2ª Sessão Ordinária - 08/02/2007
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - O meu bom-dia aos companheiros que compõem a Mesa Diretora, à sra. presidente, deputada Ana Paula Lima, aos demais colegas de Parlamento, aos deputados presentes.
Assim como o colega Kennedy Nunes, também estréio nesta Casa com a perspectiva e a perseverança de atuar integradamente com o meu partido, o Partido dos Trabalhadores, após ter tido a experiência de ter sido prefeito da cidade de Rio do Sul.
A minha profissão de médico me permite dizer que não dá para aceitar que escolas sejam fechadas por intervenção da vigilância sanitária.
Como prefeito da cidade de Rio do Sul e profissional da área da Saúde, vim para este Parlamento não para fazer disputas locais, mas, a exemplo do que fizemos, com a unanimidade do voto na Presidência da Casa, para divergir nas pautas das questões políticas que representam o nosso mandato e na linha de comportamento de oposição que terá o PT nesta Casa.
Mas estaremos intervindo naquelas questões que se fazem necessárias para o estado catarinense. Logicamente que sabemos que aqui há uma série de interesses do ponto de vista político e da conduta de cada parlamentar.
Mas, srs. deputados, nós não podemos esquecer que o país vive um novo momento. Ontem mesmo estive na cidade de São Paulo participando de algumas discussões da bancada do Partido dos Trabalhadores de São Paulo, deputada Ana Paula Lima, os quais mandaram um abraço e desejaram boa sorte a todos os companheiros de Santa Catarina, na área da Saúde e na área da Educação. E lá também se questiona a conduta tomada em relação ao esfacelamento das universidades no estado de São Paulo com o recuo de investimentos na área da Educação.
Porém, como profissional de saúde, ontem já foi ressaltada nesta Casa, pelo líder do PP, deputado Joares Ponticelli, a questão dos acidentes com mortes na BR-101. Hoje, estamos vendo estampado no Diário Catarinense que 50 mil pessoas se deslocam por mês para tratar da saúde na cidade de Florianópolis, e uma das idéias precípuas vendidas durante as campanhas era de acabar com a "ambulancioterapia".
Estaremos atuando na comissão de Saúde, por mais que o prefeito de Rio do Sul não queira, como está hoje aqui estampado no jornal, deputado Pedro Baldissera, após uma articulação e após ter sido dada a palavra, por alguns líderes de bancada nesta Casa, ao nosso partido, a qual não foi cumprida.
Mas tenho absoluta convicção de que a palavra por mim dada será cumprida e que estarei lutando para acabar com a "ambulancioterapia" do Alto Vale, por um centro de quimioterapia, porque como médico sei o que isso representa. E estaremos atuando em outras áreas e também na comissão de Saúde, assim como em outras comissões.
Diante dessas colocações e sabendo que o país vive um novo momento, ontem tivemos a grata satisfação de ver o Risco Brasil em 180 pontos. Quem diria isso há quatro anos? Era um dado inimaginável para este país.
Quando se fala em fechamento de escolas, nós vemos o nosso governo Lula abrir 17 universidades neste país. E quando digo que me preocupo com as questões de saúde, nós temos que nos preocupar como um todo. E aí, deputada Ana Paula Lima, diante do novo momento do país, não podemos ficar nos estressando, temos que somar esforços.
Eu me preocupo, inclusive, com a saúde do prefeito da cidade de São Paulo. Porque, ontem, quando estive lá, o que mais se comentava nos táxis que peguei era a forma estapafúrdia e chula que esse prefeito, a liderança do maior município deste país, adotou diante de um cidadão que levou o seu filho para procurar uma consulta odontológica no posto de saúde.
Tentou-se implantar novamente neste país o tratamento de eletrochoque, deputado Antônio Aguiar, nas unidades de saúde de São Paulo, tratamento este que já foi banido neste país há mais de 30 anos!
Sra. presidente, como eu também me preocupo com a saúde do prefeito de São Paulo, vou entregar depois ao nosso líder do PFL, deputado Gelson Merísio, uma receitinha de calmante para mandar para ele. Assim ele irá saber que, como homem público, tem que estar preparado para ouvir e receber todas as críticas da população, por mais incorretas que elas sejam. Porque, em determinados momentos, o cidadão comum não compreende a postura que adota um prefeito diante de determinadas políticas públicas, deputado Genésio Goulart.
Então, vou entregar esta receitinha com 13 caixas, porque assim poderá ser feito um tratamento em longo prazo.
Diante deste fato, como somos 13 nesta Casa, eu quero fazer a leitura de uma carta que me encaminhou um eleitor e amigo da cidade de Rio do Sul chamado Vanderlei, porque não estou aqui para brigar nem para fazer lutas paroquiais, estou aqui para lutar, com todos vocês, pela unidade do povo catarinense, pelas políticas públicas que forem pertinentes à nossa sociedade.
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não !
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - São duas questões que quero tratar, deputado. Primeiro, quero parabenizá-lo pela sua formatura, naturalmente por estar presente agora conosco nesses próximos anos e também pela eloqüência com que se conduz na tribuna. Não o conheço, é a primeira vez que o estou ouvindo, inclusive na tribuna, e quero parabenizar todos os nossos pares, os quais se sentirão enriquecidos com a sua presença.
Mas com relação à questão da educação que v.exa. se referiu e que há pouco o deputado Kennedy Nunes também comentou, quero dizer ao nobre deputado que quem escuta dá a impressão de que este governo que aí está não está nem aí, que simplesmente não quer nada com a educação. Esta é a impressão que se tem quando se fala em educação.
Mas se olharmos a coisa com mais retidão, com mais seriedade, vamos ver que este governo está investindo na educação, não os 25% que tem obrigação de fazer, mas 32% do Orçamento estão sendo investidos na educação. E não são uma, duas, três ou dez escolas que estão sendo reformadas, são dezenas de escolas, em Santa Catarina, que estão sendo reformadas por conta de um dinheiro que está sendo lançado na educação muito acima daquilo que é obrigação do estado fazer, cerca de 7% acima do que tem obrigação de fazer. O Orçamento prevê 25% e o estado está gastando 32%.
Na questão da famosa "ambulancioterapia", assunto que v.exa. já se referiu, é uma cultura que está arraigada no povo catarinense, e não só no catarinense, no paranaense também, porque eu sou e vim de lá e também era a mesma coisa. Mas o governo, através da descentralização, está tentando acabar com este problema. Esse processo de descentralização do governo certamente vai acabar redundando na diminuição substancial também dessas famosas caravanas de ambulâncias para Florianópolis. Tudo é uma questão de tempo, o processo está acontecendo, a sensatez existe, a boa vontade existe e com certeza absoluta v.exa. vai ver isso de corpo presente acontecendo em Santa Catarina, uma melhoria também nesta questão.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Obrigado, deputado Nilson Gonçalves.
Logicamente que, em nenhum momento, afirmamos que houve redução de investimentos na área da Educação. A observação que faço é expressa pelo Enem, que não é uma entidade política com resultado natural em cima de notas, é um processo de avaliação qualificativa e que também faria crítica em qualquer outra circunstância, principalmente pela questão de a vigilância sanitária fechar escolas.
Mas, retornando, quero fazer a leitura desta breve carta que recebi de um companheiro.
A SRA. PRESIDENTE (Deputada Ana Paula Lima) - V.Exa. dispõe de 30 segundos para concluir.
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - (Passa a ler)
"Para Refletir
Nem tudo isto eu sou, mas é muito do que penso:
Que mundo é este?
Que sociedade é esta?
Quem inventou esses padrões?
Por que alguém determina como você deve ser?
Liberte-se de tudo isto!
Permita ser você mesmo.
Seja feliz, seja a extensão da sua verdade.
Desvende, descubra, revolucione, tente, invente, erre, acerte, conserte.
Respire fundo, sinta o ar encher seus pulmões.
Veja a beleza no que é comum.
Do céu enxergue muito mais que as nuvens e o sol, procure o infinito.
Exercite sua inteligência, abominando todo e..." [sic]
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)