentágono, em décadas anteriores.

Falando da Líbia, o governo foi proibido de se defender contra uma insurgência armada, fortemente armada, financiada pelos governos e pelos monopólios da Organização dos Estados Americanos - OEA. Proibiram o governo de se defender. Os aviões do governo não podem levantar voo para se defender, o governo não pode atacar.

Agora, é preciso qualificar também a oposição fundamentalista, islâmica, monárquica a Muammar Kadhafi, não para defendê-lo, deputado Padre Pedro Baldissera, mas ele, nos últimos dez anos, era amigo desses poderosos.

Todas essas três figuras que citei foram construídas, foram gestadas ou tiveram relação de amizade, de negócios com os monopólios, com o governo dos Estados Unidos e com outros governos europeus do chamado primeiro mundo. Agora, duas delas foram mortas por eles: Bin Laden e Saddan Hussein!

Srs. deputados, não vou conseguir concluir o pronunciamento, mas preciso registrar o meu repúdio veemente ao cinismo e à canalhice dos governos que representam o imperialismo mundial atuando no Oriente Médio, matando milhões de pessoas por interesses econômicos e políticos da maior mesquinhez, para tentar ganhar a eleição do ano que vem.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)