Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

123ª Sessão Ordinária - 11/12/2012

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, servidores da Saúde do estado de Santa Catarina, que mais uma vez se fazem presentes neste Parlamento. Sejam muito bem-vindos, pois sou solidária à manifestação de vocês.

Srs. parlamentares, quero manifestar minha indignação pela omissão do governo do estado de Santa Catarina em relação à greve na Saúde, que no dia de hoje, deputado Sargento Amauri Soares, completa 50 dias. Indignação porque nunca vi um governo que se diz democrático, que afirma que as pessoas estão em primeiro lugar, em dois anos de governo deparar-se com duas greves: a greve na Educação pelo piso nacional do Magistério, que durou 60 dias, e a greve na Saúde, que já está com 50 dias e que, pelo jeito, vai perdurar até o governo decidir negociar.

Cinquenta dias de greve e o governo do estado de Santa Catarina mantém sua postura de virar as costas aos trabalhadores da Saúde e à população catarinense.

Falo isso porque neste Parlamento diversos deputados vieram a esta tribuna, em muitas oportunidades, para demonstrar manifestar seu apoio à abertura de negociação, de diálogo, primeiramente com o secretário da Saúde, que infelizmente foi desautorizado pelo governo para fazer a negociação e que poderia, sim, ter sido mais firme e dito que da sua pasta cuidava ele.

Mas este Parlamento, senhoras e senhores, está sendo enganado por este governo também. Nós, deputados e deputadas, fizemos uma reunião na comissão de Saúde desta Casa, presidida pelo deputado Volnei Morastoni, e diversas vezes pedimos ao líder do governo, o nosso colega Darci de Matos, que intermediasse essa negociação. Mas a verdade é que, infelizmente, ele nos enganou dizendo que abriria um canal de negociação com o governo e até agora nada!

Vocês não imaginam o quanto estamos sofrendo aqui também. Falo isso, deputado Sargento Amauri Soares, em nome da bancada do Partido dos Trabalhadores e faço um apelo aos deputados do PSDB, que se dizem favoráveis à abertura da negociação, aos deputados do PP e do PSD, com quem converso nos corredores e dizem ser favoráveis à negociação, que a partir de hoje não se vote mais nada nesta Casa: não deliberemos sobre o Orçamento encaminhado pelo governador e não aprovemos as matérias encaminhadas pelo Executivo enquanto não resolvermos a greve na Saúde!

(Palmas das galerias)

Aí, srs. deputados, vamos ver de que lado estamos. Este é o desafio. Quando o próximo projeto do Poder Executivo vier para esta Casa virei para esta tribuna e pedirei que não seja votado enquanto não forem abertas as negociações com o Sindsaúde!

São 50 dias de greve, a população está sofrendo, é véspera de Natal, véspera de final de ano, a população do estado vai aumentar muito e os hospitais não têm funcionários para atender a essa demanda. Isso é uma irresponsabilidade do governador. Será que o governador não enxerga? Vocês vêm para este Parlamento e nós ouvimos, negociamos, vamos atrás de todas as informações, tentando uma abertura para negociar. Mas será que o governador não vê isso? Será que está cego, surdo e mudo?

Eu não sei. Nós não conseguimos encontrá-lo, porque pedimos audiência e o governador não quer receber-nos. Mas em que estado ele mora, em que país ele mora, que não enxerga que seu posicionamento é uma loucura? Só estamos pedindo que seja aberto um canal de negociação, nada mais! Na quinta-feira da semana passada saímos desta Casa com uma proposta do líder do governo que dizia o seguinte: "Deputada Ana Paula Lima, deputado Sargento Amauri Soares, deputado Volnei Morastoni, o governador vai receber um grupo de parlamentares". Mas até hoje estamos esperando. Até hoje estamos esperando!

Então, srs. deputados, deputada Angela Albino, esse é o desafio que faço, porque já tentamos de tudo senhoras e senhores. Já tentamos de tudo! Não pensem que este Parlamento está inerte, mas temos que ter uma ação mais agressiva com este governo: não votar nada enquanto não houver abertura das negociações. Nada!

(Palmas das galerias)

Fizemos parte, juntamente com a comissão de Saúde, de uma comitiva que fez visitas à Maternidade Carmela Dutra, ao Hospital São José, ao Hospital Joana de Gusmão, ao Hospital Celso Ramos, e é lamentável a situação de todos eles.

Dizer que a saúde não está funcionando devido à greve é mentira, porque vimos alas inauguradas há muito tempo e que nem foram abertas. O atendimento das pessoas na Grande Florianópolis e em outras regiões do estado está absolutamente precário. Na cidade de Lages, por exemplo, terra do nosso governador, a situação não é diferente e a culpa não é dos profissionais em greve, mas da falta de investimento.

Srs. parlamentares, os jornais noticiaram que uma gestante de Florianópolis foi para Mafra para poder internar seu bebê, porque na UTI neonatal da capital não havia vaga. Será que é por causa da greve da saúde? Não é. Eu sou da área, sou enfermeira e tenho certeza da responsabilidade de cada um e de cada uma de vocês. É muito mais fácil estar trabalhando do que estar em greve. Eu já disse em uma audiência pública isto: é muito mais cansativo estar em greve do que estar trabalhando. Eu sei que os que estão trabalhando também estão fazendo uma torcida grandiosa, mas deviam estar aqui, porque a hora em que a enfermagem se unir completamente não haverá quem a segure!

(Palmas das galerias)

Podem ter certeza disto, na hora em que a enfermagem parar tudo, a conversa será outra. Outra conversa! Falo isso às minhas colegas enfermeiras, aos técnicos e aos auxiliares de enfermagem. Na hora em que tivermos o espírito de corpo que tem a classe médica, a conversa será outra no estado de Santa Catarina e no Brasil, onde estamos lutando pela carga de trabalho de 30 horas semanais.

Mas o que me cabe neste momento, como parlamentar desta Casa e defensora da categoria, é fazer o seguinte desafio aos líderes de partido: que todos os projetos encaminhados pelo governador não sejam votados, enquanto não houver a abertura do diálogo, a abertura das negociações para se pôr fim a uma greve que já dura 50 dias.

Faço esse apelo ao PP, ao PSDB, deputado Serafim Venzon, v.exa. que esteve visitando todos os hospitais da Grande Florianópolis conosco, ao PSD, ao PMDB, grande bancada nesta Casa, porque o PCdo B, o PT e o PDT já estão de acordo.

Era isso, sr. presidente.

Muito obrigada!

(Palmas das galerias)

(SEM REVISÃO DA ORADORA)