86ª Sessão Ordinária - 31/10/2006
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. presidente, inicialmente, quero também cumprimentar o novel deputado Antônio Luz Neto por haver tomado posse instantes atrás.
Sr. presidente e srs. deputados, várias vezes eu ficava imaginando o cenário desta primeira sessão após a eleição do segundo turno, quando poderia dizer que é o day after aqui na Assembléia ou como diria o nosso sempre senador Casildo Maldaner, o after day. E eu tinha sempre comigo três certezas: a primeira delas é que com qualquer resultado eu estaria aqui; a segunda é que se o resultado fosse positivo, eu aqui estaria para exaltar a vitória do meu candidato com a necessária humildade e para concitar os colegas deputados a continuar a trabalhar em prol de Santa Catarina. No entanto, se o resultado fosse adverso aqui estaria para reconhecer o resultado e cumprimentar o adversário que então teria sido eleito.
Não é essa a postura a que me impus particularmente que verifiquei nesta tribuna de parte de alguns srs. deputados. Até parece que quem perdeu é quem ganhou a eleição, tal o inusitado das manifestações, em especial uma delas feita desta tribuna. E essa manifestação feita há pouco tem muito a ver com o depoimento, com a entrevista dada à televisão logo após a proclamação do resultado pelo candidato derrotado, quando, como bem disse o deputado Antônio Ceron, com a arrogância de ontem, de hoje e de sempre, com a prepotência de ontem, de hoje e de sempre, buscava passar uma mensagem que não correspondia com a realidade.
É preciso que os homens públicos tenham serenidade e é preciso que entendam, efetivamente, o resultado das urnas. É preciso humildade a quem venceu, mas é preciso o mínimo de sabedoria a quem foi derrotado. E não foi isso que nós vimos de parte do candidato derrotado pela segunda vez consecutiva e não é isso que nós vemos de parte daqueles que repetem que são como que caixas de ressonância daquilo que ele diz. O que ele fala ontem, hoje, aqui, pelos que o seguem é repetido.
Mas eu quero, diferentemente do que disseram alguns, cumprimentar a imprensa. Quero, sim, cumprimentar a imprensa de Santa Catarina por ter mais uma vez cumprido com a sua missão institucional, com as opiniões as mais variadas, com os colunistas podendo professar o entendimento que achavam o mais escorreito, com as análises as mais díspares, mas todas elas timbradas pela liberdade de manifestação, que é apanágio da imprensa de Santa Catarina ontem, hoje e certamente sempre assim felizmente o será.
Quero, também, cumprimentar os partidos que participaram desta coligação vitoriosa. A iniciar pelo meu, o PMDB, o mais longevo da história no Brasil, o mais aguerrido dos partidos políticos, aquele que colheu os resultados mais expressivos no Brasil e aquele que em Santa Catarina mais uma vez fez valer a sua força elegendo ou reelegendo o seu candidato a governador; elegendo a maioria dos deputados dentre as bancadas neste Parlamento; elegendo o maior contingente de deputados federais e participando desta coligação realmente vitoriosa.
Mas quero, de igual forma, deputado Antônio Ceron, cumprimentar v.exa. e cumprimentar em especial o senador Raimundo Colombo. E vou aqui cometer uma inconfidência: no dia 2 de outubro, dia seguinte à eleição do primeiro turno, às 9h, bate no apartamento do governador Luiz Henrique, aqui em Florianópolis, o senador eleito Raimundo Colombo, para dizer-lhe: "Governador, estou aqui pronto para cumprir a missão que o senhor me atribuir. E o governador disse: - "Acho que você deve festejar a sua vitória". Ao que Raimundo Colombo redargüiu dizendo: - "Só vou festejar junto com a sua vitória no segundo turno".
Esse é um episódio emblemático que mostra a forma como transcorreu o relacionamento e as composições feitas de maneira maiúscula entre esses partidos.
Mas quero também exaltar o PSDB. Que pena que o senador e o futuro governador Leonel Pavan já tenha se retirado, pois foi colocado há pouco aqui sobre ele a acusação, a pecha de haver perdido a eleição na sua cidade onde tem o seu domicílio eleitoral, ou seja, Balneário Camboriú. Mas essa mesma acusação, essa mesma pecha pode recair num candidato a vice-governador derrotado, eis que na sua cidade, em Chapecó, também ele foi derrotado.
Portanto, temos que analisar esta situação não com dois pesos e duas medidas. Se vale para um, tem que valer também para o outro.
Eu quero, finalmente, cumprimentar o governador, o cidadão, o político Luiz Henrique da Silveira, que rompeu historicamente o ciclo da não-alternância do poder em Santa Catarina. Pela primeira vez, desde sempre, um governador consegue se reeleger. Disputou duas eleições para o governo do estado e venceu as duas. A primeira na condição de azarão, contra alguém que se julgava imbatível, contra alguém que era governador, contra alguém que continuou governador com todos os predicamentos do cargo, com todas as vantagens que o cargo e a função lhe oferecem e que ainda assim foi derrotado naquela oportunidade e que veio para uma nova eleição com um discurso do novo, com a crítica impiedosa, com o descambamento da crítica para o lado pessoal e que mais uma vez colheu nas urnas o sonoro não; mais uma vez foi rejeitado pela população de Santa Catarina.
Quero cumprimentar o governador Luiz Henrique da Silveira pela inegável capacidade de articulação demonstrada, pela forma atenciosa com que trata todos aqueles que com ele lidam cotidianamente na atividade política.
Penso que nós poderíamos usar aqui uma metáfora do futebol, deputado Herneus de Nadal. Uma eleição como essa não se exprime apenas no resultado final do segundo turno; ela é um todo acumulado que passa por uma gestão de governo, por um governo exitoso, por um novo paradigma de governar, pela capacidade de juntar várias pessoas, vários agentes e com pura e efetivamente um time com sinergia, com capacidade de resolução, com musculatura política, e foi isso efetivamente que fez o governador Luiz Henrique da Silveira.
Eu tenho certeza de que, por conhecê-lo, por conviver com ele cotidianamente, teremos um novo governo ainda melhor. Teremos um novo governo que vai aperfeiçoar aquilo que a contento não funcionou no primeiro momento. E teremos um homem público destemido que jamais, como nunca aconteceu, haverá de pecar pela omissão.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)