Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

5ª Sessão Ordinária - 01/03/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, senhores e senhoras que nos acompanham nesta tarde, eu quero voltar a falar de um tema de que já tratei na semana passada a título de denúncia. Refiro-me à ação da Polícia Militar em relação às mobilizações e às denuncias da chamada implantação da tarifa única em Florianópolis.

Quero aqui fazer uma breve recuperação do assunto, lembrando que os estudantes do Movimento Passe Livre, a comunidade, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano de Florianópolis - Sintraturb - e a Ufeco organizaram, dias atrás, uma panfletagem na frente do Ticen - Terminal de Integração do Centro de Florianópolis - e receberam a visita de cerca de sete policiais P2. Todos sabemos que o P2 é aquele que atua na Polícia, mas não de maneira fardada, identificada. Pois esses policiais roubaram as caixas com planfletos e rasgaram as faixas que estavam estampadas. E eu trouxe aqui toda a documentação fotográfica do episódio.

Fui surpreendido, no dia seguinte, pelo líder do PMDB nesta Casa, deputado Manoel Mota, que veio à tribuna e disse que as fotos que eu havia apresentado no plenário eram antigas, do ano passado, e que nada daquilo que eu havia falado era verdade. Eu, pessoalmente, fui ao encontro do deputado Manoel Mota e cobrei explicações, dizendo: "Deputado Manoel Mota, v.exa. foi à tribuna na quarta-feira passada dizer que eu tinha dito inverdades, que essas provas não eram reais, que eu havia forjado uma situação que não existia." E o deputado Manoel Mota me respondeu, dizendo: "Deputado Afrânio Boppré, pode deixar que na primeira oportunidade eu vou desmentir isso, porque reconheço que v.exa. está com a razão."

Bem, estou esperando o pronunciamento do deputado Manoel Mota, que me surpreende muito, porque se ele tem a capacidade de vir à tribuna, depois de todos os jornais estamparem a truculência, a agressão do PMDB, que culminou com a prisão de um repórter fotográfico, o Cláudio Silva, que foi, inclusive, demitido do jornal Diário Catarinense, dizer que o que eu tinha dito era mentira, e não corrige, eu sou obrigado a dizer que as coisas que o deputado anda falando na tribuna merecem dúvida por parte de todos os deputados e de todo mundo que ouve os seus pronunciamentos. Porque se ele é capaz de distorcer, de dizer que as provas que eu apresentei são mentirosas, que as fotos não são fidedignas, imaginem as outras coisas que ele anda falando em prol do governador Luiz Henrique, que o governador Luiz Henrique faz isso e aquilo! Deve ser certamente no mesmo tom da distorção, da interpretação maliciosa que o deputado Manoel Mota certamente já virou craque e costuma fazer.

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Depois de eu provocá-lo na tribuna, certamente o deputado pretende fazer uma autocrítica, penso eu. Ouço, então, o deputado Manoel Mota, para que ele possa se reportar e, inclusive, corrigir as inverdades que desferiu da tribuna da Assembléia Legislativa.

O Sr. Deputado Manoel Mota - Deputado Afrânio Boppré, acho que v.exa., como parlamentar desta Casa já com muita experiência, não precisava ofender tanto para ouvir um parlamentar, porque eu sempre tive a grandeza de saber medir aonde chego e como devo chegar.

Admito que aquilo que eu disse que era no ano passado tinha sido... Errei! E o bonito é quando um parlamentar sabe que errou e vem à tribuna dizer: "Eu errei! Era da semana passada e não do ano passado!"

Então, quero apenas dizer a v.exa. que estou reparando um erro que cometi. Agora, não posso admitir essas palavras levianas que v.exa. está colocando. Pode ter certeza de que eu sei reparar os erros, quando os cometo. Agora, não admito que v.exa. venha, com palavras levianas, tentar agredir este parlamentar. Tenha certeza de que nos iremos encontrar um pouco mais à frente.

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Deputado Manoel Mota, eu digo o seguinte: pelo contrário, v.exa. foi quem me agrediu. V.Exa. foi quem veio desfazer na tribuna as provas, as imagens e a fotografia, dizendo que aquilo que eu estava falando não era verdade. V.Exa. não veio à tribuna pedir desculpas. Só foi ao microfone de apartes porque foi provocado, senão estaria no seu silêncio. V.Exa. não teve a hombridade de vir à tribuna corrigir a sua falha!

É por essas e outras, deputado Manoel Mota, que digo: além de v.exa. não tomar a iniciativa para corrigir, que isso é o de menos, v.exa., na condição de líder do PMDB, deveria ter exigido do governador Luiz Henrique da Silveira, do comando da Polícia Militar, do seu colega de bancada, Ronaldo Benedet, secretário da Segurança Pública, que fossem tomadas providências com relação àquilo que o deputado Afrânio Boppré trouxe e àquilo que a imprensa apresentou.

Nós precisamos identificar os policiais P2 que agiram com truculência, sob o comando do PMDB, prendendo o jornalista e os estudantes, roubando as faixas e as caixas de folhetins.

Vejo que v.exa. está dando gargalhadas, quando deveria, pelo contrário, tomar a iniciativa. Vou deixar com v.exa. uma cópia do DVD com as fotos para que tome conhecimento e abra um inquérito administrativo para saber como está agindo a polícia política do PMDB, que está criminalizando os movimentos sociais.

Isso não é motivo de gargalhadas, deputado Manoel Mota! Isso é motivo de tristeza! E v.exa. veio à tribuna mentir! Tenha uma postura! V.Exa. é um mitômano! V.Exa. não agiu de acordo com o nosso código de postura e de ética dentro desta Casa. V.Exa. veio à tribuna para me desmentir!

O Sr. Deputado Manoel Mota (Intervindo) - Falta de ética é de v.exa., porque eu vim aqui me redimir. V.Exa. não tem ética! Eu já me arrependi de ter-me redimido!

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, eu não concedi um aparte ao deputado Manoel Mota!

Então, vou entregar a v.exa. uma cópia do DVD para que tome as medidas administrativas cabíveis, que faça com que sejam corrigidas as distorções que estão sendo praticadas com a Polícia Militar.

Por isso quero aqui registrar que v.exa. só foi ao microfone de aparte reconhecer o erro porque foi provocado. Não foi por livre arbítrio, não foi por livre iniciativa. V.Exa. ficou silencioso e só depois, quando eu me manifestei para reparar e comprovar que aquilo que eu havia falado era verdade, veio reconhecer o seu erro.

Portanto, quero deixar isto registrado e fazer aqui a crítica a essa postura truculenta da Polícia Militar, que está sob o comando... Porque a Polícia Militar, por sua livre iniciativa, não faria isso, a não ser sob uma orientação política do governo tucano-peemedebista!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)