111ª Sessão Ordinária - 09/12/2010
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, caros colegas deputados, pessoas que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital ou neste plenário, nesta manhã de quinta-feira, nós votamos, ontem, o Plano Plurianual e as suas emendas. Quase curiosamente foi votada e aprovada muita coisa. E quero colocar em destaque uma emenda que foi aprovada em destaque, de autoria do deputado Antônio Carlos Vieira, aqui presente, o Vieirão, disponibilizando recursos ou criando a possibilidade posterior de se disponibilizar recursos para estudar a viabilidade da construção de uma quarta ponte em Florianópolis ligando a Ilha ao continente ou então para analisar se de repente outra alternativa não seria mais adequada.
Eu votei a favor da emenda do deputado Vieirão, com bastante satisfação, com a observação de que, na minha forma de ver, a construção da quarta ponte deve ser a última das alternativas a ser colocada em prática para desafogar o trânsito na Grande Florianópolis. Há várias outras medidas mais baratas e que se tornariam viáveis em menor prazo, medidas também racionais e de muito mais viabilidade, mas que passam necessariamente, daí sim, pela discussão de uma nova política para o transporte coletivo.
Embora estejamos falando da Grande Florianópolis, esse é um problema de todas as médias e grandes cidades no nosso estado, no nosso país e na maioria das grandes cidades do mundo. Mas falemos aqui da Grande Florianópolis.
Paga-se muito caro para andar de ônibus em toda Grande Florianópolis, deputado Vieirão, inclusive, é mais caro andar de ônibus do que de automóvel particular. Eu já falei uma dúzia de vezes, desta tribuna, que duas pessoas da mesma família ao deslocarem-se de casa, de qualquer bairro ou cidade da Grande Florianópolis, para qualquer outro ponto, quer em razão de trabalho ou estudo, por exemplo, pai e filho ou filha ou mãe e filho ou filha, pagarão mais caro indo de ônibus do que de carro particular. Isso é uma irracionalidade! Eles pagarão mais caro porque o transporte coletivo tem sido usado como fonte de lucratividade para um pequeno grupo de empresários, de famílias, aqui da Grande Florianópolis.
O transporte coletivo é uma concessão pública, mas o poder público, há tempos, achou mais conveniente transferi-lo para a iniciativa privada, para que ela possa explorar e prestar o serviço, sendo que este último deveria ser o primeiro objetivo. Essas empresas, deputado Vieirão, que controlam esse serviço público, são bastante eficientes em contratar funcionários ou formar, nas próprias famílias, pessoas com habilidades para apresentar a sua prestação de serviço que, tratando-se de transporte coletivo, não poderia ser mais caro do que o transporte individual. Isso é irracional do ponto de vista econômico, não só das famílias, em particular, mas da sociedade em seu conjunto; do ponto de vista da circulação e da mobilidade urbana, porque é uma necessidade em qualquer cidade, até para que a economia possa funcionar melhor; do ponto de vista ambiental, porque todos nós já lemos, ouvimos ou estudamos em algum lugar, deputado Onofre Santo Agostini, que o dia em que a população do mundo puder ter o nível de consumo que hoje tem a população dos Estados Unidos, o mundo acabará, morreremos todos, talvez por asfixia, isso se tivermos a sorte de chegar até lá.
E aqui no Brasil também estamos indo na mesma direção, assim como, creio, a maior parte do mundo. Esse grande debate sobre a Grande Florianópolis assume importância nos meios de comunicação, neste Poder Legislativo, nos poderes municipais, entre os poderes constituídos e na sociedade quando há um conflito, quando os estudantes fecham a frente do terminal, a Mauro Ramos, a av. Beira Mar, quando tentam fechar as pontes, em virtude de mais um aumento na passagem. E todo ano isso acontece!
Há seis meses um empresário reclamou que estava perdendo a sua clientela de usuários de ônibus. Mas é óbvio, todo mundo que tenha alguma condição e que não esteja com a ficha suja lá no Serasa, vamos dizer dessa forma, e que esteja ganhando cerca de R$ 1 mil por mês, pode financiar um carro ou uma moto e parar de andar de ônibus, porque é demorado, ruim, superlotado, atrasado e fica parado na fila da mesma forma.
Então, aqueles que podem, vão comprar e andar de carro. E quem não pode? Quem não pode, não sai do seu bairro.
Calculo, deputado Antônio Carlos Vieira, que 30% da população que mora nos bairros populares da Grande Florianópolis não consegue sair de lá, sequer, para pedir emprego, porque é muito caro andar de ônibus, as pessoas têm que sair de bicicleta, caminhar ou pedir carona para o vizinho. Então, temos que refletir sobre isso; inclusive, há empresário reclamando que está perdendo usuário. Mas é claro, quem vai andar num ônibus lotado, ficar parado na fila e pagar mais caro do se estivesse andando de carro?
Li, outro dia, que o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, acha que fazer transporte marítimo em Florianópolis não tem sentido, porque levaria nada a lugar nenhum. Com todo o respeito ao prefeito, quero dizer que foram construídas na Grande Florianópolis várias rodovias asfaltadas que, essas sim, levam nada a lugar nenhum.
Gostaria de dizer, ainda, que a ilha é bastante habitada, encostada num continente muito mais habitado ainda. E o transporte marítimo não tem viabilidade? Tudo me leva a crer que a situação é ruim e vai piorar se continuar assim, até porque essa meia dúzia de empresários que ganham dinheiro com a concessão pública, o transporte coletivo, estão muito bem encastelados nos poderes municipais, não só aqui como também em outros municípios, como São José, Palhoça, e de certa forma no poder estadual. Aí continuam sacrificando o conjunto da população e continuam prejudicando a economia.
Temos que considerar que se cada pessoa ficar parada uma ou duas horas no trânsito, na fila, todos os dias, está-se prejudicando a qualidade de vida da população e, consequentemente, o desenvolvimento econômico dessa sociedade. Temos que pensar, principalmente, no futuro da humanidade, porque o transporte individual é uma irracionalidade. É claro que jogar todo mundo para dentro de um ônibus não é possível, mas pensar em alternativas de transporte, como o marítimo, com certeza é mais barato do que esse que estamos pagando. A sociedade pagaria menos e o poder público estaria fazendo um grande serviço à população, o que não está acontecendo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)