58ª Sessão Ordinária - 16/07/2008
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Srs. deputados, o deputado que me antecedeu acabou fazendo uma citação sobre o Festival de Dança de Joinville. E como morador da cidade de Joinville, devo assinar embaixo tudo o que o deputado acabou de falar, acrescentando mais ainda: o nosso Festival de Dança de Joinville, hoje, faz parte do calendário dos principais eventos em nível de Brasil. E muita gente se esquece que o pai dessa idéia foi justamente o nosso governador do estado, Luiz Henrique da Silveira.
Aliás, tenho escutado muito nos últimos tempos, principalmente aqui nesta Casa, que para qualquer problema, de qualquer ordem, imediatamente se aponta o dedo em direção ao governador do estado, Luiz Henrique da Silveira. Dois policiais se corrompem, vendem-se, facilitam a fuga de 43 presos, imediatamente se aponta o dedo para o governador. Ele é o culpado. Qualquer coisa que aconteça neste estado, imediatamente se corre para esta tribuna para crucificar o governador Luiz Henrique. É impressionante, mas faz parte do jogo político, faz parte da democracia.
Mas quando vemos esses fatos sendo diariamente batidos na mesma tecla, até a própria Oposição começa a perder um pouco a sua credibilidade, porque para tudo o que acontece, imediatamente se corre atrás do culpado, o governador Luiz Henrique, que deve ter costas largas, pois tudo que se faz de errado ele é o grande culpado e esquecem-se das grandes obras, das grandes iniciativas que este governo trouxe para Santa Catarina.
Não é preciso citar muita coisa. Os municípios que antes não tinham os seus acessos asfaltados, hoje praticamente todos estão com asfalto. Nós podemos fazer inúmeras citações, mas nenhuma delas será suficiente para que principalmente a Oposição desta Casa reconheça algum valor no nosso governador. Faz parte, mas faz parte até um determinado ponto, porque a partir daí a coisa parece que parte mais para questões pessoais, para questões políticas mal resolvidas ou de políticos mal resolvidos. Mas, enfim, a vida continua.
Mudando de assunto, eu estava em Joinville - e, aliás, estou sempre por lá - e reparei como o nosso Hospital São José está sobrecarregado. Tenho um amigo que ficou hospitalizado, na semana passada, lá no corredor do hospital durante dois dias. Pediram, inclusive, a minha interferência, e eu neguei porque não faço isso por meus critérios. Não faço para ninguém tentar tirar alguém da fila para se sobrepor aos demais que ali estão. Não faço!
Mas um amigo de longa data ficou nos corredores do hospital durante dois dias, até conseguir um quarto para ser internado. Ele apelidou o corredor do São José de Carandiru e disse-me: "Fiquei no Carandiru, Nilson Gonçalves, durante dois dias". Graças a Deus já está retornando para a sua casa.
Isso não é um fato apenas do hospital de Joinville, do hospital de Florianópolis; é um caos que se estabeleceu na saúde pública deste país como um todo, eu diria. Mas em Joinville, lá especialmente onde eu convivo e conheço melhor, o problema está bem mais agravado por conta, e os senhores podem até não acreditar, do aumento diário de acidentes, principalmente com motocicletas.
Nós, nos últimos cinco anos, quadruplicamos o número de veículos de duas rodas, de motocicletas, em Joinville. Tínhamos, há cinco anos, duas ou três revendas de moto, e hoje temos umas 15 autorizadas. São motos que nem eu, que sou antigo no ramo, conheço a marca, e estão instaladas em Joinville vendendo uma barbaridade. E cada vez irá aumentar mais o número de motocicletas, por conta do problema do trânsito que nós enfrentamos com os congestionamentos. E esse aumento não será apenas lá, mas em Florianópolis e em outros grandes centros. E assim ocorre o aumento do número de muitos acidentes!
Então, hoje, os nossos hospitais estão sobrecarregados de vítimas de acidentes. Aqueles enfermos com doenças, quando vão para os hospitais, deveriam ter lá uma vaga para se internar, mas estão perdendo essas vagas para os acidentados, porque o cidadão entra no hospital doente, seja lá com que tipo de doença, e vai para a fila aguardar ser atendido. Imediatamente chega um acidentado todo arrebentado e é claro que aquele terá prioridade. E não demora muito e já chega outro. Nós chegamos ao cúmulo, em Joinville, de as ambulâncias não poderem ir embora, porque a própria padiola na qual eles colocaram o acidentado não pode ser desocupada. E essas pessoas estão ocupando o lugar daqueles nossos docentes que normalmente ocupariam essas vagas.
Estamos sugerindo ao governador que possa ser instalado, em Joinville, um hospital especializado em traumatologia para desafogar os hospitais normais que nós temos lá. Um hospital especializado em traumatologia específico para atender às pessoas acidentadas em qualquer tipo de acidente dará uma atenção melhor, um encaminhamento melhor, e assim não irá sobrecarregar os hospitais da cidade.
Acredito que isso deva acontecer em Joinville e também em outros centros, por conta dessa incidência fantástica de acidentes que nós vimos no dia-a-dia.
Muito obrigado, sra. presidente.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)