Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

45ª Sessão Extraordinária - 13/10/2009

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, deputado Jailson Lima, srs. deputados e sras. deputadas, até 2016 o Rio de Janeiro terá que plantar 24 milhões de árvores em função do impacto que as Olimpíadas vão produzir.

Mais uma vez eu pergunto: todos os que estão organizando as festas de outubro e que produzem impactos no meio ambiente estão plantando alguma árvore, sejam eles promotores ou prefeitos?

Existe a lei da neutralidade, que hoje em dia é uma concepção mundial. Não poderá ser realizado nenhum evento se não existir uma maneira de neutralizar o dióxido de carbono produzido, pois ele é o grande causador do efeito estufa e, consequentemente, do aquecimento global. E poderão ocorrer os extremos climáticos, pois o efeito estufa não provoca apenas o aquecimento da atmosfera, mas a desregulamentação ambiental, causando topo tipo de tragédia natural.

Então, mais uma vez nós estamos fazendo este apelo público, no sentido de que os municípios que estejam organizando festas em outubro plantem algumas árvores. Não é preciso que plantem todas, só as necessárias. Existe uma tabela que calcula o número de árvores de acordo com o número de freqüentadores. Mas é preciso que sejam plantadas essas árvores para neutralizar o dióxido de carbono, cumprindo uma lei estadual que é pioneira no Brasil.

Outra questão que gostaríamos de deixar clara e que hoje aqui foi mencionada é o fato de termos rompido com o governo federal e deixado o poder. Isso é inédito! Um partido sempre procura aproximar-se do poder, mas o PPS rompeu. Por quê? Porque um dos principais itens pelo qual tanto lutamos, a reforma agrária, não foi cumprido pelo governo federal.

O Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda não realizou a sua reforma agrária. Entretanto, sem sombra de dúvida, talvez seja o melhor país do mundo para realizá-la através da organização pública, com respeito, com distribuição de terra, dando condições técnicas e moradia aos assentados. Para isso basta implementar uma política pública de reforma agrária e não como está acontecendo agora, com confrontos.

Srs. deputados, com relação a esse tipo de confronto a que estamos assistindo, com a invasão, pelo MST, de uma fazenda e a destruição de plantações de laranja, há 30 anos já se dizia uma frase muito tranquila: Que culpa tiene el tomate? Ou seja, o que tem a ver as laranjeiras com a reforma agrária?

Nós temos que começar a entender a luta pelos direitos políticos. No final da última década do século XIX, quando surgiu a industrialização com toda a sua força, nas primeiras greves de trabalhadores eram destruídas as máquinas! Mas o que tinham a ver as máquinas com as reivindicações dos trabalhadores? Isso até chama a atenção para o fascismo, e temos que ter cuidado.

Como dizia, os teares, que hoje são obsoletos, naquela época eram destruídos porque tiravam o emprego dos trabalhadores que vinham do sistema de artesanato. Mas a máquina não é uma inimiga, ela é uma aliada do trabalhador, segundo o conceito da mais-valia que Karl Max criou, do avanço da ciência e da tecnologia para beneficiar a humanidade.

Da mesma forma, quando os movimentos dos trabalhadores agrícolas invadem um laboratório de pesquisa, isso não é um ato político de avanço, é um ato fascista que combate o conhecimento tecnológico. Por mais justa que seja a reforma agrária, e é justa a luta pela reforma agrária, nós temos que separar uma coisa da outra.

Então, sr. presidente, é por isso que existem diferenças na esquerda, tanto na forma de pensar como de conduzir o processo. E o que realmente os nossos agricultores precisam é de conhecimento técnico, é saber trabalhar coletivamente no reflorestamento, no plantio de árvores frutíferas, naquilo que rende mais, e não somente naquela produção em que o grande latifundiário tira o valor do trabalho do pequeno agricultor, que é a questão da alimentação.

Sr. presidente, vou ceder o restante do meu tempo ao deputado Giancarlo Tomelin, mas vamos voltar a discutir esses assuntos ligados, principalmente, à reforma agrária, ao meio ambiente, à educação e ao saneamento.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)