11ª Sessão Ordinária - 04/03/2008
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, só quero fazer um comentário sobre o pronunciamento do deputado Professor Grando, professor, físico: parabéns pelo conhecimento e pela posição.
Eu também tenho simpatia pela necessidade de investimento em ciência, em tecnologia e em instrumentos que possam dar resposta a infinidades de doenças, embora para mim a ciência não seja neutra como qualquer outra área do conhecimento. A ciência pode servir para gerar vida, para melhorar as condições de vida do povo, assim como a ciência pode também servir como instrumento de denominação, como foi a experiência nazista na Alemanha.
Srs. deputados, volto a esta tribuna para dar continuidade a um tema que o deputado Dirceu Dresch trouxe, o acontecimento de que participamos em Chapecó, na sexta-feira, que reuniu deputados, empresários e a Associação Comercial e Industrial, que promoveu esse encontro que teve a participação de prefeitos e vereadores do Mato Grosso do Sul, do Paraná e de Santa Catarina.
Por que trago esse assunto ao debate? Por causa de suas conseqüências. Não acredito no futuro da América Latina integrada social, cultural e economicamente, se não tivermos uma mobilidade social compatível com as condições dos povos. A rodovia é, sim, importante na integração, mas a ferrovia é importante, fundamental e estratégica não só economicamente no transporte de carga, como também no transporte de passageiros, no direito de se integrar cultural e socialmente, inclusive no direito ao lazer para os povos latino-americanos.
O sonho da pátria grande da América Latina é o trabalho na idéia da integração não mais com a diferenciação de bitola, por uma questão geopolítica e militar do século XIX, mas a constituição da integração dos países da América Latina.
Em segundo lugar, nesse debate que aconteceu na sexta-feira, deputado Sargento Amauri Soares, a grande novidade foi a Ferroeste, empresa paranaense constituída no primeiro governo de Requião, que construiu um trecho ferroviário de 245 quilômetros, com dinheiro do estado do Paraná. É uma estatal que no governo Lerner foi privatizada, e a empresa que ganhou não investiu, pelo contrário, dilapidou a ferrovia. Ganhou, sucateou e abandonou.
Quando Requião assumiu novamente o governo, reestatizou a Ferroeste, deu condições de funcionamento no trecho de Cascavel a Guarapuava de duzentos e poucos quilômetros e retomou um projeto estratégico de integração ferroviária do Paraná, com Curitiba/Paranaguá e do Paraná com o Mato Grosso do Sul, um grande fornecedor de insumos para as grandes agroindústrias não só do oeste do Paraná, que define como estratégia a integração com o oeste de Santa Catarina.
Por isso, uma empresa estatal com menor custo de transporte poderá promover essa proposta e construir o que estou chamando não mais de Ferroeste, mas a partir de sexta-feira de Ferrovia da Integração. Integração do Mato Grosso do Sul com o Paraná e Santa Catarina e a integração dessas regiões com o Paraguai, a Argentina e o Chile, para fazer a ligação bioceânica e a ligação de integração do oeste de Santa Catarina com o porto de São Francisco do Sul e Itajaí, para além do porto de Paranaguá.
Por isso, o debate é importante. Propus, em Chapecó, a criação de uma frente parlamentar do Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina, para criar um fórum pela defesa de uma ferrovia pública, estatal e com controle público, para a viabilização da integração cultural, social e econômica, porque todos sabem que o transporte de passageiros precisa de investimento público, inclusive de subsídio público, para viabilizar essa integração.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Pois não!
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Nobre deputado, agradeço o aparte, que era para ter sido dado no pronunciamento do deputado Elizeu Mattos, mas não tivemos tempo.
No Equador, tivemos a oportunidade de discutir essa questão, porque além do corredor bioceânico aqui no sul, na divisa de Santa Catarina com a Argentina, existe também uma proposta desse mesmo corredor no norte do país, na divisa da Amazônia com a Bolívia e o Equador, para chegar também ao oceano Pacífico.
É evidente que todo progresso é bem-vindo, desde que traga progresso para as relações humanas da sociedade. Existe muita preocupação tanto da parte deles quanto da nossa de que essas integrações sejam meramente econômicas e a serviço dos monopólios que exploram os nossos trabalhadores e o nosso meio ambiente, no caso específico do norte. E esse corredor será uma forma de degradar mais rápido a Amazônia.
Estamos solidários com a integração dos povos latino-americanos. Que ela possa ser cultural, social, econômica, política, mas que tenha o perfil da soberania popular da nossa América, não segundo os interesses dos monopólios privados, quase todos monopólios privados de países ricos, países imperialistas, países exploradores.
Então, é esse debate que precisamos fazer. Estou plenamente de acordo com a posição de v.exa. e coloco-me, desde já, à disposição para contribuir com esse debate.
Muito obrigado pelo aparte.
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Eu vou concluir mais rapidamente o meu pronunciamento para que outros parlamentares que estão inscritos possam fazer uso da tribuna.
Vamos fazer esse movimento, vamos para Curitiba conversar com os deputados estaduais, não só aqueles que participaram do evento em Chapecó, mas os demais que têm interesse e já se manifestaram, como os do Mato Grosso do Sul, e junto com os deputados federais e com outros setores da sociedade construirmos um bom movimento, até porque o governo do presidente Lula tem priorizado investimentos em programas sociais, em energia e em infra-estrutura e as ferrovias têm sido também uma prioridade do governo, que com certeza será parceiro de mais esse projeto estratégico para definir o futuro da integração.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)