Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

72ª Sessão Ordinária - 26/09/2001

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente, na verdade, para os Srs. Deputados acho que não teria muito mais o que falar, até porque, temos no Plenário dois Deputados do PT - a Deputada Ideli Salvatti e o Deputado Volnei Morastoni -; temos na Mesa o Deputado Jaime Mantelli e o Deputado Manoel Mota como Presidente, fora os demais Deputados que, provavelmente, devem estar em seus gabinetes assistindo a este Deputado pela televisão.

Aproveito a oportunidade para dirigir minha palavra aos telespectadores da TV Assembléia de Joinville e da região pois, certamente, temos lá um número bastante expressivo de pessoas que assistem ao trabalho da Assembléia e quero, principalmente, deixar registrado meu depoimento em relação à segurança de Joinville, que foi exaustivamente dissecada neste Plenário.

Registro um adendo às palavras do Deputado Adelor Vieira e de outros Deputados que falaram sobre a segurança pública de Joinville, até citando e repetindo aquilo que o Deputado Adelor Vieira falou: que na quinta-feira aconteceu uma reunião em Joinville que foi, eu diria, das mais importantes que já aconteceram no Município de Joinville, relacionada à questão de segurança pública, porque naquela reunião estavam praticamente os representantes de todos os segmentos da sociedade: Rotary Club, Lions, associações de moradores, presidentes de sindicatos, representantes do Legislativo, a Deputada Ideli Salvatti, enfim, estavam todos reunidos com uma finalidade só: falar sobre a questão da segurança pública de Joinville.

Foi muito interessante. Foram colhidas naquela reunião muitas informações e sugestões importantes. É exatamente dessa forma que, acredito, podemos chegar a um denominador comum em relação à segurança pública de Joinville.

Quero dizer mais: naquela reunião foi distribuído um formulário para cada um dos representantes dos segmentos da sociedade joinvilense preencher e dar uma sugestão de como fazer para, pelo menos, melhorar a questão da segurança pública em Joinville.

Cada um deles ficou com o formulário por alguns dias para pensar, refletir ou reunir-se com o seu sindicato, com a sua associação de moradores e colocar nesse formulário uma sugestão, o que acho muito importante. A crítica, a veemência são importantes, mas a sugestão é fundamental para que se encontre alguma fórmula, alguma alternativa.

Dentro da reunião foram escolhidas algumas pessoas para formar uma comissão que vai filtrar todas as informações, as sugestões e fazer um relatório que será entregue ao Sr. Governador, numa grande reunião, provavelmente, com os Vereadores, representantes dos segmentos da sociedade, Deputados, etc., o Governador Esperidião Amin e o Secretário da Segurança Pública. Saliento que faço parte dessa comissão que filtrará as sugestões.

É pública e notória a amizade, o respeito e o carinho que tenho pelo Deputado Adelor Vieira, que é um grande cidadão, por quem tenho o mais profundo respeito. Sou seu amigo desde muito antes de estarmos envolvidos com a política. Trabalhava como gerente na Companhia Paulista de Seguros e este Deputado como radialista. São muitos anos de estrada e de amizade.

Portanto, tenho pelo Deputado o maior respeito embora, às vezes, tenhamos divergências no campo das idéias, e isso é típico do ser humano - divergência no campo das idéias, de forma respeitosa.

Permito-me divergir do Deputado Adelor Vieira, quando comenta que, na Assembléia, há projetos de origem do Governo, é obrigação virem os Partidos ou as coligações que dão sustentação ao Governo para votar esses projetos do interesse do Governo.

Divirjo do Deputado Adelor Vieira, porque acredito que os projetos do Governo que vêm para cá, na sua grande maioria, são projetos do interesse da população de Santa Catarina! Essa é a grande verdade. Tanto que votamos há pouco um projeto oriundo do Governo e do interesse nosso, da sociedade de Joinville, especificamente com respeito a doação de um terreno para construção de uma escola naquele Município.

Portanto, é de origem do Governo mas, do interesse específico da população, principalmente do Município de Joinville, deste Deputado, do Deputado Adelor Vieira e outros, assim como foram votados outros projetos de origem do Governo para doação de terrenos em outros Municípios para construção de escolas e etc.

Então, permito-me divergir do Deputado Adelor Vieira, respeitosamente, dentro do campo das idéias.

Podemos constatar, tanto o Deputado Adelor Vieira quanto este e outros, que Joinville melhorou. Não podemos fechar os olhos! Detesto quando se mistura política com problemas sérios, como a questão da segurança pública em Joinville. Não gosto que se misturem as coisas! Sinceramente, não gosto!

Todos sabem e vimos, porque estivemos in loco, lá. Até o Deputado Francisco de Assis comentou isso. Melhorou quanto a questão dos prédios onde estavam instaladas as Delegacias, as viaturas - hoje tem viaturas novas nos Distritos Policiais - equipamento de trabalho, computador, armamento. Os policiais têm armas mais poderosas para enfrentar os bandidos.

Enfim, de uma maneira geral houve realmente uma melhora, que só vai ser consubstanciada quando se implementar número maior de policiais civis e militares para o Município.

Por que digo isso? Porque não adianta mais armas se tivermos o mesmo número de policiais, pois não adianta dar dois revólveres para um policial só. Não adianta dar uma viatura descaracterizada para cada distrito, quando não tem a equipe de investigação para usá-la. É necessário material humano.

Esta é a grande realidade que vivemos no Município de Joinville e em muitos outros Municípios de Santa Catarina. Temos que ver a questão daqueles que estão trabalhando com salários irrisórios, numa situação horrorosa.

Fiquei sabendo que o Comandante Walmor Backes vai desativar a Unidade de Operação nº 10, justamente instalada no Fórum de Joinville e, quando sair daqui, vou diretamente telefonar para ele. Por que não quero? Porque a maioria dos policiais militares nem carro tem para se locomover. Vêm a pé de suas casas, pegam o ônibus e param no terminal urbano.

O núcleo de operação fica bem próximo do terminal urbano. Quando chegam, colocam a farda, pegam a arma e vão trabalhar. Desativado aquele setor de operação, terão de ir a pé até 8º Batalhão, e quem mora em Joinville sabe a distância que é, são alguns quilômetros. E isto vai sacrificar mais ainda o já sacrificado policial militar de Joinville.

Vou fazer uma ligação ao Coronel Walmor Backes para tentar demovê-lo da idéia de fechar este distrito policial. Teria muitas outras coisas para falar em relação à segurança pública de Joinville. Mas vou deixar para outra ocasião.

Foi criado agora o Conselho Comunitário de Segurança, que é um envolvimento da comunidade com a polícia e que está dando muito certo nos vários bairros da nossa cidade e temos o curso da polícia comunitária que foi criado durante esta semana.

Não podemos, em hipótese alguma, misturar campanha política com a necessidade urgente de solucionar os problemas da nossa segurança. É este o apelo que faço aos ilustres amigos, evidentemente, cada um com a sua razão.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)