Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado João Macagnan

41ª Sessão Ordinária - 14/05/2002

O SR. DEPUTADO JOÃO MACAGNAN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, no dia de hoje vou fazer um pronunciamento sobre as drogas.

(Passa a ler)

“Dentre tantos problemas por que passam as pessoas, um deles é uma preocupação constante das famílias: as drogas. O uso de substâncias entorpecentes ou alucinógenas vem desde tempos antigos, mas as drogas populares foram lançadas como ‘moda’, como ‘o grande lance’ nos idos dos anos 60 e 70. Desde então, várias foram as concepções por que passaram as pessoas com relação às drogas. Umas acreditaram que usá-las era prova de irreverência, outras, de protesto. Havia também as que pensavam que usá-las era motivo de integração no círculo de pessoas intelectuais, inteligentes, pensantes... Daí surgiu uma geração de pais que faziam uso de drogas, causando problemas de ordem familiar, na convivência com os filhos.

Partiu-se, então, da concepção de que a droga era, pura e simplesmente, significado de crime, tal e qual está previsto na legislação penal. Aos poucos foram surgindo drogas pesadas e a concepção de crime ficou ainda mais arraigada na mente das pessoas. Os conflitos surgidos entre os usuários da droga e a família tomaram as mais diversas conseqüências, desde a intranqüilidade no seio familiar, as brigas, os desentendimentos, a incompreensão, desamor, a desistência de lutar pelo drogado, até as doenças físicas e mentais irreversíveis e o ingresso ao mundo do crime.

Hoje a droga está com um esquema de distribuição de dar inveja a grandes empresas. Sua organização mobiliza comunidades inteiras. O domínio exercido pelo esquema do tráfico manipula as famílias, obtendo o silêncio das pessoas em troca da suspensão da violência.

Quando paramos para pensar no problema das drogas, ficamos absortos pelo rastro de destruição que ela deixa pelo caminho. Ela destrói as pessoas até o seu mais íntimo grau de amor próprio. Com ela, você destrói os que estão a sua volta. Ela desestrutura a família e o convívio com os amigos. A droga prejudica as atividades de excelentes profissionais, a ponto de perderem seus empregos. Também alija mentalmente notáveis esportistas, artistas, jogando-os num mundo escuro e deprimente.

Mas, graças a Deus, estamos partindo para uma nova concepção no tratamento com os usuários de drogas. Campanhas recentes têm alertados pessoas e levado-as a encarar os usuários compulsivos de drogas como pessoas portadoras de dependência química.

Antes, acreditávamos que os usuários de drogas eram pessoas que não tinham uma boa auto-estima, que eram pessoas fracas e que por isso se entregavam às drogas. Também pensávamos que, ao se entregarem às drogas, não tinham força de vontade suficiente para sair dela. Nossa concepção se limitava a achar que o uso de drogas estava intimamente ligado à vontade própria do usuário.

Não era claro em nossa mente que ele era, sim, um dependente químico, que é uma característica física e não só predisposição mental. A idéia da dependência química não é novidade, mas não era uma idéia disseminada, popular. Limitava-se aos meios médicos, clínicos.

Quantas pessoas sofrem com o problema! São pais, que se mantêm incansáveis na luta por seus filhos contra as drogas; são filhos, que enfrentam a dor de acompanharem seus pais na lida contra a dependência. Quem não enfrenta o problema de perto, também se preocupa com os filhos, alertando-os de todas as formas contra a arquitetura que sustenta os passadores de drogas para capturar os menos avisados, os que pensam que ‘experimentar’ é um ato consciente e que não leva ninguém à dependência.

Refletindo sobre o problema e investido de um sentimento de dever a cumprir, quero selar um compromisso com as pessoas na busca de soluções para o problema da dependência química.

O passo que julgo mais abrangente é o da conscientização. As escolas têm buscado, de todas as maneiras, esclarecer seus alunos sofre os efeitos do uso das drogas. Levam profissionais da área de saúde e de segurança pública para fazerem palestras. Levam pessoas que passaram pelo problema para relatarem os seus dramas por causa das drogas. É tanto esforço, que precisa ser ampliado com a ajuda da comunidade. Vamos formar comissões que organizem campanhas contra as drogas em suas comunidades. Essas campanhas servirão para ser aplicadas em outras comunidades. Representantes de todas elas organizarão campanhas de abrangência regional e assim, sucessivamente, até conseguirmos atingir um grande raio de ação.

Nossa ação também deverá partir para ajudar as pessoas que convivem com um dependente químico. Quão frágil é nossa resistência diante da imensidão de um problema como esse.

Precisamos iniciar um programa de apoio aos pais, irmãos, filhos, companheiros, amigos, enfim, para orientar, de forma eficiente, aquele que lida com um dependente químico, pois muitas vezes a inexperiência faz com que as pessoas piorem o problema tanto para si quanto para o usuário de drogas, fazendo com que se instale um sentimento de desamor que só traz prejuízos a todos.

Além disso, precisamos equipar mais nossas unidades de tratamento do dependente químico e qualificar melhor nossos agentes. Essas comissões deverão assumir o papel de avaliação das necessidades de cada unidade, para que busquemos, seja junto ao Governo, a empresas ou à comunidade em geral, melhorar o nível de atendimento dos dependentes químicos. Enfim, devemos conjugar nossos esforços para que muito seja alcançado em favor daqueles que precisam se livrar das drogas.

Mas seja quem enfrente o problema de perto, quem teme o problema por ter filhos, crianças, adolescentes, os quais podem ser vítimas dos ‘encarregados de disseminar a droga’; seja quem possui um ente querido que venceu a dependência, mas sabe que o daqui para frente é muito mais uma questão de força para não voltar a usá-la, eu peço, sinceramente, do fundo do coração, nunca perca a fé em Deus, nunca duvide da força Dele, nunca esqueça que está escrito que Ele sempre ouve as nossas preces. E, por isso, devemos rezar, pedir, que Deus há de atender, pois só como o amor Dele seremos verdadeiros vitoriosos nessa luta contra as drogas.”

Muito obrigado, Sr. Presidente!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)