Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

88ª Sessão Ordinária - 14/10/2010

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, essa discussão que o deputado Jailson Lima abriu aqui sobre a paternidade do desenvolvimento do país é uma discussão que certamente...

Deputado Jailson Lima, tenho por v.exa. o mais profundo respeito e admiração, pois, inclusive, é um grande amigo e um dos homens públicos mais corretos que temos em Santa Catarina, mas eu me permito discordar de v.exa. quando diz que o seu governo fica irritado por ser comparado ou ligado ao sucesso, na área econômica, aos governos anteriores; fica profundamente irritado!

A verdade é uma só e absoluta! Se não fosse Itamar Franco ter lançado o Plano Real quando tinha como ministro Fernando Henrique Cardoso e se não tivesse o governo de Fernando Henrique Cardoso dado sequência a esse plano de estabilidade econômica, entregando para o Lula este país praticamente organizado, perto do que já estávamos vivendo aqui, com certeza absoluta hoje nem o meu querido amigo deputado Jailson Lima nem ninguém que está neste governo estaria falando as coisas que fala.

Isso é muito triste. Ignorar uma verdade, ignorar uma realidade que está aos olhos de todos nós é uma coisa realmente muito triste. É lógico que nós respeitamos, porque cada um tem a sua opinião e, como disse o deputado Jailson Lima, cada um de nós tem o seu ponto de vista. Esta Casa é um Parlamento justamente onde se deve parlare, que vem da palavra falar, e é isso que nós exercitamos aqui.

Mudando de assunto, srs. deputados, eu quero que fique registrado nesta Casa esse meu sentimento em relação a um companheiro nosso, que é o deputado Antônio Aguiar. Ele está vivendo um momento na sua vida que eu diria traumatizante e não vem de agora. Ele vem vivendo uma sequência de catástrofes na sua vida e isso nos deixa sensibilizado porque me coloco no seu lugar.

Não faz muito tempo que ele perdeu o seu filho num acidente de automóvel. Era um menino que estava no viço da juventude, que acabou morrendo acidentado, sendo difícil para ele se equilibrar novamente.

Nós tivemos a oportunidade de conversar com o deputado Antônio Aguiar várias vezes e foi difícil ele se colocar de pé novamente, encarar a realidade da vida com a perda do seu menino, um garoto em plena juventude. E não faz muito tempo que ele sofreu um acidente, na época de campanha, e por pouco não perde a vida. Ele, inclusive, esteve aqui conosco em uma cadeira de rodas, com muletas. Foi um acidente em que uma ou duas pessoas do outro veículo morreram e ele se salvou porque estava num carro maior, numa caminhonete.

E agora, novamente, o deputado Antônio Aguiar está vivendo mais um drama na sua vida, com a perda de seu pai. Em que pese o seu pai ter 94 anos, mas perder pai e mãe com 30, 40, 50, 100 ou 120 anos não faz diferença alguma, é a perda do ente querido mais próximo da gente. E o deputado Antônio Aguiar acaba de perder o seu pai, o sr. Mário Aguiar.

Assim sendo, nós queremos aqui transmitir ao deputado os nossos sentimentos e pedir inclusive à Casa para que encaminhe aos seus familiares, em nome dos 40 parlamentares, também os nossos sentimentos.

Sr. presidente, quero aproveitar esses minutos que me restam, em nome do PSDB, para fazer um pequeno comentário político. Eu tive a oportunidade, ontem, de conversar pela primeira vez com o governador eleito Raimundo Colombo.

Até então, eu tive várias oportunidades de conversar com ele como presidente da Casan. Aliás, o primeiro contato que tive com ele foi como presidente da Casan. Eu era vereador em Joinville e ele, como presidente da Casan, foi visitar o município. E eu, bem mais jovem do que sou hoje, bastante voluntarioso - lembro-me do deputado Kennedy Nunes -, não deixava para depois o que tinha para falar.

Nós estávamos vivendo momentos difíceis em Joinville com o problema da água, era um problema muito sério. Essa época era mais ou menos nos idos de 1994. E lá chegou o presidente da Casan. E só não colocaram tapete vermelho para ele entrar na Câmara Municipal. Todos foram recebê-lo e aquela coisa e tal. Eu, recém-chegado na Câmara, estava no meu segundo ano de mandato, desci o cacete no homem. Falei o que tinha que falar e arranjei para a cabeça, como diz o ditado, porque até meus próprios companheiros vieram para cima de mim dizer que eu tinha sido mal educado e o tinha desrespeitado. E eu disse que falta de respeito era eles trazerem o presidente da Casan com esse povo sem água e ficarem jogando tapete vermelho para ele, ao invés de cobrar dele as soluções que precisávamos para o município.

Então, o nosso primeiro contato não foi nem um pouco agradável. Ele sempre foi muito educado e ficou um pouco desconcertado com a situação, ficando aquela marca. Depois, tivemos a oportunidade de nos encontrar em outras épocas, mas ficou aquele ranço. Os anos passaram e tive a ocasião de conversar com Raimundo Colombo em várias épocas, em várias situações diferentes uma da outra. E conversei com ele em época de campanha, em muitas carreatas, em muitas situações, mas era uma conversa que não levava a nada.

Ontem, pela primeira vez, tive a oportunidade de escutar o governador eleito Raimundo Colombo. Quero dizer a v.exas. que fiquei muito impressionado e muito otimista, inclusive, em relação aos próximos quatro anos de Santa Catarina, pelo que ele demonstrou, falou e pelas suas intenções. E uma coisa que me deixou bastante confortado foi saber que ele vai prestigiar a classe política, não resta dúvida, em cargos importantes, em secretarias e tudo mais. Mas é uma posição dele, ou seja, o político pode ocupar um cargo. Eu sou político, já ocupei cargos, mas é necessário ter qualificação para tanto. É fundamental.

Em muitas situações, tanto em governos municipais quanto estaduais, vemos preocupação em ocupação política, ficando a qualificação em segundo plano. Para o próximo governo estamos sentindo que as coisas vão caminhar de maneira diferente. Há a intenção de fazer uma gestão administrativa qualificada no estado e isso é fundamental para todos nós.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)