58ª Sessão Ordinária - 09/08/2007
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Sr. presidente e srs. parlamentares, gostaria de dialogar um pouco com o deputado Elizeu Mattos, que se referiu, com a colaboração do deputado José Natal que, por ser do PSDB, tem legitimidade para fazer a crítica, no papel de Oposição, como fizemos aqui nesta Casa o papel de Oposição ao governo do estado...
Agora, trouxemos algumas notícias e, no caso dos cubanos, a relação da diplomacia, a relação com outros países é mais complexa do que uma simples crítica.
E quando uma pessoa sai do seu país, como, no caso, os cubanos, que vieram para uma competição esportiva e abandonaram-na, com investimento e dinheiro público... Certo, fazem essa opção individual. Nesse processo não pediram asilo político. Portanto, não formalizaram junto ao governo brasileiro asilo político. E poderiam ter esse direito, mas não formalizaram, não oficializaram. Então, não configuraram que eram perseguidos políticos pelo governo cubano. Esta é a primeira verdade que tem que ser dita aqui.
A segunda é que não pediram para ficar no Brasil, não solicitaram formalmente e, conseqüentemente, quando foram encontrados e presos, houve uma decisão política em relação ao seu destino. Em primeiro lugar, eles poderiam retornar a Cuba e serem presos, sim.
Se eu, como prefeito de Chapecó, participo de uma competição e minha equipe vai para outro estado, os atletas abandonam e foi investido dinheiro público, pode haver punição, sim; é normal. Porém, na diplomacia, houve diálogo para que eles não precisassem sofrer qualquer tipo de retaliação do governo cubano.
Então, o que mais me espanta e preocupa-me nesse tipo de crítica é a sede de violência, a sede de repressão, a sede de conflito, a sede da guerra.
Eu acho que essa é a cultura do Bush. Quando Evo Morales decidiu nacionalizar as refinarias de petróleo, eu ouvi muitos dizerem que deveria fazer guerra contra o povo boliviano. Bush faria. Bush invadiu o Iraque, está destruindo aquele povo e agora não sabe o que fazer. A cada dia morrem em torno de 40, 50 pessoas e não sabe o que fazer.
O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Pois não!
O Sr. Deputado Manoel Mota - Eminente deputado Pedro Uczai, eu estava atento, ouvindo v.exa. falar sobre a questão dos atletas cubanos. Acho que Cuba investe muito no atletismo, nas pessoas, e notamos, evidentemente, que foi a segunda colocada e está preparada para disputar no mundo inteiro.
Agora, o que acontece é o seguinte: o governo cubano deve ter recebido a informação de tirar os atletas antes de terminar os jogos, porque o pessoal não queria mais ir embora. Portanto, o Brasil deve ser muito bom e lá não deve ser, senão não haveria aquela ameaça. V.Exa. viu que os atletas cubanos foram chamados em algumas modalidades e Cuba não estava mais. E não estava porque já havia se retirado.
Assim, a verdade é que havia algumas informações de que o governo cubano mandou que antecipadamente fossem retirados todos os atletas. A verdade é que quem quis ficar, queria ficar no Brasil para jogar aqui e ter a vida que nós temos. Aqui é um paraíso!
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Deputado Manoel Mota, depende do lugar social que se olhe. V.Exa., deputado Manoel Mota, tem a vida garantida, mas há 100 milhões de brasileiros que ainda não têm. Há milhões de brasileiros que ainda não têm nem casa, nem terra, nem saúde decente, nem universidade. A meta do governo federal é que haja, em 2022, 50% de estudantes universitários neste país. Em 2022! Porque a dívida social com esse povo brasileiro é de 500 anos! Vai ter que investir muito e muito, pelos estragos e o desastre que se fez com o povo.
Com certeza a elite brasileira está melhor do que o povo cubano! Mas se distribuir melhor a renda, permite-se que todos tenham alguma coisa.
Neste país, com uma das maiores concentrações de renda do mundo, mistura-se riqueza com pobreza, mistura-se a vida concentrada com a morte generalizada. E por isso há muita dívida para consertar.
Quando vemos saúde, educação e esporte num país que é um arquipélago de ilhas, com aquelas condições de boicote econômico há mais de 30 anos, do império dos Estados Unidos, do império capitalista... E estão sobrevivendo a duras penas, sim. Eles chegaram em segundo lugar nos jogos Pan-Americanos e deveriam ser elogiados; deveríamos fazer um elogio ao povo cubano, um elogio à fibra, ao empenho e ao apoio do governo cubano.
Eles têm problemas? Sim! Deputado Manoel Mota, se tivessem oportunidade, muitos brasileiros iriam embora, como milhões têm ido embora do Brasil ao longo das décadas. Eles estão espalhados no mundo inteiro para tentar fazer uma vida melhor.
Portanto, o fato de alguns quererem sair é normal. Se lembrarmos do assédio capitalista que ilude muita gente, através da Rádio e da TV Marti lá em Cuba, quem sabe poderemos pensar um pouco diferente.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Pois não!
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Deputado Pedro Uczai, muito obrigado pela sua generosidade.
Quero dizer exatamente isso: que não dá para comparar Cuba com Miami, com os Estados Unidos nem com o Brasil. Cuba é, historicamente, um país subdesenvolvido, e nós deveríamos comparar com o Haiti. Por que não se faz a comparação com o Haiti, inclusive no nível de medalha, de vida, de educação e de saúde? Aliás, educação e saúde, em todos os níveis, absolutamente gratuitas. Todos os medicamentos, em Cuba, são gratuitos, ninguém morre na fila, ninguém morre por falta de medicamentos. Ninguém morre esperando a radioterapia começar. Cuba tem isso, apesar de ser, historicamente, um país pobre e que não pode ser comparado, economicamente, com o Brasil e, muito menos, com os Estados Unidos. Ele tem que ser comparado com o Haiti, porque as condições históricas são as mesmas do Haiti e não do Brasil e, muito menos, de Miami e dos Estados Unidos.
Muito obrigado, deputado Pedro Uczai.
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Obrigado, deputado Sargento Amauri Soares.
Quero fazer uma observação em relação a esse posicionamento do deputado Elizeu Mattos, a esse questionamento e a essa crítica tão fortes ao governo do presidente Lula. Nós, do Partido dos Trabalhadores, temos uma posição clara: somos Oposição ao governo do estado.
O deputado José Natal é do PSDB. O deputado Marcos Vieira pegou o artigo de um neofacista, reacionário, de direita, que não tem responsabilidade nenhuma com o Brasil, nas críticas que tem feito, e não consegue admitir que este é o país que mais está gerando empregos nos últimos 20 anos. Se ele não consegue admitir que, enquanto o governo dele gerava oito mil empregos, nós geramos 180 mil no mês, não tem problema o PSDB e o PFL criticarem o governo do presidente Lula.
Agora, o PMDB precisa fazer uma moção para deixar o governo do presidente Lula, para que o governador não precise visitar o senador Nelson Jobim e outros ministros, como a Dilma Roussef, para fazer relações políticas com o governo onde há um governo de coalizão e o PMDB faz parte. Portanto, neste governo de coalizão do governo federal, o PMDB faz parte. Então, tem que contribuir com esse governo para fazê-lo cada vez melhor.
E é nessa direção que sou solidário com o deputado Manoel Mota: se houver uma moção aqui, eu voto a favor de que não haja pedágio em Santa Catarina, voto contra a privatização das estradas aqui em Santa Catarina, voto a favor de uma estrutura pública, voto contra iniciativas público-privadas para essas horas. Sou a favor de o estado intervir na economia e induzir o desenvolvimento, como estão sendo construídas várias obras neste país.
Sou favorável a essa direção, e é nela que queremos construir o Brasil mesmo que o PSDB e o PFL aqui não queiram, mesmo que queiram construir um movimento. Cansei dessa elite podre que destruiu este país. E agora os almofadinhas de São Paulo não sabem o que fazer, e criticam utilizando uma tragédia aérea. Todos que viajam de avião sabem que no governo do PSDB não houve quase nenhum investimento e que agora todos os aeroportos grandes do país estão recebendo investimentos para resolver o caos aéreo.
E com relação às agências criadas, o ex-governador de São Paulo diz que as agências foram criadas para apoiar as empresas privadas. E na área aérea as empresas privadas...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)