Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

110ª Sessão Ordinária - 07/11/2012

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados, pegando um gancho nessa manifestação do deputado Maurício Eskudlark, gostaria de dizer que outra questão que me chama a atenção é que, às vezes, alguns setores da mídia, algumas ONGs, quando um marginal é morto por um policial, acabam fazendo todo um barulho, um mis-en-scène em cima daquele assassinato querendo, ainda, transformar o bandido em mocinho e vice-versa. Agora, quando o crime organizado começa a executar policiais - e em São Paulo já está na casa dos 100 assassinatos apenas neste ano -, algumas reações são no sentido de colocar em dúvida se aquele policial era um homem correto, porque, às vezes, tenta-se insinuar que o policial foi morto porque pertencia a alguma facção criminosa. Ainda há esse conceito equivocado solto por aí!

É verdade que no meio da polícia, como em qualquer outro setor da sociedade humana, há uma minoria que foge à regra da boa conduta. Isso ocorre em qualquer atividade humana, ou seja, na polícia, na política, no clero, no meio empresarial, entre os profissionais liberais, ou seja, onde há atividade humana há acertos e erros, e, graças a Deus, mais acertos do que erros.

Então, não há nenhuma categoria que possa colocar-se imune e acima do bem e do mal. Isso não existe! Mas a verdade é que, às vezes, o bandido é executado porque o policial sabe que hoje há dificuldade até para prendê-lo. Eu acho que temos mais mandados contra bandidos que ainda estão soltos na rua do que mandados cumpridos! Então, quando um policial acaba executando um bandido, por vontade ou não, é, muitas vezes, promove uma comoção maior do que quando um policial, cumprindo o seu dever, cumprindo a sua missão, é executado, como está acontecendo.

Deputado Maurício Eskudlark, essa onda crescente de criminalidade não é mais problema exclusivo do Executivo nem da Polícia, mas desta Casa, do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da sociedade organizada.

Precisamos conclamar o mutirão, inclusive viabilizar recursos para isso, porque temos que ter dinheiro para equipar, aparelhar e construir presídios. E vamos tirar de onde, deputado Nilson Gonçalves? Da Educação e da Saúde, que já padecem da falta de recursos?

Temos que identificar onde há dinheiro guardado e cada poder tem que dar a sua contribuição para constituir um fundo para combater o crime efetivamente, deputado Maurício Eskudlark, e chamar a sociedade organizada para envolver-se e fazer o enfrentamento, porque a maioria desses crimes se origina no tráfico de drogas.

Eu vi, deputado Nilson Gonçalves, em Vera Cruz, e relatei isso nesta semana, o policiamento ostensivo de policiais com roupa camuflada e metralhadoras rondando de 15 em 15 minutos e entrando em todos os ambientes. Se não partirmos para a ostensividade, acho que vamos continuar perdendo a batalha - e não podemos perder a guerra.

Essa era a manifestação que queria fazer em solidariedade a v.exa., à sua categoria, tanto de policiais civis como militares, que está aí vivendo um momento de angústia. Eu estive em Tubarão, deputado Reno Caramori, na segunda-feira à noite, com representantes do 5º Batalhão e de toda região, e senti a angústia que esses profissionais estão vivendo. A todos a nossa solidariedade e a certeza de que temos o dever de promover esse mutirão em defesa da gente catarinense.

Mas faço a minha manifestação de homenagem a v.exa., deputado Nilson Gonçalves, e aos seus colegas profissionais. E não vou citar o nome dos radialistas da minha cidade, pois são muitos. Lá temos três rádios AM, mais as FM e vou acabar esquecendo alguém e depois vou ser incompreendido.

Mas quero, em nome do deputado Nilson Gonçalves, que é o radialista mais próximo de nós, e em nome das três rádios AM da minha cidade, a Rádio Tubá, que é vinculada à Igreja Católica e a mais antiga da cidade, a Rádio Bandeirantes e a Rádio Santa Catarina, homenagear todos os profissionais do rádio na passagem de mais essa data comemorativa.

Em Santa Catarina, deputado Reno Caramori, Blumenau tem a marca do pioneirismo. A primeira emissora foi a PRC-4, Rádio Clube de Blumenau, em 1936. E também foi em Blumenau, em 1969, que surgiu a primeira emissora de televisão de Santa Catarina, a TV Coligadas. Passados quase 80 anos, o estado conta com a cobertura de mais de 100 rádios AM, outras tantas FM - mais de 120 - e mais de 20 emissoras de televisão.

Nesse importante segmento do mercado trabalham centenas de radialistas. São locutores, noticiaristas, apresentadores, narradores, comentaristas, repórteres, redatores, operadores, cinegrafistas, produtores, diretores e outros profissionais. Eles utilizam diariamente microfones e câmeras para interagir com as pessoas onde quer que elas estejam. São palavras que informam, orientam, compartilham valores, culturas, histórias, alegrias e tristeza. Ouvem e colaboram na solução de assuntos comunitários. Enfim, os radialistas são mensageiros das novidades que facilitam o cotidiano dos catarinenses. E o seu amigo Léo Saballa escreveu a seguinte Oração do Radialista:

(Passa a ler.)

"Senhor,

Faça deste microfone

um condutor da verdade.

Mantenha-me firme e sereno

para equilibrar o meu senso de justiça.

Direcione o meu conhecimento para

produzir faíscas de esperança.

Não permita que me perca pelos

caminhos distantes da razão.

Jamais deixe algum sentimento

distorcer a essência do que precisa ser dito.

Senhor,

ilumine as minhas palavras para que

elas carreguem alento.

Conceda-me

sabedoria para falar e bastante

paciência para saber ouvir.

Inspira-me com bons pensamentos

e que eu defenda apenas o que acredito.

Senhor,

mantenha-me seguro todos os dias

na sinuosa pista de humildade.

Que a minha voz se faça ouvir

sem frieza nem sensacionalismo.

Livra-me da arrogância,

do medo, da vaidade e da indiferença.

Evite que usem indevidamente a minha voz

para prejudicar alguém.

Faça de mim porta-voz da cidadania,

da credibilidade e da isenção.

Senhor,

impeça que eu induza a pré-julgamentos

ou a condenações.

Corrija o meu excesso

de individualidade e me torne

mais flexível.

Dá-me firmeza para eu não escorregar

nas armadilhas da palavra.

Senhor,

proteja minhas cordas vocais,

ferramenta do meu ganha pão.

Proteja, Senhor,

todos os meus ouvintes,

razão do meu trabalho."[sic]

Com essa bela oração, deputado Nilson Gonçalves, de autoria do seu amigo e companheiro Léo Saballa, quero homenagear v.exa. e todos os profissionais que atuam nesse importante, indispensável e insubstituível, deputado Reno Caramori, como disse aqui o deputado Nilson Gonçalves, veículo de comunicação, o mais popular em todos os lares. Aliás, acho que a média passa de um por lar. Dispensam-se até outros equipamentos, mas nunca o rádio.

Por isso, parabéns a v.exa. e a todos que atuam nesse ramo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)