Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dirceu Dresch

117ª Sessão Ordinária - 16/12/2014

O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, agradeço a oportunidade de estar na tribuna no dia de hoje, público que nos acompanha pela TVAL, pela Rádio Alesc Digital, os meus colegas parlamentares, os visitantes, trabalhadores dos órgãos públicos estaduais que estão nos acompanhando no dia de hoje. Quero dizer que estamos acompanhando atentamente e com grande preocupação os problemas que tivemos na adição de misturas químicas ao leite catarinense, o que traz um grande prejuízo ao nosso estado, à economia catarinense, especialmente aos setores das indústrias, cooperativas e também aos nossos agricultores familiares.

Tivemos, ontem, um dia de bastante mobilização e articulação, seja aqui na capital ou mesmo em Chapecó, no oeste, um encontro para discutir com as empresas, com as cooperativas, com as organizações da agricultura familiar sobre a reforma agrária, sobre os impactos em Santa Catarina.

Nós temos tido uma situação bastante preocupante porque isso atingiu, em cheio, a visão boa do Brasil sobre a qualidade do leite do nosso estado, especialmente do oeste catarinense. E o grande debate girou em torno de como não colocarmos todos na mesma situação. Por isso tantas empresas estão instalando-se na região, tantas indústrias estão instalando-se nesse raio de um pouco mais de 100km em São Miguel d'Oeste a Chapecó, um dos maiores parques industriais do mundo para a industrialização do leite e hoje a maior bacia leiteira do Brasil. Então, como não matar a galinha dos ovos de ouro ou o nosso ouro branco, que é o nosso leite?

Ontem, tivemos a presença de muitos prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, lideranças sindicais naquela reunião, todos olhando para os municípios com grande preocupação. Porque já estão sendo feitas inúmeras ações por parte do Ministério Pública de Santa Catarina, do Ministério Agricultura, mas cada vez mais estamos entrando numa situação que pode trazer um impacto muito grande, pois alguns agricultores já estão vendendo o leite a R$ 0,50 o litro, enquanto que há pouco tempo o leite estava a R$ 0,90, a R$ 1,00 o litro. Assim sendo, já está ocorrendo uma perda de R$ 0,50 devido ao impacto negativo e do prejuízo na produção do leite.

Mas os grandes desafios estão sendo discutidos. Inclusive, amanhã teremos uma reunião com o ministério da Agricultura, em Chapecó, o próprio Ministério tem responsabilidade no processo porque acompanhou a fiscalização e autorizou aquelas indústrias a produzir e tem agora que separar, como diz o povo, o joio do trigo, ou seja, as más empresas das boas empresas, as empresas sérias, dos agricultores sérios. Porque é um número pequeno de agricultores que venderam leite sem ter vaca para produzir. Mas a grande maioria, os milhares e milhares de agricultores estão fazendo um grande esforço para atender todas as normas sanitárias, para produzir um leite de alta qualidade, um leite padrão de exportação. E o próprio ministério da Agricultura, em nível de Brasil, hoje, reconhece que o oeste catarinense, o nosso estado produz o melhor leite do Brasil.

Não podemos jamais jogar fora esta grande oportunidade de manter os nossos agricultores lá, diversificar a nossa economia, dar oportunidade para um grande número de pequenas empresas, pequenas cooperativas em todas as regiões do nosso estado, para continuar gerando emprego, renda e alimentar o nosso Brasil.

Por isso queremos construir este debate com o Ministério da Agricultura, no sentido de diferenciar as boas empresas das más empresas. Não é possível tratar todos da mesma forma. Por isso é necessário dialogar a respeito. Não é possível fazer uma ação para prejudicar todo mundo. Precisamos diferenciar o bom do mau, e o próprio Ministério Público tem que nos ajudar neste sentido.

Enfim, será realizada uma reunião com o ministério da Agricultura, como também com o Ministério Público, a fim de discutirmos esse tema de como buscarmos alternativas para não prejudicar esse setor tão importante economicamente no estado de Santa Catarina, mas também socialmente, para mantermos os nossos agricultores e os nossos jovens lá.

Tivemos a presença lá também do ministério do Desenvolvimento Agrário, do ministério do Desenvolvimento Social, do coordenador nacional da política de Segurança Alimentar, que está fazendo um grande esforço de buscar, junto ao governo federal, a compra desse produto para estoques reguladores, para os programas sociais do leite, que está estocado nas associações, nas pequenas indústrias, nas cooperativas.

Então essa é outra ação que se está buscando, juntamente com uma campanha de esclarecimento à população brasileira para que não aconteça como já está acontecendo nas redes sociais, onde os supermercados divulgam que não tem leite em Santa Catarina.

Isso é um absurdo para todos nós do estado de Santa Catarina que primamos tanto pela qualidade do nosso leite. Esse é um setor que muito se desenvolveu em novas tecnologias na produção de leite a base de pasto. Nós queremos e vamos discutir isso frente a frente para que, neste momento em que alguns agiram de má fé e fizeram picaretagem, não percamos essa grande oportunidade de, no futuro, o estado se destacar na produção de leite à base de pasto, leite orgânico, em contraponto a esta visão de alguns grandes grupos multinacionais, que vêm produzir leite com vacas confinadas com problemas sanitários sérios entre outros problemas nos animais.

Por isso, queremos continuar a nossa luta junto com a grande conquista anunciada pelo ministério da Integração Nacional de termos recursos garantidos para a construção do laboratório de leite no município de Pinhalzinho, justamente para contribuir com esse laboratório e acompanhar passo a passo a qualidade dos testes, as análises do nosso leite do oeste catarinense, do estado de Santa Catarina.

Por isso, não temos dúvidas de que esse é um setor que tem muito a contribuir com o nosso estado em todos os sentidos. Não podemos jogar fora essa experiência construída a duras penas com a ajuda do Pronaf, do crédito, com a luta de recursos à assistência técnica, com o empenho dos nossos agricultores em tecnologia de pastagem, produtividade, genético animal, pois tudo isso vem trazer grandes conquistas nos últimos anos. Isso não queremos jogar fora. Por isso, precisamos abrir um debate muito sério no próximo período. Não está aí pela frente uma grande crise do leite, pois, felizmente, a política do governo federal é de valorizar o salário, de continuar gerando empregos para o nosso povo trabalhador. Segundo a ONU, o Brasil sai do mapa da miséria, sendo assim, não há perspectiva de o povo diminuir o consumo do leite. Pelo contrário, vamos continuar incluindo pessoas que vão consumir esse alimento tão importante, especialmente às nossas crianças.

A crise é regional porque alguns fizeram esse crime de colocar em risco a saúde das pessoas, que consomem esse produto, e também toda a cadeia produtiva. Esperamos dar passos significativos nessa recuperação e, a partir de fevereiro, reaquecer o consumo do nosso leite no Brasil e passar por essa crise regional, principalmente no oeste catarinense e no alto uruguai, no Rio Grande do Sul, para que possamos continuar a dar oportunidades de renda, empregos e trabalhos aos agricultores e a tantos trabalhadores e trabalhadoras que estão envolvidos nessa cadeia produtiva desse alimento tão importante que é o leite.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)