10ª Sessão Ordinária - 26/02/2015
O SR. DEPUTADO LEONEL PAVAN - Sr. presidente, deputado Mario Marcondes, srs. parlamentares, sras. parlamentares desta Casa do Povo, também saudar todos telespectadores da TVAL.
E antes de me referir também sobre o mesmo assunto que o deputado João Amin falou no seu pronunciamento, disse que todas às vezes que eu tiver a oportunidade de usar a palavra nesta Casa deixo registrado aqui o pedido ao governador Raimundo Colombo referente ao Centro de Eventos do governo do estado de Santa Catarina, em Balneário Camboriú, pois é mais um dia que a obra está parada ou sem ser realizada.
Disse ontem ao vice-governador Eduardo Pinho Moreira, que me deu todo o apoio e que é solidário a esta questão, que faria isto todas as vezes que tiver oportunidade: governador Raimundo Colombo, inicia a obra do Centro de Eventos de Balneário Camboriú.
Eu queria fazer aqui uma leitura do nosso e presidente do PSDB nacional, Aécio Neves.
Deputado Dr. Vicente Caropreso, a nota diz o seguinte:
"Mais uma vez a falta de diálogo e, sobretudo, os erros e contradições das decisões do governo federal nos últimos anos, atingem um setor central da nossa economia.
A paralisação dos caminhoneiros é ruim para todos: para os trabalhadores, para seus empregadores e prejudica em cheio a população. É a categoria que transporta o Brasil e que agora sofre o grande impacto causado pela crise na economia, somada ao aumento não apenas do diesel, mas do custo de vida de suas famílias. Os caminhoneiros, assim como todos nós, brasileiros, buscam uma luz ao final do túnel."
Na verdade, essa nota é a nota que todos nós gostaríamos de fazer, é o sentimento dos brasileiros, é o sentimento dos parlamentares do nosso país, dos vereadores, dos prefeitos, dos vice-prefeitos, dos deputados estaduais, federais, senadores e, com certeza, até da presidência da República que em vez de tomar uma decisão de agir com seriedade e com responsabilidade para que sejam minimizados os problemas, para que o Brasil volte à normalidade, mas parecem que estão dormindo em céu de brigadeiro que tudo está bem.
Nós esperamos realmente que isso seja resolvido.
Nós não somos favoráveis à desordem, não somos favoráveis que se tomem atitudes radicais para alertar o governo dos erros cometidos. Nós somos favoráveis que haja, sim, manifestações ordeiras, como foram feitas.
Sabemos que isso está causando um prejuízo enorme à população brasileira. Certamente, deverão fazer algo para que esses problemas sejam amenizados e que o Brasil volte à tranquilidade. Não é apenas multá-los porque estão paralisando, mas é preciso achar uma solução para que isso realmente termine de vez e que ninguém seja prejudicado.
Mas eu acho que precisa atenção aqui é do governador Raimundo Colombo. Eu vi uma atitude exemplar do deputado João Amin, convocando os deputados para que nos desloquemos até Chapecó a fim de conversar com este setor. Mas qual atitude o governador tomou até agora? E solidariedade a quem ele vai ter agora? Aos caminhoneiros? Às famílias que já sentem a falta da alimentação? Àqueles que estão sendo prejudicados em função da manifestação? Qual a solidariedade, qual caminho está tomando o governador, se o prejuízo é geral?!
Quando ele diz que por solidariedade apoia a Dilma para presidente da República, ele tomou uma atitude. Mas qual caminho ele tem para a solidariedade e a quem? Aos caminhoneiros, que estão paralisando as rodovias, ou àqueles que estão sofrendo com a paralisação?
Um governante tem que ter rumo, tem que ter decisão, tem que saber dizer o que quer e como fazer. Não tem que ficar apenas reclamando da burocracia, dos problemas para governar o estado ou um país, pois foi eleito sabendo das dificuldades, e governou com dificuldades, como ele colocou várias vezes, mas não hesitou em ir para a reeleição e continua reclamando da burocracia.
Um governante, um líder, tem que coordenar os seus movimentos, um líder tem que dizer o que quer, como quer, e como deve ser. Não é ficar esperando que as coisas se normalizem em função dos diálogos de um e de outro. Esperamos que o governador também tenha uma posição e diga com qual segmento ele vai se solidarizar. Com os caminhoneiros, com os que estão sendo prejudicados, ou novamente com a presidente Dilma.
A Sra. Deputada Luciane Carminatti - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO LEONEL PAVAN - Ouço a deputada Luciane Carminatti.
A Sra. Deputada Luciane Carminatti - Gostaria de relembrar que foi por uma proposição da bancada do Partido dos Trabalhadores, inclusive foi na minha manifestação, no horário do partido, que nós sugerimos que a comissão de Transporte dialogasse com esses caminhoneiros e motoristas. E foi a partir dessa ação da bancada do PT que nós levamos à comissão de Transportes esse debate. Acho que os deputados estão fazendo a sua parte, estão provocando, procurando manter o diálogo, mas também precisamos compreender esse movimento.
Esse movimento tem dificuldades de definir uma interlocução. Eu mesma fui procurada por Brasília para ajudar a identificar os seus líderes. E quero dar um exemplo aqui, com relação à lei do descanso. O governo tem entendimento da sanção, parte dos caminhoneiros não quer a sanção, mas quem é dono quer. Aqui está o conflito instalado!
Então, nesse movimento se juntam vários interesses, os que são legítimos, que estão perdendo dinheiro, sim, conheço vários que estão trabalhando quase que de graça, no vermelho. Os donos de transportadoras, que foram beneficiados pelo BNDES, com financiamento para comprar as suas carretas, 100, 200, 300 carretas, e estão todos parados ajudando, como se estes tivessem grandes dificuldades, assim como aqueles que estão sobrevivendo. E tem muitos outros que eu cheguei a ver, me mostraram distribuidoras em que um só caminhão tem lucro de R$ 10 mil por mês.
E tem também os que querem derrubar a Dilma! Tem também, porque eu vi várias faixas que diziam Fora Dilma. Então, esses são os interesses colocados, mas eu quero dizer que a presidente Dilma, através da secretaria da Presidência da República, está a dois dias negociando. Mas nós temos este cenário de dificuldades e precisamos ajudar neste processo.
E quando a gente fala de diálogo, deputado Leonel Pavan, veja o que está acontecendo com o Paraná, o estado do Paraná está parado, literalmente. Então, a gente precisa buscar coerência em todos os campos. Com relação ao nosso governo, nós abrimos canal de negociação, mas todos aqui que negociam, e v.exa. já foi governador sabe, têm pautas que são longas, é mesa de negociação. Não é de hoje para amanhã.
Mas, aqui no estado, eu quero concordar com v.exa., o governador, até agora, não abriu nem um diálogo com a sociedade. Nós temos os problemas das rodovias, temos o custo do diesel, que tem o imposto da CIDE e do ICMS. Quem sabe nós poderíamos ir começando a discutir o nosso estado, que está mais perto, também.
O SR. DEPUTADO LEONEL PAVAN - Parabéns, nobre deputada Luciane Carminatti. Suas colocações são importantes.
Esse processo democrático é importante nesta Casa porque assim nós conseguiremos dirimir as dúvidas e colocar nossas opiniões à avaliação pública. Nós não somos a favor da desordem, nós não somos a favor de que qualquer manifestação traga prejuízo a outros, tanto aqueles que estão sendo prejudicados, muitos estão desgostosos com a presidente Dilma, como aqueles que estão fazendo manifestações.
Só que esta não teve líder, não teve apoio político, não teve segmento que organizou esta paralisação, ela aconteceu espontaneamente através dos caminhoneiros. Eu não concordo que qualquer manifestação venha trazer prejuízo à população. Acho que esta é importante, mas nós temos que achar um caminho para que a população, a agricultura familiar e outros segmentos também não sejam prejudicados.
O fato, deputada Luciane Carminatti, é que esta paralisação surgiu pela ineficiência do governo federal, por tudo que está acontecendo em nível de Brasil, porque se prometeu uma questão em campanha, e se executa outra logo após a campanha. Isso trouxe uma instabilidade à economia e uma instabilidade nas famílias e naqueles que têm que pagar o aluguel da carreta, a prestação da carreta, o leite, o pão, o alimento. Também trouxe a estes uma insegurança da vida, por parte de uma falha do governo federal em não trazer uma segurança econômica, uma segurança familiar.
Se o Brasil começar a tomar posições como essa a cada erro do governo federal, nós vamos ter um Brasil parado, todos os dias, pelo segmento A, ou segmento B. Mas o fato, deixo aqui registrado mais uma vez, srs. parlamentares, que faltou e falta do governador do meu estado, governador que eu já apoiei, eu apoiei para senador, que eu já apoiei para governador, falta por parte dele uma decisão de um líder, de um governante, de um homem que tem um dos melhores estados do nosso país sob as suas mãos.
Ele tem que tomar uma decisão, ele tem que conversar, chamar os líderes e dizer. Santa Catarina, como eu disse da tribuna, é um dos melhores estados do Brasil e nós não podemos ser um estado exemplo na questão negativa. Santa Catarina é de todos nós e não de um partido político.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)