72ª Sessão Ordinária - 23/09/2003
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, telespectadores da TVAL e cidadãos de Santa Catarina, assomo à tribuna, hoje, para fazer, primeiramente, menção a uma empresa de Jaraguá do Sul, que na última semana inaugurou um museu para contar a história do seu sucesso. Estou falando da WEG, uma das maiores - se não a maior - empresas de motores elétricos, de tintas, de eletroeletrônicos, de transformadores do Estado, do País e da América Latina.
Nós, que participamos como funcionário daquela empresa entre os anos de 1985 e 1991, conhecemos de perto toda sua trajetória de crescimento, nesses 42 anos de história na cidade de Jaraguá do Sul. Trata-se de uma empresa que começou com um capital equivalente a três fuscas e que hoje fatura mais de R$ 1 bilhão/ano e tem mais de 11.000 funcionários espalhados pelo Brasil, México, Argentina, Estados Unidos, Europa e Ásia.
Durante toda a sua história sempre levou o nome de Jaraguá do Sul para o mundo e agora faz questão de preservar para as futuras gerações a sua história, contada no belíssimo museu inaugurado em nossa cidade.
Participamos da inauguração, da visita ao museu, inclusive a sua fachada original está mantida, local onde iniciou a empresa e onde foi fabricado o primeiro motor elétrico, há 42 anos.
Como jaraguaenses e ex-funcionários da empresa, sentimo-nos orgulhosos e parte daquele projeto, daquele empreendimento, que tanta riqueza, tanta geração de renda trouxe para a nossa região.
Queremos homenagear, além da direção da empresa, os milhares de funcionários, de trabalhadores da WEG, que, com o seu suor, com o seu trabalho, ajudaram a construir a empresa que é hoje o Grupo WEG. Que todos eles também se sintam parte daquela obra, daquele museu, pois um pedaço do trabalho de cada um está ali representado com a história do passado e com as perspectivas de futuro.
É um museu interativo, moderno, que permite que as crianças tenham noção de princípios de química e física; apresenta, desde um sistema primário, original de geração de energia, através de roda d’água, com dínamo, passando pelos processos de fabricação do motor, e tem, inclusive, salas de multimídia, salas para descrever o centro de aprendizagem da WEG, um centro referência na formação profissional no Estado de Santa Catarina e no Brasil.
Há também uma sala do futuro, que permite experiências interativas como o Teorema de Pitágoras, cálculos de engenharia... De forma lúdica ensinam leis da física, eletromagnetismo, viscosidade, calor, além de informações através da Internet, jornais e experiências das mais diversas, fazendo com que os alunos tenham, além do conhecimento da história daquela empresa e do Município, a aprendizagem para a sua vida.
Parabéns ao Grupo WEG e a todos os trabalhadores e a Jaraguá do Sul, onde fica a sede desse grande empreendimento.
Não poderia, hoje, Sr. Presidente, deixar de me manifestar também sobre algumas das falas que ouvimos desta tribuna. Muitas delas deixam, com certeza, o telespectador meio atordoado, tamanho o desencontro de falas de um ou de outro Deputado.
A primeira referência que quero fazer é com relação à distorção que muitas pessoas fazem quando recebem críticas quanto à forma assistencialista de fazer política ou de atender as necessidades das pessoas carentes.
O assistencialismo praticado por políticos, principalmente Deputados e Vereadores - e essa não é a função - acaba perpetuando a condição de miserabilidade, de pobreza e do problema da pessoa, porque quem vem para Florianópolis se tratar de uma doença, se tiver hospedagem, ótimo! Mas, daqui a um ou dois anos terá o mesmo problema e voltará para cá usando da boa vontade de um Deputado para se hospedar.
A condição de vida dessas pessoas, Deputado Antônio Carlos Vieira, não mudará em função desse assistencialismo! O que deveríamos fazer - e essa é a função do Deputado - é estar aqui na tribuna brigando para que o serviço de saúde do Estado seja descentralizado para que as pessoas de Chapecó, de Campos Novos, de Canoinhas ou de São Miguel do Oeste possam ser atendidas na sua cidade e não precisem vir dormir na casa de um Deputado para serem atendidas, porque o serviço de saúde está concentrado na Capital.
Então, o que o Deputado Afrânio Boppré falou, e foi muito bem colocado, por sinal, alguns Deputados entenderam como ofensa. Pensar diferente num Parlamento não é ofensa! É o princípio do Parlamento, da democracia, do contraditório, da divergência de idéias, que vai construindo pensamentos, projetos de lei, a nossa legislação ordinária, e vai fazendo com que o Estado de Santa Catarina melhore a cada dia que passa. Pelo menos essa deveria ser a função.
Agora, com assistencialismo, volto a insistir, não vai melhorar a vida do povo. Tenho um exemplo muito prático. Na minha cidade, um cidadão precisava fazer uma cirurgia para implante de uma bolsa de silicone, que custava R$17 mil. O SUS recusou-se a fazer e ele veio pedir ajuda, pedir dinheiro para fazer a cirurgia. Eu o orientei dizendo que se eu desse o dinheiro para ele fazer a cirurgia, amanhã ou depois outro precisaria e eu não poderia atender. Quer dizer, não vai resolver o problema!
Nós entramos com uma ação na Justiça Federal e esse cidadão ganhou a liminar obrigando o SUS a fazer a cirurgia, Deputados. Isso resolve o problema, porque outra pessoa que necessite vai ter o mesmo direito de fazer a sua cirurgia sem fazer vaquinha, rifa e participar de tantos outros projetos assistencialistas, que mantém a condição de pobreza, os órgão públicos sem funcionar e os direitos das pessoas não são atendidos.
A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Pois não!
A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Com todo o respeito a sua colocação, Deputado Dionei Walter da Silva, respeito a colocação do Deputado Afrânio Boppré.
Creio que a nossa luta para consertar este País e este Estado é muito grande e vai depender de todos os Deputados daqui também.
Quero ressaltar a minha preocupação na situação de emergência, quando uma pessoa precisa ser acolhida! Eu acredito que, não discordando em nenhum momento da posição dos senhores, e também não discordando da posição do Deputado Romildo Titon, penso que numa situação de emergência as pessoas são acolhidas da melhor forma possível!
Claro que a nossa luta maior é para que isso seja resolvido, para que o papel do Parlamentar não seja esse, de assistencialista, mas, num momento de emergência, eu acredito que também serão bem-vindas essas posições.
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - A outra questão que eu gostaria de trazer, é que já ouvimos tanto falar sobre as máquinas caça-níqueis e as formas de jogos institucionalizadas nos Governos, tanto estadual quanto federal, e que transformam a Caixa Econômica, a Codesc e outros órgãos, em verdadeiros caça-níqueis. Através do jogo caçam níqueis para fazer projetos sociais ou alguma outra forma.
O Deputado Antônio Carlos Vieira já se posicionou hoje sobre o tema; muito já se falou em acabar, principalmente, com aquele sistema caça-níquel ou máquinas de jogos de rua, em que crianças, adolescentes e qualquer tipo de pessoa participam sem qualquer fiscalização, iniciando nesse mundo do jogo, que muitas vezes acaba como todos aqueles problemas já citados aqui, inclusive pelo Deputado Nelson Goetten.
Estamos preparando um projeto de lei para regulamentar essa situação. Creio que se for em casa especializada, com fiscalização da polícia e de todos os órgãos, onde só entram pessoas maior de idade, não vejo problema...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)