Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

12ª Sessão Ordinária - 07/03/2007

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, demais pessoas que nos acompanham neste momento, servidores e servidoras da Casa, faço este pronunciamento especialmente às mulheres de nosso estado que nos estão ouvindo.

Gostaria antes, porém, de falar sobre uma outra atividade importante, bonita, desprendida, que estará sendo realizada na Grande Florianópolis, esta semana e na próxima, para a qual estamos dando apoio, assunto este a que o deputado Pedro Baldissera já se referiu no dia de ontem, que é a presença de 15 jovens, filhos de agricultores do Movimento dos Atingidos por Barragens, nesta cidade, junto com outros jovens do movimento estudantil, do movimento urbano, fazendo uma campanha de esclarecimento e de denúncias contra os altos preços da energia elétrica em nosso país.

Segundo dados que eles trouxeram, todos nós, sem exceção, ou melhor, nós, da sociedade, as pessoas comuns, nós, que moramos numa casa, que não temos uma grande empresa, um grande monopólio, estamos pagando a energia elétrica que os grandes monopólios utilizam. Esses dados demonstram também que depois das privatizações ocorridas, na década passada, no setor de geração de energia elétrica de nosso país, o preço da energia tem aumentado muito acima da inflação.

Então, esse movimento que esses garotos estão fazendo e que nós estamos apoiando é interessante, pois ele não tem nenhum objetivo político-partidário, político-eleitoral e, muito menos econômico. Esse movimento tem como objetivo o esclarecimento às populações das grandes cidades de que nós estamos sendo roubados pelas potentes empresas geradoras de energia elétrica e pelos grandes monopólios privados e todos os outros que pagam sete vezes menos, deputado Edson Piriquito, do que pagamos em nossa casa pela energia que consumimos.

Gostaria, então, de saudar esses jovens pela iniciativa e pelo trabalho.

O segundo ponto que eu quero tratar diz respeito a uma questão que já foi colocada e discutida nesta tribuna, no dia de hoje, ou seja, o Dia Internacional da Mulher, a ser celebrado amanhã, dia este que nós estaremos em atividade com relação à data.

Eu quero registrar e resgatar que o Dia Internacional da Mulher não surgiu da idéia de alguns senhores, de alguns homens comprarem muitas flores e levarem para as suas esposas ou namoradas; não saiu de uma iniciativa dos homens convidarem as suas esposas e as suas namoradas para irem ao shopping center comprar bastantes presentes. Muito pelo contrário! Esse dia e essa data surgiram da luta e da resistência de 129 mulheres operárias que foram queimadas, incineradas vivas dentro de uma fábrica nos Estados Unidos da América, em 1857.

Eu trago este assunto para refletirmos acerca de um país que constitui, hoje, no maior império mundial e que se orgulha disso. E às vezes ainda reproduzimos ou aceitamos a idéia de que se trata da maior democracia do mundo, a democracia universal. Esse país criou o Dia Internacional da Mulher.Os homens de Nova York, os burqueses de Nova York criaram esse dia incinerando 129 mulheres no dia 8 de março de 1857.

Mas não somos somente passado, somos presente, e as nossas mulheres, hoje, também lutam pelos seus objetivos, como as mulheres policiais e as mulheres bombeiras militares do estado de Santa Catarina, que continuam na luta para que seja remetida a esta Casa o projeto de lei que lhes garante a aposentaria aos 25 anos de serviço. Essa lei foi aprovada na Assembléia Legislativa no dia 8 de março do ano passado, Dia Internacional da Mulher, numa grande festa, mas para as mulheres policiais e para as mulheres bombeiras militares essa lei ainda não está valendo porque falta regulamentar um dispositivo do estatuto dos militares estaduais.

Por isso estamos enviando um pedido de informação ao governo do estado, no sentido de sabermos o dia em que virá a esta Casa esse projeto, a fim de podermos aprová-lo.

Quero falar também de um outro assunto, das mulheres agricultoras, do Movimento de Mulheres Camponesas, que estão desde cedo na Grande Florianópolis para debater as suas questões em conjunto com as mulheres do movimento urbano.Elas estão, hoje, na comunidade do Jardim Zanelatto, que é a comunidade onde eu vivo, e em outras comunidades discutindo com as mulheres dos bairros os problemas em geral das mulheres, principalmente na área da previdência, de saúde e dos direitos elementares. Elas ficarão hoje, também, a noite inteira em vigília em frente ao INSS, na praça Pereira Oliveira.

O parlamentar que quiser conferir é só ir lá, que elas ficarão a noite inteira em vigília lutando pelos seus direitos, até as 8h. E às 10h, como já aprovamos aqui, elas estarão nesta Casa para fazer uma manifestação desta tribuna. À tarde, às 13h30min, elas se encontrarão na praça Tancredo Neves e farão uma marcha pela cidade, encerrando esse ato e a presença delas na cidade.

Então, eu queria fazer o registro desse movimento, parabenizar e saudar todas as mulheres do nosso estado, também as deputadas Ada De Luca, Ana Paula Lima e Odete de Jesus, bem como as servidoras deste Poder Legislativo e todas as mulheres que nos estão ouvindo.

Quero pedir permissão aos srs. deputados e às sras. deputadas para fazer uma homenagem especial a duas mulheres. Primeiro, a minha mãe. Agricultora pobre, sem terra, da cidade de Imbuia, que com sete filhos, junto com o seu marido, meu pai, teve que trabalhar duramente para garantir o emprego e a possibilidade de estudo a todos os oito filhos; garantir aos filhos que freqüentassem a escola, mesmo caminhando mais de quatro quilômetros, ou seja, 4.200 metros, para chegar até o colégio. Eles nunca deixaram de nos incentivar e de nos empurrar para a escola. Minha mãe, agricultora pobre, passou por necessidades e privações pessoais.

Em segundo lugar, quero fazer uma homenagem especial a uma outra pessoa, que é a minha esposa. Natural de Anita Garibaldi, crescida em Lages, auxiliar de enfermagem, deputadas Ana Paula e Ada De Luca, servidora pública efetiva da secretaria de estado da Saúde, que trabalha e não que trabalhou. Ela trabalha, inclusive, como mulher de deputado, no Hospital Florianópolis, nesta cidade, regularmente, por vontade própria, por decisão própria; mulher lutadora, mulher comunista, mulher filha do povo, mulher que não aceita ser madame, mulher militante desta vida.

Quero fazer esta homenagem pelas muitas injustiças cometidas com elas. Aliás, a minha esposa está lá, hoje, no Jardim Zanelatto organizando a presença ou ajudando a organizar a presença do Movimento de Mulheres Camponesas.

Eu estou fazendo este pronunciamento, com a autorização dos senhores e das senhoras, para dizer a ela, que penso que vai me ouvir, não agora, mas em outra ocasião, que constitui, neste ser humano que está aqui, uma das pernas, os dois braços e a metade da cabeça. Ela não está atrás nem no lado, talvez esteja à frente do companheiro dela.

Então, uma homenagem a todas as mulheres de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)