3ª Sessão Solene - 28/03/2005
O SR. DEPUTADO JOSÉ SERAFIM - Sr. Presidente, Deputado Julio Garcia, gostaria de fazer uma referência especial a V.Exa., até porque esta sessão solene de homenagem legislativa fora da Assembléia quebrou, pelos meus conhecimentos, alguns protocolos, e isso mostra a importância que foi dada tanto pelo Presidente da Assembléia quanto pelos Deputados que assinaram o requerimento e fizeram esta sessão na Opep, no bairro de Santa Bárbara, onde vivia e morava o Jota.
Então, eu gostaria de fazer um agradecimento especial ao Presidente, em função do valor que se deu para este ato que realmente abriu e quebrou um protocolo na Assembléia Legislativa.
Gostaria de cumprimentar o nosso Deputado Altair Guidi; o nosso Prefeito eleito nas urnas, Décio Góes; o nosso Prefeito em exercício, Sérgio Hercílio Pacheco; o nosso Deputado Valmir Comin; enfim, todos os companheiros e autoridades que fazem parte da mesa, em especial os filhos de João. Gostaria de dizer que para nós é um prazer especial estar aqui, neste bairro, onde eu nasci, onde eu vivi, onde minha mãe viveu e onde o Jota também viveu e sempre teve muito carinho.
Tinham me apresentado um discurso escrito, mas eu tinha dito que não iria lê-lo. Mas aí, quando cheguei aqui, vi que havia muito panfleto com toda a história de João e o meu discurso já estava na mão de todo mundo. Então, eu vou ter que lê-lo.
(Passa a ler)
"Antes de começar, eu preciso dizer que esta homenagem estava sendo preparada para o João Sônego. Ou seja, era para ele estar aqui. Era para nós nos abraçarmos e ouvirmos sua voz, a voz que tanto marcou nossas vidas. Não deu. Contrariando nossa vontade, João nos deixou antes, muito antes do previsto. Mesmo lamentando sua ausência, mantivemos a homenagem por ser esta a forma que encontramos para expressar toda a admiração que guardamos por este homem.
Nos últimos dias, nós tivemos que nos acostumar com a ausência do João Sônego. Não importa a dor que cada um de nós está sentindo agora. O fato é que ele se foi. João não está mais nas rádios. João não está mais nas ruas de Criciúma. João não está mais nas rodas de bate-papo dos bares. João Sônego não está mais nos debates acalorados sobre política. João Sônego não está mais entre seus filhos e netos.
Ou está? Prefiro pensar que sim. Quem seria capaz de afirmar que o João não está presente em cada um dos seus filhos? Em cada um de seus netos? Como dizer que o João Sônego não está presente na forma como hoje atuam os profissionais de imprensa de Criciúma e da região? E, principalmente, como negar que o João está aqui, neste momento que o País vive, porque também ele contribuiu, à sua forma, para que atingíssemos o estado democrático que temos hoje no Brasil?
Então, esta sessão solene de homenagem ao grande radialista João Sônego, longe de ser triste, é, sim, de intensa alegria, como de alegria foram os momentos que compartilhamos com ele.
Aprendi muito com o Sônego. Ouvia as suas palavras e seus ensinamentos, consciente de que ali estava uma pessoa iluminada, diferente na sua forma de ser. Humilde, o João não humilhava. Ensinava. Não impunha. Sugeria. E em cada atitude admitia estar sempre aprendendo. E até o último momento ele foi mestre. Quando fui visitá-lo no hospital, ainda em Florianópolis, ele já sabia que não tinha mais muito tempo de vida. Estava triste. Não por ele mesmo. Não pelas dores que ainda poderia vir a sentir, causadas pela terrível doença. Estava triste pelos que ficariam. ‘Sinto pelas saudades que vão sentir de mim’, ele disse. Pensava em sua esposa, em seus filhos, em seus netos e amigos. Isso resume bem como era o João Sônego. Um homem que se preocupava primeiro com os outros. Assim ele construiu sua carreira.
Dedicando tempo aos que, como ele, queriam expressar - e defender - suas idéias no rádio. Foi dessa dedicação que surgiram profissionais competentes e determinados, seus sucessores, entre eles o Adelor Lessa, quase que um filho do João e que, junto comigo, fez de tudo para que esta homenagem acontecesse.
Muito foi dito e escrito sobre o João Sônego nos dias que seguiram sua morte. E muito ainda resta por dizer. Porque na minha concepção de trabalhador mineiro e de cidadão, o João Sônego era incomparável. Um criciumense que nos enche de orgulho.
Peço licença à família para encerrar esta minha fala com os dizeres que ele recomendou aos filhos que fossem colocados em sua lápide: J. Sônego. Radialista. Ativista. Socialista. Eu fiz tudo o que pude. Agora, façam vocês.
Tendo em mente as suas lições, nós vamos tentar fazer a nossa parte, João."
Muito obrigado!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)