65ª Sessão Ordinária - 11/09/2001
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, deveria usar o espaço de hoje para destacar o importante ato que vivemos no auditório do Palácio Santa Catarina na manhã de hoje, ou seja, o lançamento do edital dos 23 projetos do Programa Rodoviário BID-IV, através do qual vamos empreender ações em todas as regiões de Santa Catarina.
Foi um momento muito importante para o Governo, muito importante para a sociedade catarinense, um prestigiamento muito forte. Mas vamos detalhar nas próximas sessões, o que vai representar todos esses investimentos de US$300 milhões que vão ocorrer a partir de agora, com prazo de execução em até cinco anos.
No entanto, vou utilizar esse espaço no dia de hoje, Sr. Presidente e Srs. Deputados, para registrar nos Anais desta Casa o passamento, no último sábado, no Município de Braço do Norte, de um grande líder espiritual e comunitário, o nosso querido e já saudoso Padre Valentin Oening.
(Passa a ler)
"Ocupo a tribuna nesta tarde de terça-feira para reverenciar a existência de alguém que, apesar de nos ter deixado fisicamente, vai viver para sempre na memória do povo da Amurel, mais notadamente dos moradores de Braço do Norte, sua terra natal.
Refiro-me ao Padre Valentin Oening, que no último sábado, aos 78 anos de idade, descansou para a vida eterna.
Natural da Represa, uma pequena comunidade interiorana de Braço do Norte, Valentin desde cedo se destacou pela sua capacidade de aprender e de discutir questões, tanto da família, quanto da sociedade em que vivia. Prova disso foi que aos nove anos, quando foi levado a estudar no Colégio Interno de São Ludgero, conquistou a simpatia dos padres e freiras da instituição por falar fluentemente o latim, língua que lhe foi ensinada pelo pai José Oening, um próspero agricultor daquele Município.
Quando completou o estudo primário, aos 12 anos, incentivado pelos religiosos de São Ludgero, Valentin Oening seguiu os caminhos de Deus indo para o seminário de Brusque, de onde saiu seminarista para cursar filosofia e teologia na Unisinos de São Leopoldo.
Ordenado, rezou sua primeira missa na Terra Natal em 24 de janeiro de 1949, assumindo logo em seguida a Paróquia de Armazém. Lá ficou sete anos e, posteriormente, foi para Meleiro, onde durante cinco anos foi Vigário-Geral.
No dia 1º de janeiro de 1961, Valentin Oening retornou para Braço do Norte, de onde nunca mais saiu. Foi Primeiro Vigário-Geral durante 23 anos, só deixando o cargo por problemas de saúde. Mesmo assim, ficou à disposição da paróquia em auxílio a todos os outros vigários que o sucederam. Não obstante, foi o responsável pela construção de igrejas e salões nas comunidades de São José, de Avistoso, de Rio Bonito, de Rio Santo Antônio, de Alto Travessão, de Rio das Furnas e de Rio Glória.
Enfim, como religioso Valentin Oening, sem qualquer dúvida, foi uma peça fundamental para o desenvolvimento da nossa igreja católica em Braço do Norte e região.
Mas eu e muitos outros que acompanharam a história desse próspero Município da Amurel aprendemos a admirá-lo muito mais por uma outra particularidade: sem qualquer envolvimento com Partido Político, foi um homem que soube distinguir suas ações como religioso e se transformou num dos maiores especialistas em políticas públicas, participando ativamente das ações comunitárias e conquistando feitos para o seu povo.
Valentin Oening dirigiu durante 15 anos a entidade mantenedora do Hospital Santa Teresinha, que não era obrigação do vigário, mas ele fazia questão de se dedicar a causa, negociou com o Governo do Estado o terreno para a construção do Fórum de Justiça de Braço do Norte. Com a Prefeitura conduziu o processo para a construção da casa do Juiz de Direito, o prédio da Telesc, o prédio da Casan, a antiga garagem municipal e ainda viabilizou a transferência do cemitério da Paróquia para a municipalidade.
Nos últimos anos de sua vida foi um dos famosos integrantes do popular Senadinho, um aglomerado de bancos numa das pontas da praça da Igreja Matriz de Braço do Norte, a exemplo do que acontece na Rua Felipe Schmidt em Florianópolis, onde todos os finais de tarde se reúnem políticos, líderes ou pessoas simples da comunidade para versarem sobre as coisas do cotidiano.
Lá, o Padre Valentin Oening não era o padre, muito menos o vigário. Era um cidadão como outro qualquer, que discutia sobre todos os assuntos, fazia piadas, contava histórias e ‘estórias’ e levava a vida com a graça de Deus.
Ele vai fazer muita falta naqueles bancos, pois foi um homem que amou e foi amado por todas as pessoas de Braço do Norte.
Que ele descanse em paz!"
Temos certeza de que a passagem do Padre Valentin Oening, por aquilo que pudemos presenciar na sua missa de corpo presente, no último domingo, na Igreja Matriz de Braço do Norte, onde lideranças, pessoas do povo de toda a região Sul estiveram presentes, dezenas de padres, religiosos, três bispos - de Tubarão, D. Hilário Moser, de Criciúma, D. Paulo de Conto e o bispo de Florianópolis, D. Vitor -, além dos familiares, foi um prestigiamento muito grande, numa demonstração pública do carinho, da admiração, do respeito por esse que foi não só, como já disse, um líder espiritual, mas um grande líder comunitário de Braço do Norte e de toda região Sul do Estado.
Por isso quero fazer este registro para que fique consignado nos Anais da história desta Casa também uma menção a esse grande líder do grande Vale do Braço do Norte, que no último sábado passou desta vida para outra.
Fica a nossa manifestação de solidariedade a todos os integrantes e dirigentes da Diocese de Tubarão, a qual pertencia o Padre Valentin, e muito especialmente às comunidades por onde ele atuou, como a Paróquia de Braço do Norte, porque temos certeza de que aquela população vai sentir muita falta dele, que foi um grande líder, que teve muita compreensão, muita serenidade para resistir os últimos dias de vida quando a doença o fez sofrer muito, mas com muita serenidade soube acolher os desígnios de Deus.
Mas acreditamos que quando cumprirmos com a nossa missão daremos continuidade à nossa vida em outro plano, pela grande obra que foi a vida do Padre Valentin, que já deve estar num bom lugar junto de Deus, para que possa se transformar, e já se transformou, certamente em luz para todos nós.
Muito obrigado!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)