Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

29ª Sessão Ordinária - 30/04/2003

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e companheiros Deputados, assomo à tribuna, nesta manhã, para falar a respeito das discussões desenvolvidas nesta tribuna por alguns dos Srs. Parlamentares inconformados com o direito legítimo daqueles que as urnas decidiram que têm o dever de fazer oposição.

E nós, nesta Casa, temos, sim, muitas vezes, que reconhecer o que disse o Deputado Lício Silveira, que acaba de uma certa forma agredindo a Oposição, para a qual nós queremos pedir desculpas.

Mas ontem o objetivo do discurso nesta tribuna era outro, o qual me levou a discutir o assunto que foi conduzido naquele momento, quando o Líder do PT, Deputado Afrânio Boppré, fez uma intervenção para se manifestar dizendo que não era Governo e que não tinha nada a ver com o Governo que aí está administrando Santa Catarina.

Perdoe-me o PT, perdoe-me o Deputado Afrânio Boppré, mas não era possível nos calarmos naquele momento ao lembrarmos da conivência danosa para o catarinense, sempre tomada nas suas posições pelo PT nos momentos das eleições, que ajudam e depois fazem de conta que não têm nada com aquilo; nomeiam e depois dizem que não têm nada com aquilo.

Então, não podíamos nos calar e cabe-nos o direito de aqui vir dizer isso.

Agora, quando falam de demagogia, que aqui não é lugar para teatro, queremos perguntar como a sociedade e nós nos sentíamos quando o PT, com a sua Deputada e hoje Senadora Ideli Salvatti, vinha nesta tribuna enxovalhar, fazer teatro. Os bolos que naquela poltrona foram divididos, fazendo gozação, humilhando, agredindo e ofendendo; as coroas, as bandeiras, as camisetas do PT que aqui eram expostas, as agressões que eram feitas!

O teatro aprendemos a fazer, sim, e aí queremos agradecer um pouco ao PT, que estamos tentando exercer aquilo que eles nos ensinaram durante quatro anos de agressão que vivemos nesta Casa.

Não estamos acusando o PT. Quem está acusando o PT é o próprio PT. Não estamos agredindo e ofendendo o PT. Quem está ofendendo o PT é a Senadora Maria Helena, que está dizendo que o PT não respeita aquilo que pregou a vida inteira! Quem está acusando o PT é o Senador Paim, que diz que não podemos engolir o discurso, que prometemos, sim, U$100 de salário mínimo e hoje temos que passar pela vergonha de dar 1% de aumento de salário.

Quem está ofendendo o PT é o PT, quando diz que o próprio Lula assinou um documento que era contra as reformas da Previdência e, principalmente, cobrar do inativo, que é um servidor que sempre contribuiu com a sua aposentadoria...

Não estamos ofendendo o PT. Queremos respeitar o Governo do PT. Agora, está na hora de o PT parar de criticar o seu próprio Governo e assumir o seu papel e a sua responsabilidade que tem com Santa Catarina.

Não queríamos criticar o PT, mas ontem escutamos o Ministro de maior confiança do Governo Lula dizer que já previa que no próximo ano também o PT e a sociedade catarinense e brasileira não vão poder comemorar uma reposição salarial de acordo com aquilo que o PT sempre pregou aqui.

Queria perguntar ao servidor público onde está! Onde estão as bandeiras que ele levantava do PT? Onde ele está, porque agora está calado e não está fazendo nenhum movimento?

Vou ter o prazer, sim, de ver essa gente que nos agrediu, que nos ofendeu, daqui a um pouco, usando os carros de som, em cima dos palanques, falando que é uma vergonha este Governo que administra esta Nação, que cobra do aposentado, que tem juros elevados, que cobra CPMF, que não melhorou a vida da sociedade, que o agricultor continua vivendo as suas mesmas dificuldades, que a sociedade não recebe o amparo do Governo.

Ah, vai ser tão bom, porque fomos tão judiados nesta tribuna. E, perdoe-me o PMDB, mas quero aqui saber em que mentimos ontem? Quais foram as mentiras que pregamos nesta tribuna? Só resgatamos um pouco da história. Foram quatro anos de muito sacrifício, foram quatro anos de muita ofensa e agressão sofrida pelos debatedores da Oposição, quando nos acusavam que em Santa Catarina não havia Governo e quando estávamos juntos com o Governo de Esperidião Amin, que estava imbuído da melhor das intenções para fazer o melhor por Santa Catarina.

Mas tinha que primeiro resgatar o crédito, pagar as três folhas desses servidores que saíram contra, que foram para o palanque do PMDB, juntando as mãos, porque estavam ofendidos, porque em Santa Catarina se respeitava o servidor pelo Governo que estava administrando, e eles nunca receberam um dia o seu salário com atraso. Eles sabiam até o dia que receberiam! Só não sabiam a hora, porque a hora quem fazia era ele, o servidor!

Com relação à reposição salarial, quero dizer por certo que o servidor de Santa Catarina está com saudade daquele Governo! Onde está a reposição salarial?! Estão calados, covardemente, quando vêem um número enorme de amigos e parentes sendo nomeados todos os dias!

Aqui o PMDB diz que não tem recurso para fazer reposição salarial ao sofrido, discriminado competente servidor de Santa Catarina. Que feio isso! Como é fácil criticar!

Então, perdoem-me e dêem o direito de poder viver esses momentos e exercer o que as urnas me determinaram, que é o meu trabalho de Oposição, e quero exercê-lo com responsabilidade, com afinco, com determinação. Quero fazer as cobranças daqueles compromissos feitos perante a sociedade.

Mais uma vez a barbaridade, o absurdo, o pouco caso com a sociedade, pois estão em busca ansiosa do tal do Palácio de Santa Catarina, porque o atual é modesto, não serve para o Sr. Luiz Henrique. E justamente ele que faz um discurso contraditório dizendo que quer, que precisa manter o Besc! Mas na mesma hora quer tomar o centro administrativo do futuro Besc que ele prega para Santa Catarina. Ele anseia por esse palácio e frustra-se, mais uma vez, deixando a sociedade ansiosa: "será que vamos ter o palácio ou não vamos ter? Precisamos muito desse palácio porque aí teremos um governo em Santa Catarina, porque até hoje não sabemos para que veio, a não ser para nomear os parentes, amigos. Estamos ansiosos para ter um governo".

E a justificativa é porque não tem palácio ainda! E aí sou obrigado ser solidário com o Governo.

É uma pena que até hoje o Ministro Palocci, o Governo Lula, amigo do Governador Luiz Henrique, não deu a ele um palácio ainda! O Luiz Henrique precisa, o PMDB precisa de um palácio para poder governar! Está ansioso demais o PMDB por um palácio!

Nós, da sociedade catarinense, já estamos na torcida: tomara que dê certo, porque podemos ter governo e os compromissos assumidos com a sociedade vão ser cumpridos!

Perdoe-me, Deputado Genésio Goulart, V.Exa. que é um homem exemplar, um bom político, a quem admiro e respeito, mas me permita dizer aquilo que a sociedade tem vontade de dizer: queremos governo; o pai de família quer atendimento a saúde; queremos terminar essa bagunça que foi implantada dentro da Udesc; não queremos ver novamente repetir o que fizeram com a Cidasc, a Celesc e a Epagri; não queremos mais perseguição neste Estado!

Mas estão transferindo servidor novamente! Estão judiando do servidor! Estão implantando essa angústia novamente pelo estilo de governar, perseguidor! Estão nomeando a parentagem toda, vergonhosamente! Que coisa feia!

Com relação a essas Secretarias, a sociedade vai ter uma boa oportunidade para poder viver uma das maiores desgovernabilidades a ser implantada em toda a história de Santa Catarina. Vai ser a República de alguns, a Republiqueta de famílias e de ações politiqueiras produzida e patrocinada pelo PMDB, consorciada com o PSDB e avalizada de forma vergonhosa...

(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)

O SR. PRESIDENTE (Deputado Sérgio Godinho) (Faz soar a campainha) - V.Exa. tem mais 30 segundos para concluir o seu pensamento.

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Não desejo agredir por agredir, mas quero ter o direito de falar do sentimento, dos problemas, de cobrar compromissos, de cobrar resultados e de fiscalizar, como disse o nosso Líder Joares Ponticelli!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)