Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

96ª Sessão Ordinária - 28/10/2014

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente e srs. deputados, aproveitando o espaço que nos é dado por parte dos deputados do PSDB, Marcos Vieira, Dóia Guglielmi e Gilmar Knaesel, queremos continuar a fazer a análise do resultado dessa eleição.

A minha cidade, Brusque, hoje é administrada por um prefeito do PT, sr. Paulo Eccel. E, além de ser o prefeito nos últimos seis anos, foi também o coordenador da campanha de Dilma Rousseff no estado de Santa Catarina.

O prefeito fez um volume muito grande de obras de pavimentação e de macrodrenagem - a soma de recursos para as obras da prefeitura de Brusque, ao menos aquelas que temos conhecimento, que foram publicadas, passa de R$ 140 milhões, para uma cidade que tem 110 mil habitantes. Digo isso para que tenham uma ideia do volume de recursos que foi transferido a Brusque por conta de ser a maior prefeitura do PT em Santa Catarina. E por conta disso, certamente a Presidência também escolheu o prefeito para ser o coordenador da campanha. Seria mais ou menos, deputado Kennedy Nunes, como se lá em Joinville semeássemos uns R$ 700 milhões ou R$ 800 milhões em obras. Imagino que isso daria para fazer uma mudança muito grande na cidade.

Então, com o volume de obras que foram feitas em Brusque, era de se esperar que 70 ou 80% das pessoas fossem às urnas agradecer ao candidato a deputado federal do prefeito, à candidata à Presidência da República e também ao governador, certamente. Mas vejam que, apesar desse volume todo de recursos em Brusque, que é uma cidade grande, estando entre as 12 maiores do estado...

Em cidades de porte médio estadual e nacional, no primeiro turno Aécio Neves obteve o maior percentual de votos, 72%, e no segundo turno 83% dos votos foram dirigidos a Aécio Neves. E se olharem os percentuais de todas as cidades de médio porte, verão que a população de Brusque deu o maior percentual de votos no Brasil para Aécio Neves. Ou seja, isso dá a impressão de que foi dado um grande recado, e tenho que tirar o chapéu para a população de Brusque! E poderiam pensar que esse percentual foi devido aos empresários, porque parece que somente eles têm uma noção da questão econômica, mas não! Como 82% dos votos foram para Aécio Neves, sobram poucos votos! Ou seja, quase todos disseram "não" à política atual da Presidência e à questão econômica, por exemplo.

O crescimento de menos 1% para um país que cresce 2% dá uma resultante de menos 1%! Ou seja, do ponto de vista relativo, a necessidade das pessoas cresceu 2% e o governo cresceu 1%. Ou seja, está negativo em nível nacional!

E as pessoas de Brusque compreenderam que não é a obra da macrodrenagem da beira rio mais bonita, que não é a praça mais iluminada e mais bonita que vai mudar a vida deles. O que muda a vida é a fabrica, a empresa onde ele trabalha, de uma forma indireta. O patrão vai achatando os salários e está cheio de gente ganhando R$ 600, R$ 700.

O eleitor está dizendo "não" à política de saúde. Brusque, como em mais de 40, 50 cidades grandes de Santa Catarina, tem três hospitais que não tem condições técnicas de fazer qualquer cirurgia, e que são feitas em Florianópolis. Lá são feitas cirurgias neurológicas, cirurgias de câncer, tudo quanto é tipo de tratamento se faz lá, particular, pela Unimed ou por outros convênios, mas pelo SUS, não. Isso dá a impressão, deputado Sargento Amauri Soares, de que é o doutor que é o mercenário, que é o hospital que é o mercenário e não quer atender pelo SUS. Não! Não tem autorização. O hospital não é credenciado para cirurgias de alta complexidade! Sabe o que acontece se o hospital fizer uma cirurgia, por exemplo, de câncer de rim e se, por acaso, o doente passar mal? Ele poderá processar o hospital e sair na manchete dos jornais no dia seguinte: "O hospital que não tinha credenciamento operou o paciente e ele morreu." E sabem por que alguns hospitais não possuem credenciamento pelo SUS? Porque a AIH normal paga R$ 600, mas se o hospital tiver credenciamento para alta complexidade, paga R$ 1.200.

Então, o que é que o SUS não quer? Não quer pagar o R$ 1.200, não quer pagar um pouquinho mais para melhorar a saúde. E assim ocorre com a grande maioria das cidades, como Concórdia, São Bento do Sul, Curitibanos, Joaçaba, Chapecó, São Miguel d' Oeste etc. Isso ocorre, na verdade, na grande maioria dos hospitais, com exceção de Criciúma, Lages, Joinville, Blumenau, alem de Florianópolis. E isso faz com que os pacientes precisem se deslocar do interior para cá.

Então, na hora em que 83% dos cidadãos de Brusque disseram "não" a presidente, eles estavam discordando dessa forma de política, porque não é a pavimentação de uma rua ou uma praça iluminada que vai mudar a vida das pessoas, mas, sim, a mudança de postura política, uma mudança econômica, uma mudança dentro das regras políticas, a mudança da saúde, da segurança e várias outras.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)