89ª Sessão Ordinária - 23/11/2004
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhores que nos assistem.
O pronunciamento do Deputado Cézar Cim é oportuníssimo sob todos os aspectos.
O assalariado é uma vítima indefesa. Quem vive de holerite não sonega, e o Governo arrecada sem ter que contratar cobrador de imposto.
É preciso fazer alguma coisa. Concordo em gênero, número e grau com o desabafo feito pelo Deputado Cézar Cim.
Mas, Sr. Presidente e Srs. Deputados, tenho dois registros para fazer e um pronunciamento de regozijo sobre a minha terra, a nossa querida cidade de Lages.
O primeiro registro é falar sobre o desapercebido Dia da Bandeira, porque ela só é lembrada às vezes por força da necessidade de ser hasteada, quando dos eventos, das competições, dos campeonatos, nos quartéis, nas solenidades obrigatórias nos Parlamentos, nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas não temos o hábito do culto da nossa Bandeira Nacional, símbolo máximo da Pátria republicana, que passou mais uma vez desapercebido.
O outro registro é o da morte do Professor Celso Furtado, uma grande figura; dos trinta e tantos livros que escreveu, tive a oportunidade de ler três livros. Nacionalista por excelência, se bem que o nacionalismo está em queda livre, porque os que estão entregando a Pátria se adonaram, e a coisa continua, mas ele tinha esse sentimento.
E para que não passe desapercebida essa figura tão importante que foi para a vida do País nem vamos falar da Sudene, que foi extinta em função de uma série de desvio de conduta, que criou com a maior das intenções.
O motivo principal, Sr. Deputado Onofre Santo Agostini, é falar da nossa querida cidade de Lages, a quarta cidade mais antiga do Estado de Santa Catarina, que completou 238 anos.
Foi nos idos de 1766, mais especificamente em 22 de novembro de 1766, a chegada dos colonizadores, capitaneada por Antônio Correia Pinto de Macedo, que aportou às margens do Rio Canoas e não foi bem sucedido. Andou mais adiante e às margens do Rio Caveiras teve problema com as cheias. Então, alojou-se nas imediações da Catedral Diocesana de Lages. E ali iniciou a lendária cidade de Lages.
No dia 22 de maio de 1771 Lages foi levada à categoria de Vila e em 25 de maio de 1860 à categoria de cidade. Em 9 de setembro o território é anexado, desmembrado da Capitania de São Paulo.
Temos hoje uma população de aproximadamente 160.000 habitantes, com uma colonização portuguesa, italiana, espanhola e alguns alemães. Esta é a nossa composição de origem da nossa querida cidade de Lages.
Fica a 225 quilômetros de Florianópolis e é o maior território municipal dentre os 293 Municípios de Santa Catarina. São 2.645 Km2, e as suas principais atividades econômicas são o turismo, a agropecuária, a indústria extrativa da madeira e hoje a indústria papeleira de Distritos na época e hoje Municípios irmãos de Lages.
É um povo bom, hospitaleiro. No turismo destacamos alguns eventos, como a conhecida nacionalmente e até internacionalmente Festa Nacional do Pinhão, com uma temperatura agradável, e estamos a novecentos e poucos metros do nível do mar.
Lages já foi o berço de vários Governadores do Estado, foi a maior economia e continua ainda sendo o maior território. Mas eu não estarei incorrendo em excessos de falação ao dizer que é o Município de melhor perspectiva para o futuro. Tem território, tem um clima extraordinário, tem riquezas naturais em abundância, o que falta é melhorar a infra-estrutura. Precisamos da conclusão da BR-282. Todos os governantes que passaram nos deram o calote quanto à conclusão da BR-282. Precisamos da BR-282.
E em meio a esse registro que fazemos com euforia pelos 238 anos da nossa cidade, não podemos deixar de fazer uma crítica à burocracia do Governo Federal que sequer permite que o Governo do Estado aporte R$5 milhões para tocar o trecho da BR-282 até o Município de São José do Cerrito.
Uma burocracia peçonhenta que atrapalha este País, a mesma que assalta o bolso popular na sua senha maldita de arrecadar e arrecadar cada vez mais impostos, Deputado Cézar Cim. Precisamos restaurar por inteiro a BR-116, concluir o aeroporto regional e dar utilidade ao tronco principal sul, que é a rede ferroviária que corta o Município de Lages.
Portanto, com um pouco mais de parceria do Poder Central poderemos ajudar muito mais esse mesmo Poder Central, que nos nega a cada momento que recorremos a ele. Reporto-me ao Governo Federal, porque a infra-estrutura parte do Governo Federal, em que pesem os esforços dos Governadores, alguns se esforçaram mais, outros nem tanto, mas o atual Governador quer fazer as coisas e, nesse particular da nossa BR-282, está sendo impedido pela burocracia de Brasília, lamentavelmente.
Eu nasci em São Joaquim, mas cruzei o Rio Lava Tudo, sou lageano de coração. Ontem vários eventos aconteceram. Eu procurei na agenda de eventos e percebi que não lembraram dos pais da nossa heroína dos dois mundos, Anita Garibaldi. Os pais eram de Morrinhos, ali da Coxilha Rica. Surrupiaram do batistério o livro onde estava o registro de Anita. Para nós ela nasceu em Lages, outros dizem que ela nasceu em Laguna, mas não temos registro oficial. Anita Garibaldi é uma lenda.
Lages já foi Capital da República, criou-se uma república, o povo de Laguna jogou a toalha, e Lages resistiu por algum tempo. Tem toda uma história de muitas lutas, mas é um povo fraterno e solidário, hospitaleiro acima de tudo. Quem aporta em Lages se encanta com a cidade, quem vai para morar não quer sair da cidade de Lages, mas ela pede socorro ao Poder Central. É preciso investir em infra-estrutura, porque nós temos um potencial extraordinário que poderemos converter em ajuda ao próprio Poder Central.
Deputado Onofre Santo Agostini, V.Exa. conhece bem a cidade de Lages, e eu faço o registro dos 238 anos daquela cidade. É a quarta cidade mais antiga, o quarto Município mais antigo do Estado de Santa Catarina. Nas últimas três décadas saíram de Lages os Municípios de Otacílio Costa, Corrêa Pinto, Palmeiras, Bocaina do Sul, Capão Alto e Painel. E ela ainda continua sendo o maior território.
Portanto, parabéns lageanos, que ajudam os catarinenses a desenvolver este Estado e que compõem um povo hospitaleiro e ordeiro.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)