9ª Sessão Ordinária - 04/03/1999
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e nobres Srs. Deputados, para mim é motivo de muita satisfação ocupar pela primeira vez esta tribuna, e gostaria de dizer aos Companheiros que, juntos, faremos, nestes próximos quatro anos, uma luta em benefício dos catarinenses.
Vou aproveitar esta oportunidade para me manifestar a respeito da região que represento, o Alto Vale do Itajaí.
O Alto Vale do Itajaí tem a sua base econômica ainda na agricultura, na pequena propriedade rural e também no seu potencial empresarial, mas vive, como a maioria das regiões de Santa Catarina e do País, momentos de bastante angústia e até de desespero.
Na nossa região, chama-nos a atenção a grande maioria das famílias do nosso meio rural, que está procurando Blumenau, Joinville para buscar alternativas de sustento, porque a permanência na pequena propriedade rural está comprometida.
É na nossa região que também temos acompanhado a angústia daquele que gera o emprego e que gera a economia, o nosso empresário, que devido a um sistema perverso, hoje, implantado na nossa Nação brasileira, em que o sistema financeiro se afastou da parceria, está nas mãos da agiotagem, se não ela oficial, mas ela existente hoje, fazendo com que, quando muito, consigamos recursos a curto prazo, inviabilizando a continuidade da nossa pequena empresa.
Então, chegou o momento que, junto com os demais Deputados, queremos trabalhar para de fato conseguirmos avançar em ações que possam ter um resultado final positivo para aquele que gera o emprego, para aquele que gera a riqueza, para aquele que contribui com o nosso Estado, com a sua região, com a nossa Nação.
Vivemos um momento preocupante, sim. Vivemos um momento em que precisamos unir forças, indiferente das questões partidárias e em favor de soluções definitivas.
Vivemos um momento - e assim é a nossa região, e por certo essa nossa Santa Catarina e o Brasil - em que vemos o poder público, de modo geral, hoje, em situação falimentar. É a nossa Prefeitura que está quebrando, a nossa farmácia, a nossa oficina mecânica; está quebrando também o nosso fornecedor de modo geral, seja ele de mercado ou seja ele de autopeças.
Chegamos neste Poder e vimos também a dificuldade aqui. Olhamos o palácio do Governo e vimos o Governo também impossibilitado de servir a população, a qual é o nosso objetivo.
Todos os dias emplaca nos jornais a grande dificuldade e o desespero que vivemos.
Então, chegou o momento de repensarmos ações que de fato possam vir a mudar o que está acontecendo, hoje, na nossa Nação. E a nossa região, por certo, pode começar um programa revolucionário, sim, de crescimento, novamente, se o Governo for parceiro e se nós oferecermos a alternativa, porque temos um povo empreendedor, temos um povo trabalhador e temos uma região favorável.
Estamos hoje vivendo e falando de uma situação falimentar do Poder Público, deste pequeno Estado de Santa Catarina, que é um potencial econômico invejável para a Nação brasileira.
Portanto, é neste rico Estado, do qual nós fazemos parte, que estamos vendo e vivendo, hoje, uma situação de desespero.
Esta é uma grande preocupação, e esta é a contribuição que queremos dar aqui. Queremos servir a nossa região, mas acima de tudo queremos servir a nossa Santa Catarina e queremos dar a contribuição de homem político, comprometido com as coisas da nossa região.
Eu cito como exemplo: sempre falávamos na nossa campanha política na região de Santa Terezinha, praticamente isolada de tudo, uma região que tem a sua economia calcada só na fumicultura, que vive desesperadamente, porque hoje conhecemos o que acontece com a fumicultura. A renda que vem da propriedade, hoje, de quem planta o fumo, é uma renda que não dá para sustentar a família. E está aquele povo, hoje, por certo, já, ou pelo menos com a visão de buscar um emprego na grande Joinville. Mas precisamos dessa gente estabelecida ali, produzindo para a sua região e produzindo para Santa Catarina.
Essa gente que já tem a sua terrinha, esta gente que já tem a sua propriedade, esta gente que já tem os seus equipamentos, está inviabilizada de permanecer na agricultura.
Então, entendo eu que é um contra-senso falarmos de um programa para os sem-terra, quando quem tem terra não pode mais permanecer nela e não tem mais condições de produzir nela.
Por isso, o grande movimento que temos que defender aqui é o movimento em favor de quem tem terra, é o movimento em favor daquele que tem a sua empresa. Temos acompanhado grandes mobilizações na busca de novas empresas, que é o anseio de todos os Prefeitos e governantes, mas esquecemos, muitas vezes, daquela que já está estabelecida.
Então, o momento é de salvarmos o patrimônio que existe. É esta a discussão que eu quero trazer a este Plenário junto com os demais Deputados.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)