78ª Sessão Ordinária - 03/10/2006
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. presidente, srs. deputados e público que nos acompanha através da TVAL e da Rádio Alesc, gostaria, inicialmente, de parabenizar todos os companheiros que se elegeram e os que se reelegeram deputados federal e estadual, os dois candidatos que vão para o segundo turno, Esperidião Amin e Luiz Henrique da Silveira, assim como também todos aqueles que participaram desse processo eleitoral e que não obtiveram êxito, assim como eu.
Hoje não será meu último discurso, mesmo porque ainda serei deputado até o dia 31 de janeiro. Para quem não sabe, devo dizer que os deputados desta gestão estarão trabalhando nesta Casa até o dia 31 de janeiro, pelo menos eu estarei com as portas de meu gabinete abertas e presente aqui neste plenário para cumprir com a minha obrigação.
Quero agradecer aos 13 mil eleitores que votaram em mim e pedir a Deus que os ilumine, dando-lhes muita saúde, paz e felicidade, assim como aos seus familiares. Realmente, foram pessoas que deram um voto de coração para o deputado Duduco.
Como dizem os próprios funcionários da Casa - e escutei isso, hoje, da Marilu, do Programa Antonieta de Barros -, a Assembléia teve dois períodos: um antes do Duduco e outro após o Duduco, porque o que eu trouxe para cá simplesmente foi a bandeira da igualdade. O que mais se viu no período em que estive aqui dentro foram pessoas humildes e pobres tendo acesso livre a esta Casa.
Sou sincero ao dizer que não fui o melhor deputado, que não fui aquele que apresentou o melhor projeto, mas ninguém pode negar que eu trouxe para dentro desta Casa a igualdade e o respeito aos menos favorecidos - v.exas. viam o gabinete do deputado Duduco sempre cheio de pessoas humildes. Essa é a bandeira que venho levantando há muitos anos. Eu sou político há apenas oito anos, mas faço um serviço social há mais de 25 anos e desde a Câmara Municipal de Florianópolis a minha bandeira sempre foi a criança carente, o idoso e o meu povo negro. E vou continuar a minha trajetória. A Creche do Duduco I, na rua José Boiteux, lá no morro do Duduco, e a Creche do Duduco II, no morro do Mocotó, vão continuar. O nosso trabalho social continuará.
Agradeço aos meus 25 filhos adotivos, que estiveram sempre ao meu lado e vão continuar, com certeza. Eu sempre dizia: está nas mãos de Deus e do povo. O povo é quem decide. Não adianta, agora, procurarmos um culpado pela nossa derrota. Eu, pelo menos, não estou procurando nenhum culpado. Eu também posso estar incluído nesse rol de culpados, por que não?
Mas gostaria, imensamente, de agradecer a todos aqueles que me apoiaram. De uma forma muito especial, eu quero agradecer ao presidente da Casa, deputado Julio Garcia, pelo carinho, a atenção e o respeito que ele teve comigo durante todo esse processo eleitoral. Deputado Julio Garcia, presidente, este deputado gostaria muito de agradecer a v.exa. pelo apoio dado.
Também quero agradecer aos funcionários do meu gabinete por todo o apoio que tive e dizer que a minha derrota foi uma surpresa para todo mundo. O que mais se comenta na imprensa é a derrota do deputado Duduco. Ela está sendo mais falada do que a vitória merecida do deputado Herneus de Nadal, que fez um trabalho bonito aqui na Assembléia. Cada vez que ligo o rádio ou abro um jornal percebo que estão falando sempre da derrota do deputado Duduco - derrota no bom sentido.
Eu fico feliz por saber que as pessoas lembram do meu nome. Inclusive, elas me dizem: "Que pena que não deu, Duduco, mas vamos para a próxima!" E vamos para a próxima, sim! É isso o que eu gostaria de dizer aos deputados que perderam a eleição. Vamos sair daqui de cabeça erguida! Não é porque não deu dessa vez, que não se pode ter uma outra oportunidade, não é mesmo? Quem diria que o Esperidião Amin, que perdeu uma eleição numa outra oportunidade para o Luiz Henrique, agora estaria no segundo turno? Quem diria que o Paulo Maluf seria o deputado federal mais votado de São Paulo? Quem diria que o Fernando Collor seria senador por Alagoas? Por que não podemos voltar? Por que eu não posso ser um humilde vereador de Florianópolis? Por que eu não posso abandonar a política e continuar só o meu trabalho social?
Eu sou o Duduco da creche e o Duduco do morro! Eu nunca disse que eu era o Duduco deputado! Eu nunca disse que eu era o cara! Eu nunca disse que eu era um vereador de Florianópolis! Não! Eu continuo o mesmo Duduco do morro, da creche, das crianças, em defesa do meu povo negro. Eu continuo o mesmo Duduco homossexual assumido.
Hoje eu li na coluna do meu amigo Cacau - e devo muito a ele e o seu nome está incluído no meu discurso de despedida, na última sessão deste meu mandato - que a classe gay não votou no deputado Duduco porque ele foi contra a parada gay.
Cacau, eu quero te dizer que isso não é verdadeiro, não! Eu não fui contra a parada gay em Florianópolis! Eu sou contra a forma como ela está sendo feita em São Paulo. Eu fui lá, assisti a três Paradas do Orgulho Gay de São Paulo e não gostei. Acho que nós, homossexuais, podemos participar do Carnaval, de festa, de boite, mas sou contra o nudismo que é apresentado pelos homossexuais n Parada do Orgulho Gay de São Paulo. Às 13h, em pleno dia, eu vi cenas obscenas lá e não gostei!
Acho que a parada gay poderia ser cultural e levantar, através de faixas e cartazes, o nome de homossexuais que já morreram, que a polícia matou, que o fulano matou; fazer a defesa do caso Norton, que até hoje não foi esclarecido; do Ricardinho Bavasso, e desse professor recentemente falecido da Universidade Federal de Santa Catarina. Portanto, a parada gay poderia ter essa finalidade, mas ela não tem, tornou-se apenas um Carnaval antecipado.
Por isso que eu dei a minha opinião. Eu não sou contra a parada, sou contra apenas à maneira como ela é feita. E se pelo fato de ser contra a parada gay, perder-se-ia uma eleição, eu não sei por que o Clodovil foi eleito deputado federal em São Paulo, já que ele bate firme contra a Parada do Orgulho Gay!
O José Serra, em São Paulo, foi eleito governador, apesar de também ser contra. Inclusive, na última Parada do Orgulho Gay havia diversos cartazes da comunidade gay porque o Serra falou que iria ser o último ano que a avenida Paulista seria usada gratuitamente e que ele iria cobrar, inclusive, a taxa do lixo, porque a Parada do Orgulho Gay era realizada lá e não havia nenhum investimento dentro do município. O investimento que existia era na rede hoteleira, mas nada entrava aos cofres da prefeitura.
A Marta Suplicy também não teria perdido a eleição para o Serra, porque ela foi a primeira a participar e a dar brilho à Parada do Orgulho Gay, subindo naqueles carros de trio elétrico. Ela foi também autora de um projeto, que até hoje está engavetado lá em Brasília, concedendo pensão aos companheiros de homossexuais e também propondo a união civil de homossexuais. E mesmo assim ela perdeu as eleições para o José Serra. Portanto, isso não tem nada a ver!
Cacau Menezes, meu querido amigo que eu respeito muito, eu, por exemplo, apresentei aqui um projeto de lei que dispõe sobre a concessão de benefícios previdenciários, pensão, aos companheiros ou companheiras homossexuais de funcionários públicos estaduais. O que é mais importante: um projeto dessa natureza ou eu colocar uma roupinha e desfilar na parada gay?
Eu fiz o meu trabalho aqui, apresentei um projeto em defesa dos companheiros de homossexuais para que fossem pensionistas porque acho justo. Um projeto, inclusive, Cacau Menezes, que se encontra na comissão de Justiça nas mãos de um deputado aqui desta Casa, que foi reeleito, e muito bem. Tenho certeza de que ele não tem nada a ver com o mundo homossexual e nunca fez a defesa deles aqui. Aliás, o projeto está trancado com ele lá na comissão. Esse deputado foi muito bem reeleito e o seu nome nem aparecia nas pesquisas. Em respeito a ele, que é meu amigo, não vou citar o seu nome.
Há um outro deputado, Cacau Menezes, que inclusive está aqui no plenário, que criou o Troféu da Biodiversidade. Ele prestou uma homenagem aos homossexuais de Santa Catarina, lotou este plenário, homenageou o idealizador da Parada Gay aqui em Florianópolis, assim como diversos outros homossexuais de nome e de força, mas perdeu a eleição! Criou um troféu em defesa e reconhecimento ao mundo homossexual - e na ocasião ele encheu este plenário - e perdeu a eleição.
Então, a parada gay não tem nada a ver. Eu perdi a eleição talvez até por minha culpa mesmo; talvez eu precise melhorar um pouco mais. Eu não vou achar culpados, pois agora não é o momento de achá-los e sim de refletir, de levantar a cabeça, de ver onde eu errei e de tocar a bola para frente.
Quem diria que a Seleção Brasileira iria perder a Copa do Mundo, tendo os melhores jogadores? Mas ela perdeu e foi uma caixinha de surpresa. Por que o deputado Duduco não pode perder a eleição? Perdi, mas com a cabeça erguida! Gostaria de dizer que continuarei com o meu trabalho social em defesa dos menos favorecidos, pois sou o Duduco guerreiro, o Duduco do morro, o Duduco dos pobres e o Duduco das crianças.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)