Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

39ª Sessão Ordinária - 16/05/2007

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada, telespectadores da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, companheiros que nos acompanham hoje.

Queria retomar um pronunciamento do deputado Elizeu Mattos, na semana passada, que colocou uma música serrana cujo tema era o pisador de geada fria. Como já lhe disse, também me identifico com essa tradição porque venho dos chapadões da Imbuia, onde no inverno derrubam-se as cercas para o gado ir aos campos. Portanto, fui criado num mundo velho sem porteira ou aramado. Herdei um campo, infelizmente, onde o patrão é rei que tem poderes sobre o pão e as águas e onde esquecido vive o peão sem lei, de pés descalços, cabresteando o mar.

Depois, jovem, por vocação ingressei na Polícia Militar e tenho bivaqueado por 21 anos pela Segurança Pública de Santa Catarina. Bivaquear é o ato de sair ao relento e dormir em local coberto e sem parede. E nesta noite, na última noite, eu me bivaqueei encostado nas estruturas do Centro Administrativo, nosso palácio do governo, junto com uma plêiade de companheiros de todos os momentos e de todas as horas. E por que fizemos isso? Porque o governo nos empurrou para uma situação de incontornável irracionalidade do debate entre a demanda justa de uma categoria imensa da base da Segurança Pública do estado de Santa Catarina, praças da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, policiais civis, agentes prisionais e monitores do sistema do menor infrator.

Estamos há quatro anos discutindo isso. Foi aprovada aqui, em 2003, na legislatura anterior, uma lei que nos dá direitos salariais, direitos que foram cumpridos parcialmente até agora e não está muito difícil de terminar de cumprir. Essas demandas foram colocadas na mesa do governo nesses últimos três ou quatro anos, inúmeras vezes; de um ano para cá, quatro vezes, inclusive no segundo turno da eleição de 2006, de forma escrita e protocolada, na mão do agora governador.

Há 43 dias marcamos uma assembléia para mobilização dos praças. No dia 1º de fevereiro, dia da nossa posse, o governador se comprometeu que em 15 dias nos receberia, receberia as entidades, Aprasc, Sintrasc, para discutir a questão salarial. Em 15 dias! E já temos mais de 90 e tantos dias. Marcamos uma assembléia e mobilização e estavam ontem, lá, cerca de dois mil servidores da Segurança Pública na Associação Catarinense de Medicina e tivemos que fazer a assembléia no pátio porque não coube no auditório. Fomos caminhando tranqüilamente até o Centro Administrativo, chegamos lá antes do meio-dia. Antes das 13h fomos para primeira mesa de negociação, conversamos com o comitê gestor do governo até por volta das 14h; alguns teriam que viajar, mas outros ficariam e chamar-nos-iam. O comitê continuaria reunido para nos chamar naquela mesma tarde. Por volta das 17h chamaram-nos novamente para a segunda mesa de negociação e depois de muito boa vontade e de discurso, disseram-nos que precisavam de dez dias só para somar o que tem ou o que não tem. Só para dizer se tem, para quando e o quê.

E a nossa pauta é simples: incorporar o abono de R$ 290,00 que ganhamos na luta, não foi de graça! Custa entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões terminar de pagar tudo para a base, que representa mais de 90% do efetivo; não chega a R$ 12 milhões.

Mas agora não sei o cálculo que fez o secretário, que foi à televisão dizer que a nossa demanda custa de R$ 28 milhões a R$ 30 milhões, se para nós são R$ 12 milhões; mais de 90% fica em R$ 12 milhões! Alguém vai levar dinheiro de caminhão embora, de novo, então, na Segurança Pública.

E mais, quando terminou a segunda mesa de negociação - inclusive não abriram o hall do palácio para os servidores se abrigarem da chuva, apesar de eu ter solicitado em mesa de negociação, e os servidores manifestantes já estavam no meio da SC-401 há meia hora - o governo nos deixou, a mim e à liderança dos policiais e bombeiros, com a tarefa de desobstruir a via e disse que em dez dias talvez nos dê algum número.

Queria dizer que eu não devo nada a esse governo! Nós não devemos nada!

(Manifestações das galerias)

Eu não negociei nada, nenhum cargo, porque eu quero que a nossa demanda, que está daquele vidro para fora, que é a Segurança Pública, é o povo de Santa Catarina, seja atendida!

Na primeira vez que precisei ser respeitado, não fui! Faltou respeito não só comigo, mas para com todo mundo. Eu me sinto traído e preciso ser convencido de que não é isso que está acontecendo! Vamos continuar nossa luta porque tive a tarefa de desobstruir a rodovia, que foi árdua. Por isso sobrou apenas uma palavra de ordem possível, e eles sabem, que é paralisação.

(Manifestações das galerias)

É assim que está! Não arrendaremos pé das nossas posições.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)