Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

23ª Sessão Solene - 11/07/2006

O SR. PRESIDENTE (Deputado Herneus de Nadal) - Convido, neste momento, para fazer uso da palavra, o ex-presidente e, agora, secretário de estado, sr. Francisco Küster.

O SR. FRANCISCO KÜSTER - Excelentíssimo sr. deputado Herneus de Nadal, presidente da Assembléia Legislativa em exercício e autor do requerimento que ensejou a presente sessão solene;

Excelentíssimo sr. desembargador Pedro Manoel de Abreu, governador do estado de Santa Catarina em exercício;

Excelentíssimo sr. conselheiro, José Carlos Pacheco, neste ato representando o Tribunal de Contas do Estado;

Excelentíssima sra. professora Elisabete Nunes Anderle, secretária de estado da Educação, Ciência e Tecnologia e esposa do homenageado;

Excelentíssimo professor, sr. Lúcio José Botelho, magnífico reitor da Universidade Federal do estado de Santa Catarina;

Sr. professor Adélcio Machado dos Santos, presidente do Conselho Estadual de Educação;

Excelentíssimo sr. Wilmar Anderle, professor e vice-reitor da Universidade da Região de Joinville - Univille, senhoras e senhores.

Quero me reportar a Elisa, ao Ricardo e ao Fernando, os filhos do nosso querido homenageado; à d. Bete; ao dr. Vítor Anderle, irmão do nosso saudoso professor Jacó que foi, inclusive, o nosso delegado regional em Lages; ao sr. Hercílio e à d. Marília, seus progenitores - e peço permissão ao ex-deputado Moacir Bertoli, conselheiro e ex-presidente desta Casa, lá de Taió.

Srs. deputados, falar do professor Jacó, o deputado Herneus de Nadal já o fez num pronunciamento muito bem elaborado. Mas irei no caminho do improviso, falar do amigo, do saudoso amigo e militante. Como não sou candidato a nada nestas eleições, sinto-me à vontade para falar do militante político-partidário, que foi o professor Jacó. Nos idos de 1974, disputávamos a primeira eleição à Assembléia Legislativa. Eu cheguei, v.exa. também chegou, deputado Moacir Bertoli, e o professor Jacó ficou como suplente.

E, ali, nós iniciamos uma caminhada professora Bete, são 32 anos. Passaram-se 32 anos desse embate eleitoral, fizemos uma amizade com o professor Jacó, militante, político-partidário, intelectual, ponderado. O professor Jacó Anderle ficou como suplente e ali nós iniciamos uma caminhada, professora Elisabete Anderle. Foram 32 anos! Passaram-se 32 anos desse embate eleitoral e aí fizemos uma amizade com o professor Jacó Anderle.

Militante político-partidário, intelectual ponderado, logo, logo iniciou os seus trabalhos na Fundação Pedroso Horta e se engajou na construção e no fortalecimento, à época, do MDB fazendo e ministrando cursos, formando e orientando políticos.

Há pouco ainda relembrava, quando conversava com o dr. Saulo Vieira, daquela época. E o tempo passou e continuamos a caminhada. Lembro-me muito bem que num embate partidário acabamos guindados à condição de secretário-geral do MDB, à época, quando o saudoso ex-governador Pedro Ivo Campos foi eleito presidente. E nós precisávamos fazer um bom trabalho, porque combatíamos um bom combate; lutávamos contra a ditadura militar e não podíamos vacilar, não podíamos deixar transparecer o medo, o receio de avançar. E o professor Jacó Anderle, na retaguarda, nos orientava, nos passava as informações e, não raras vezes, nos aconselhava.

Naquela oportunidade, entramos em consenso com Pedro Ivo que deveríamos tê-lo como secretário executivo do partido, mas quando foi ao município de Tubarão sofreu um acidente e não pôde mais assumir! D. Elisabete Anderle lembra bem! Aí tivemos que recorrer a um outro companheiro, que acabou assumindo, e depois ocorreram aquelas questões internas do bipartidarismo.

Eu quero saudar aqui, respeitosamente, o secretário Ivo Carminati, nosso prezado amigo. Naquela época, era muito jovem, mas com certeza lembra desse relato rápido que estou fazendo.

E nós continuamos a caminhada. E o tempo passou, as eleições sucederam e nós fomos vencendo batalhas e batalhas nos embates eleitorais, até que culminou com o fim do regime militar. Derrotamos o autoritarismo e restabelecemos o estado de direito democrático. Eu tive o privilégio de ter sido constituinte. Nesse exato momento, nós precisávamos de um projeto para o Brasil e olhávamos no horizonte e não vislumbrávamos um projeto político-partidário para o Brasil. Nós, até então, naquela trincheira valente, que era o MDB, depois o PMDB, nos especializamos no combate ao regime militar que a tudo cerceava, em que as pessoas não podiam dizer qualquer coisa, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Nós vencemos, mas precisávamos de um projeto para o Brasil. Dentro do PMDB não foi possível avançar nessa idéia do projeto, capitaneados pelos saudosos Mário Covas, Franco Montoro, José Richa, dentre outros. Estou me reportando, in memoriam, a esses líderes que, tal qual o professor Jacó Anderle, apressadamente partiram antes que nós outros. Um dia nós vamos nos encontrar, mas eles foram na frente!

Pois bem: decidimos, então, criar um projeto para o Brasil. O professor Jacó Anderle, à época, estava no Incra. Eu o procurei e ele me disse o seguinte: "Tio Küster, saio amanhã!" Eu disse: "Não, vamos devagar, vamos devagar!" Voltei lá e conversei. Disse assim: "Olha, eu preciso de um companheiro para fazer partido em Santa Catarina. Sozinho não dá para fazer, eu sou um combatente de linha de frente." Éramos eu e o Vilson de Souza.

Na época, em Santa Catarina, os três grandes partidos, já no pluripartidarismo, tinham seus comandos no estado. Pelo PMDB, o nosso prezado amigo governador Luiz Henrique da Silveira; pelo PFL, o sr. Jorge Bornhausen e pelo PDS, o sr. Esperidião Amin. Não era fácil construir um partido novo. Nós precisávamos de alguém com cabeça pensante, um intelectual, um militante. Dificilmente alguém consegue conciliar esse estado de capacidade, o intelectual e o militante, porque ele era um militante por excelência.

Eu segurei um pouco, retornei a Brasília e aí Mário Covas, com aquele jeitão dele direto, me perguntou: "Küster, você já trouxe o Anderle?" Eu respondi: "Não, ele está no Incra". "Não importa. "Mas o que é que ele te disse?" Eu respondi: "Ele disse que sai amanhã". E ele respondeu: "Então, deixa o Anderle". E foi assim que nós começamos uma caminhada, uma jornada nova.

Não foi fácil! Saíamos pelo estado de Santa Catarina, eu e o Jacó, ele dirigindo o carro, às vezes nós nos alternávamos, ele dirigia numa oportunidade, eu em outra oportunidade, e assim nós construímos o PSDB.

Mas o professor Jacó, no exercício das suas atividades públicas, não misturava a política, essa coisa abominável do chamado jeitinho, com a capacidade do intelectual, do executivo, do homem público, do agente público responsável. Ele conduzia, com extrema maestria, as coisas sem misturar. Nunca deu margem para que alguém dissesse o seguinte: "Jacó, você está usando do cargo para tirar proveito político-partidário." Não! Depois do expediente ele se transformava num militante político-partidário. Era uma coisa extraordinária.

Deputado Herneus de Nadal, parabenizo-o pela louvável iniciativa de prestar esta homenagem, in memoriam, a esse querido amigo. Ele deixou, sim, no PSDB, uma lacuna, e num curto ou médio prazo eu não vislumbro no horizonte alguém capaz de ocupar o seu espaço. Jacó orientava no partido, ia para a escola de governo, saía orientando as pessoas. Era assim o Jacó. Era de uma energia extraordinária.

Dez dias antes de ir a óbito esteve em Lages, um dia muito frio. Eu disse a ele: "Professor Jacó, como é que o senhor está?" Ele respondeu: "Estou bem, tio Küster, estou bem, muito bem!" Animando as professoras, sonhando com o projeto, com a transformação, com a evolução e nos dizendo: "Vamos fazer, vamos fazer."

Ficou um dia inteirinho em Lages, dez dias antes de falecer. Era impressionante isso nele! Ele era movido pela vontade, pelo desejo de fazer, de realizar. O mais importante no Jacó é que ele era um excelente ator.

Como profissional no exercício da coisa pública, era muito competente, não deixava margem para que alguém dissesse que tinha pisado na bola. Ele era um militante político-partidário, um orientador e um formador de consciência.

Quero, ao encerrar, dizer à professora Bete, aos seus filhos, aos seus cunhados e irmãos do nosso saudoso homenageado que vocês têm muito que se orgulhar dele e eu me orgulho também muito de ser amigo de Jacó.

Muitas foram às vezes em que ele me chamava no particular e dizia: "Tio Küster, não é bem assim." Respondia-lhe: "Mas, professor, vai lá." E ele respondia: "Não, tio Küster, nós vamos chegar lá onde o senhor quer, mas o caminho não é bem esse aqui. Vamos com jeitinho." Ele me orientava sempre assim, porque eu era meio afoito nas minhas ações, deputado Reno Caramori.

Esse é o prezado amigo que estamos homenageando, in memoriam. Meus cumprimentos a v.exa., deputado Herneus de Nadal, e a esta Casa. Essas coisas boas têm que acontecer, não podem morrer. A história tem que permanecer como exemplo para os mais jovens, para os militantes políticos, pois ele foi uma figura que soube fazer as coisas certas sem misturar e sem comprometer a qualidade das suas ações, do seu trabalho.

Muito obrigado!

(Palmas)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)