Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado João Henrique Blasi

32ª Sessão Ordinária - 09/05/2006

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. presidente, srs. deputados, o eminente deputado Joares Ponticelli, e eu reconheço os seus pendores oposicionistas, que exerce com muita contundência o relevante papel de oposição no regime democrático, noticiou um debate havido numa rádio do sul do estado entre sua excelência e o secretário de Desenvolvimento Regional de Tubarão. E trouxe alguns detalhes acerca dessa situação, através da qual, pelo que depreendi, fez-se ou procurou se fazer uma comparação entre a atual e a anterior gestão de governo nos mais variados aspectos, ou seja, nos diversos segmentos de atuação da gestão de governo.

Eu penso que é importante na medida em que serve para elucidar uma situação e para levar ao conhecimento da população aquilo que alguém fez ou diz que fez e aquilo que outro alguém fez ou diz que fez. Mas na verdade é o tipo de situação que nós de certo modo convivemos aqui, diariamente, da tribuna desta assembléia, em que os deputados da Oposição vêem sempre, ou quase sempre, erros, equívocos ou omissões nas ações do governo e em que os deputados do governo vêem sempre, ou quase sempre, apenas e tão-somente, acertos na gestão de governo. Ou seja, tudo é questão de ponto de vista, e nós sabemos que o ponto de vista nada mais é do que a vista a partir de um ponto. E o que determina essa visão são os valores que a pessoa tem: os valores de relacionamento, de interesse político, de amizade, de situação ou de oposição. Esses valores influem sobremaneira na visão, na interpretação e na divulgação de um fato.

Portanto, é efetivamente natural que caiba ao deputado de Oposição ver apenas as mazelas do governo, fazer que não vê os acertos do governo e que o contrário ocorra com o deputado de Situação. Mas o fundamental é que nessa visão caleidoscópica, aquele instrumento que eu olho agora, vejo de uma forma, dou ao deputado Manoel Mota e, no minuto seguinte, ele já vai ver uma outra forma, pela mudança, pela movimentação dos cristais dentro daquele aparelho. Essa visão caleidoscópica é inerente à atividade política, mas o fundamental no regime democrático é que periodicamente, de dois em dois anos ou de quatro em quatro anos, há a renovação de mandatos, o julgamento popular, e é aí, nesse julgamento popular, é exatamente aí, nesse momento, pelo pronunciamento soberano das urnas, que se pode verificar se aquele governo foi exitoso, se foi eficiente, se foi eficaz, se aquele governo foi efetivo ou se não foi.

Foi exatamente isso o que aconteceu, deputado Manoel Mota, quatro anos atrás. Tivemos um governador candidato à reeleição, disputando-a do alto do cargo de governador, privando-se de todas as mordomias e de todos os predicamentos inerentes ao cargo de governador, submeteu-se a um pleito e viu rejeitada a sua proposta de continuidade administrativa pela população de Santa Catarina. E é exatamente esse o mesmo processo dialético que vamos viver e conviver daqui a cinco meses, em outubro, quando mais uma vez a população catarinense será chamada a decidir, a arbitrar essa situação. Quando ela poderá comparar o governo de nosso antecessor, se ele vier efetivamente a ser candidato a governador, com a gestão do atual governador, que se licenciou para não se utilizar do cargo em detrimento dos demais postulantes. Nesse momento é que nós teremos o debate fundamental, o debate do povo com as urnas, que vai dizer soberanamente se o governo atual, diferentemente do anterior, merece continuar. É esse o grande momento democrático, político, que todos nós, se Deus quiser, haveremos de presenciar em outubro próximo.

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Ouço o eminente deputado Manoel Mota.

O Sr. Deputado Manoel Mota - Meu grande líder João Henrique Blasi, nosso deputado que representa o governo nesta Casa, que tem feito com uma visão, que tem feito com uma competência extraordinária a cada momento, articulando, negociando o que é possível em defesa dos servidores, da sociedade, para poder alcançar um governo aberto, um governo transparente, um governo popular, que é isso que é o governo Luiz Henrique da Silveira.

E aí, evidentemente, aqueles que passaram pelo governo, deputado João Henrique Blasi, e que enganaram a população, que não construíram absolutamente nada e que foram derrotados nas urnas, só podem estar desesperados. Inclusive, vi hoje o Joares Ponticelli com um discurso mais devagar, mais calmo. Acho que o candidato dele já saiu da parada. S.Exa. fez um discurso num tom bastante desanimado ou a fita, então, gastou ou a pontinha do CD. E aí não está saindo mais aquela voz, aquele eco todo. Mas com certeza tem muito tempo ainda para aprender ser uma Oposição perfeita, e ele sabe. Já é boa a Oposição, mas vai ter que aprender mais, porque vai ficar muito tempo naquela bancada de Oposição e vai ser um grande mestre como Oposição.

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Deputado Manoel Mota, v.exa. realmente é uma figura imprescindível neste Parlamento pela sua sabedoria popular, pela forma simples, mas contundente, com que coloca as coisas, respeitando as pessoas. V.Exa. é imprescindível a este Parlamento, e quero crer que na eleição de outubro será feita justiça a v.exa. para retornar na condição de titular e gozar de mais quatro anos com mandato efetivo nesta Casa, onde já se encontra por cerca de 16 anos. E quero fazer coro à manifestação de v.exa., dizendo que concordo com ela porque efetivamente essa é realmente a situação que estamos vivendo.

Por último, sr. presidente, para concluir este espaço que me cabe, quero dizer que também estou apreensivo com a nova rodada de negociações a ser feita entre o governo do estado e o Sindicato dos Trabalhadores da Educação, Sinte. Mas quero crer que uma conversa franca, mostrando os avanços dados pela atual gestão do governo sobre a impossibilidade de ir mais além no que diz respeito às cláusulas financeiras que são objetos das reivindicações, possa fazer com que haja um amplo entendimento e que possamos voltar à normalidade, sendo certo que num momento em que houver a possibilidade financeira, a condição instrumental, o governo do estado continuará a sua política de valorização da classe docente em Santa Catarina, como já fez através de uma série de iniciativas que foram aqui colocadas. Aliás, na última quinta-feira, a deputada Simone Schramm desta mesma tribuna elencou os aperfeiçoamentos, elencou os ganhos, elencou os avanços que foram dados, e muitos outros haverão de ser dados com parcimônia, com tranqüilidade e com calma.

Eu tenho certeza de que nós vamos ultrapassar este momento atual de dificuldade em função do momento grevista e estabelecer uma convivência edificante, uma convivência em favor de Santa Cataria, repito e concluo, sendo certo de que o governo deseja e vai-se manter nesta senda de valorizar sobremodo os trabalhadores da Educação em Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)