Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

39ª Sessão Ordinária - 12/05/2015

O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Schneider) - Muito obrigado, deputado Valdir Cobalchini, presidente em exercício do PMDB.

As suas palavras, obviamente, retratam o que pensa todo peemedebista catarinense e também os simpatizantes.

Passo a palavra, por até dez minutos, ao eminente deputado, nosso decano da Assembleia Legislativa, o experiente deputado Manoel Mota, para fazer o seu pronunciamento.

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Meu caro presidente Aldo Schneider, membros da mesa, caros deputados, professores, servidores públicos que estão aqui legitimamente defendendo os seus direitos, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, vou me esforçar para ver se tenho condições de falar, dizer algumas palavras sobre uma pessoa que era meu amigo. Amigo de muito tempo, amigo que, quando foi deputado estadual, eu já conhecia, e também foi deputado federal.

Na prefeitura de Joinville, na candidatura dele para prefeito de Joinville, ele me ligava e pedia para eu ir para lá ajudar. E eu ia para os bairros, e lá, as pessoas, de longe, me confundiam com ele. Pensavam que era o Luiz Henrique da Silveira, mas era o Manoel Mota. As pessoas sempre confundiam o Manoel Mota com o Luiz Henrique da Silveira. E ele dizia, que tinha duas candidaturas.

Estava comigo o Miguel Ximenes, uma vez, lá em Joinville, e um casal olhava muito para mim. Então, o Ximenes disse para ir saber o que eles queriam, e fui. E eles disseram que tinham assistido o debate daquela noite e que eu ia ganhar a eleição, que eu era o melhor.

Então, saí, não disse nada para não deixar as pessoas encabuladas, e os meus companheiros morriam de rir por eu estar fazendo o papel de Luiz Henrique.

Quando ele era governador, muitas vezes fui nesse interior, com os grupos de idosos, e eles me cumprimentavam-me como se eu fosse o governador. Era uma amizade muito grande que nós tínhamos.

Aqui nesta Casa, e depois, ele foi prefeito, mas, no momento em que ele se lançou, nós fomos lá para que ele renunciasse o mandato de prefeito para sair a governador. Foi uma coisa muito difícil, pois ele, com menos de 4%, sair de uma prefeitura como Joinville para enfrentar o desafio de uma candidatura, era preciso ter muita coragem.

Pois ele teve a coragem e renunciou. Nos primeiros momentos nem os prefeitos do PMDB acreditavam na vitória do Luiz Henrique, e ele saiu na campanha. Todos nós ajudamos na sua campanha, e ele foi crescendo, crescendo, e quando os prefeitos viram que ele estava crescendo também começaram a ajudar, e ele conseguiu ir para o segundo turno e ganhar as eleições.

V.Exas. sabem o desafio, o trabalho, ele só tinha uma bandeira, que era a descentralização de Santa Catarina. Era a única bandeira de luta que ele trabalhava. E assim que ele se elegeu governador implantou a descentralização.

Onde estão aquelas pessoas que saíam dos municípios pequenos para vir atrás de empregos nas grandes cidades, formando filas de casas na beira das estradas, pois não tinham mão de obra qualificada para assumirem uma atividade. E aí dava aquele desespero nas pessoas que vendiam tudo que tinham para virem para outras cidades, atrás de emprego. Depois, eles não tinham como voltar para casa.

A descentralização fez com que Santa Catarina crescesse por todo o estado, não precisando, as pessoas, saírem de seus municípios em busca de empregos em cidades maiores. E assim ele foi governando. Tinha uma oposição aqui muito difícil, todos se lembram do desafio que ele enfrentou. Eu era líder do governo e saía todos os dias em defesa de Luiz Henrique da Silveira. Depois ele me ligava dizendo que não merecia isso, mas agradecia o meu empenho em defendê-lo. No campo das ideias tinha a oposição fazendo o seu papel e eu defendendo o governo.

O governador, na época, se preparou para o seu segundo mandato, o primeiro da história de Santa Catarina, pois nenhum partido havia elegido um governador pela segunda vez consecutiva. Ele foi o primeiro na história que teve dois mandatos em sequência. Depois, fez um trabalho extraordinário, um trabalho marcante que vai deixar saudades por toda a vida. Depois, ele trabalhando, fez o Leonel Pavan se eleger senador e depois para vice-governador. Ajudou a eleger o Raimundo Colombo como senador, depois eleito governador no lugar dele.

Então, foi o maior líder que este estado teve. Lembro-me quando assumiu o segundo mandato do seu governo e assinou a ata. Estávamos em 27 deputados e ele me deu a caneta. Nunca vou esquecer isso. Quando não me elegi neste mandato, dez minutos depois ele me ligou: "Manoel Mota, estou triste. Você não merecia isso. Mas não ficará nenhum dia fora da Assembleia Legislativa". Era uma amizade profunda, era um timoneiro que dizia o caminho. E o caminho que ele determinava era o correto, o caminho da unidade, o caminho do bem, porque ele era um homem do bem.

É preciso ter um coração muito forte para superar a tristeza, porque no velório havia pessoas do país inteiro trazendo solidariedade. Até a presidente Dilma lá estava, que o havia enfrentado em uma batalha para a presidência do senado, há poucos dias, respeitando o grande líder que era Luiz Henrique da Silveira.

Então, ontem foi um dia marcante na história de cada um, mas na minha vida, que era amigo, muito mais profunda. Eu sempre perguntava: Por que você trabalha tanto? Ele respondia: "Porque um dia perdido tu nunca mais recupera."

E por que você tem essa conduta ética de trabalho, de linha? Ele dizia: "Porque eu sigo os passos do Ulisses Guimarães, que era como um irmão, um pai, e continua vivo dentro de mim, seguindo esses passos."

E, neste instante, quero dizer que vou seguir os seus passos na minha vida pública!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)