13ª Sessão Ordinária - 17/03/2005
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. Presidente, ilustres Deputados, Deputado Dionei Walter da Silva, vamos esquentar um pouquinho a sessão de hoje porque elas andam muito calmas. Não vou fazer nenhum tipo de acusação, apenas solicito ao Sr. Presidente que conste nos Anais um artigo publicado no jornal A Notícia, de autoria do ex-padre e grande teólogo Leonardo Boff, que por sinal é catarinense, figura eminentemente conhecida em todo o Estado de Santa Catarina e no Brasil por suas teses que conflitam com as determinações da Igreja Católica.
(Passa a ler)
"PT: unção ou extrema-unção?
A Igreja Católica trata os doentes com o sacramento da unção dos enfermos para doenças leves e com a extrema-unção para as doenças mortais.
Notoriamente o PT está doente. É uma doença para unção dos enfermos ou para extrema-unção? Estimo que a doença está a pedir a extrema-unção. A não ser que resolva trocar de médico e tomar os remédios adequados. Curiosamente quem está em sua cabeceira é um médico, o Ministro da Fazenda, que lhe está administrando medicinas equivocadas que provavelmente o levarão à morte.
O que está matando o PT e daí a extrema-unção? É a forma como trata a chaga mortal que afeta a grande maioria do povo brasileiro já há séculos: o flagelo da miséria e da exclusão. É pelo menos 1/3 da população que vive condições desumanas ao lado de um grupo razoável de remediados e uma pequena porcentagem de muito ricos que acumulam em níveis dos maiores do mundo. O PT se propôs, já há 25 anos, conquistar o poder para fazer a mudança necessária. Seu candidato era o mais representativo: filho do caos social e sobrevivente da fome, carismático, cordial, ‘gente boa’ como tantos do meio popular. E chegou lá. Uma vitória do próprio povo que esperou tanto e lutou ainda mais.
E, então, fez as mudanças prometidas? Qual o quê! Conseguiu uma proeza: transformar o PT no único partido neoliberal dos trabalhadores do mundo. Não só assumiu a macroeconomia neoliberal senão que a radicalizou com uma preocupante taxa de iniqüidade social e ambiental. Agora se mata e se desmata afoitamente contanto que traga dólares. Não para pagar a dívida social, mas a dívida monetária. O Governo mais que cuidar do povo, gerencia as moedas, pois neste tipo de macroeconomia o que conta mesmo não são pessoas, mas os números da moeda.
Admitamos: fez-se muita coisa boa. Há neste Governo ética e transparência mais do que em qualquer outro anterior. Nunca se viram tantas gangues de corruptos sendo desmanteladas. Os 26 milhões beneficiados pelo Bolsa-Família passaram do inferno para o purgatório e se sentem como se estivessem no céu. Mas não são poucos que também dizem com certa vergonha: gostaria de receber um trabalho e não uma esmola. Na verdade, a assistência social significa apenas 5,5% do total dos gastos sociais, enquanto a maior fatia do PIB vai para os bancos, cujas burras estão estourando de dinheiro. O erro dessa política social reside nisso: é só distributiva e nada redistributiva, quer dizer, não tira dos ricos e repassa aos pobres. Eles podem continuar acumulando sem ter de mudar nada em sua voracidade. E aplaudem felizes.
A mudança que esperávamos e merecíamos era um Plano Marshall para o povo. Sim, só se enfrentaria a devastação que a miséria produz no povo em séculos de descaso mediante um corajoso Plano Marshall econômico, social e cultural. O Governo preferiu ser superortodoxo, escutar com devota atenção as lições dos faraós do FMI e do Banco Mundial a ter compaixão pelo clamor dos oprimidos de nosso Egito.
O PT está deixando de ser o instrumento da mudança. Ele prolonga os dominadores de antes de forma pior, porque usa os símbolos e a linguagem dos Moisés libertadores. Ele tem ainda tempo de mudar. Senão vamos chamar o padre com o óleo santo da extrema-unção."
É o Padre Leonardo Boff, Deputado Dionei Walter da Silva, que fez este artigo. Ele não é oposição ao Governo. Não é o PSDB, não é o PFL, não é o PP, não é o PTB, não são Partidos de Oposição que fizeram este artigo. Aliás, como já disse, solicito que se registre nos Anais desta Casa este artigo. Mas este artigo foi escrito por um simpatizante do Governo Lula. Leonardo Boff, o grande teólogo, que discutiu, brigou com a Igreja Católica e até desistiu da batina porque discordava de certos rumos que a Igreja Católica tomou. É Leonardo Boff que fez este comentário, Deputado Dionei Walter da Silva. Não fui eu.
E agora, neste período de Quaresma, pois já estamos chegando próximo à Páscoa, este artigo, Deputado Nelson Goetten, cai perfeitamente. Então, essa é a opinião de Leonardo Boff, não é a minha. Quero confessar aqui que não é a minha opinião.
Eu entendo que o PT ainda não está necessariamente precisando da extrema-unção. O PT tem demonstrado figuras importantes para o cenário da história do Brasil. E quero fazer justiça ao Presidente Lula, que veio, agora, a Santa Catarina para tentar trazer ajuda aos nossos irmãos flagelados do Oeste, do Meio-Oeste, que estão sofrendo com a seca; dentro das suas possibilidades, ele está tentando trazer benefícios a eles.
Eu já disse várias vezes, e os ilustres Deputados e Deputadas são testemunhas, que eu votei no Lula, torço por ele e desejo que faça um bom Governo. Apenas este é um artigo que serve para reflexão, é um artigo escrito por um homem independente. Ele até tem tendências de esquerda, Deputada Ana Paula Lima, é simpatizante do PT, por isso tem autoridade para fazer este artigo.
Mas eu apenas fiz este comentário para deixar registrado o artigo do Padre Leonardo Boff.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)