Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Flavio Ragagnin

91ª Sessão Ordinária - 21/10/2010

O SR. DEPUTADO FLAVIO RAGAGNIN - Sr. presidente, srs. deputados e telespectadores da TVAL, eu gostaria de saudar os pares do Partido Progressista, que estão em número bem grande nesta Casa e dos quais me orgulho.

Quero fazer também um comentário, aproveitando o gancho do discurso do nobre deputado Silvio Dreveck, que falou, com muita propriedade, sobre a questão da taxa de câmbio, que está muito defasada no país, e sobre as altas taxas de juros.

Eu gostaria de fazer um relato para que v.exas. saibam o tamanho do problema. O frigorífico Marfrig, de Seara, por exemplo, abate por dia 180 mil aves, cinco mil suínos e tem em torno de três mil funcionários, com uma população de 17 mil habitantes.

Eu quero reforçar todo o trabalho que é feito desde o leitãozinho, o pintinho, o aviário, a criação, até a terminação. Quantas pessoas, quantos agricultores trabalham para que se consiga essa produção? Daí se fala bonito, que o país está produzindo bastante, que o Brasil está com a agricultura forte, que produz carne, frango e uma série de produtos, diz-se que o Brasil produz e exporta bastante comida, mas o preço não compensa. Agora é que o suíno está tendo uma leve melhora, porém o que é que acontece? Quando falta milho ou quando ele sobe de preço, o país importa. Quando aumenta o preço do arroz, o país importa. Quando sobe o preço do leite, o país importa. O que isso significa? Significa que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, que é a classe produtiva. Até quando esse pessoal vai aguentar eu não sei, mas a nossa agricultura está ficando cada vez mais velha e o trabalhador está desanimando. E vejam, a comida não sai de moda, sempre teremos necessidade de produzir alimentos e as pessoas sempre terão que comer, algumas, três vezes ao dia; outras, uma ou duas, infelizmente.

Temos que rever esse assunto porque a classe produtiva tem que ser mais valorizada. Se o pobre não pode comprar porque o produto aumentou, que se aumente o valor do Bolsa Família! Se o pobre não pode comprar porque o salário mínimo não comporta, que se aumente o salário mínimo. Agora, a classe produtiva não pode pagar a conta, como há muitos e muitos anos está fazendo. Essa é uma reflexão que segue a mesma linha, a mesma lógica do que falou o deputado Silvio Dreveck. As pessoas dos países desenvolvidos ou coisa parecida estão colocando dólar no Brasil para tomar o nosso dinheiro! Quer dizer, se os juros estão altos e as pessoas estão ganhando dinheiro com os juros, alguém tem que pagar a conta. Quem é que paga a conta? É quem trabalha!

Entendi bem quando v.exa. falou, deputado Silvio Dreveck, que o país está caminhando num rumo muito complicado porque quando o trabalho vale menos do que a especulação financeira, forma-se uma bolha que uma hora ou outra irá estourar. Ou seja, se você faz uma aplicação financeira e ganha mais do que se estivesse trabalhando, é mau sinal.

Então, a bancada do Partido Progressista tem que rever esse assunto porque o discurso do deputado Silvio Dreveck é muito importante, é muito interessante e deve ser analisado.

Buscam-se, muitas vezes, alternativas de geração de emprego e renda. As pessoas falam em turismo, e aí eu gostaria de colocar, deputado Reno Caramori, v.exa. que conhece bem esse setor, que para se fazer uma viagem de Seara a Florianópolis, por exemplo, transportando 30 ou 40 pessoas num ônibus, há que se pagar uma taxa de R$ 245,00 para o Deter e mais R$ 90,00 quando entra em Florianópolis, que é a taxa municipal. Mas se você vai de Seara a Curitiba, não paga nada! Se vai de Seara a Porto Alegre, também não paga nada!

Então, temos que rever esse assunto, porque isso significa quase 10% de acréscimo. Se uma das alternativas, que é o turismo, é punido com impostos e mais impostos, isso deve ser melhor analisado.

Quero também reforçar um assunto, e sei que o deputado Moacir Sopelsa vem batalhando muito por isso porque por esses dias o vi indignado. Trata-se do recapeamento da BR-153, em Jaborá, que foi solicitado naquele período de 60 dias em que assumi como deputado nesta Casa. Nós pedimos o recapeamento em março de 2008 e até agora nada!

Solicitamos também a revitalização do trecho entre Seara/Xavantina/Xanxerê, na SC-466, em março de 2008, e o que nos responderam é que as taxas de ocupação da rodovia seriam utilizadas para o recapeamento do trecho solicitado. Vamos esperar mais 20 anos! Se formos pensar nas taxas, no valor das taxas, nós vamos longe. Não tenho dúvida disso.

Mas vou-me reportar, com orgulho, a um assunto que vimos hoje nos noticiários. Vai começar a ser exibido hoje o filme sobre Fritz Plaumann, na Fundação Cultural Badesc, às 19h. Esse filme conta a história do maior entomólogo da América Latina, que, para orgulho nosso, é de Seara. Quando fui vice-prefeito de Seara e Aurélio Nardi, prefeito, foi adquirida uma coleção com 70 mil espécies de insetos. Uma das maiores coleções do mundo! E orgulho-me porque essa coleção foi adquirida pela prefeitura no mandato de Aurélio Nardi/Flavio Ragagnin.

Depois, quando fui prefeito, nos anos de 1983 a 1988, foi construído um museu, que está lá até hoje. E para nossa satisfação, a SC-283 até o distrito de Nova Teutônia está sendo asfaltada, justamente por causa de Fritz Plaumann. Então, o importante é que Fritz Plaumann, com a sua história, conseguiu fazer com que o asfalto chegasse ao distrito de Nova Teutônia.

(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)