76ª Sessão Ordinária - 29/10/2002
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, é com orgulho e satisfação que vimos à tribuna desta Casa, principalmente seguindo a nossa futura Senadora que acabou de fazer o seu pronunciamento, talvez um dos últimos desta Casa, agradecer ao PT de Santa Catarina, à Bancada de Deputados pelo apoio e por saber vislumbrar a história do nosso Estado.
E nós também não podíamos deixar de ter vislumbrado o futuro deste País, esse marco histórico em Santa Catarina, que foi a derrocada das oligarquias e a mudança do nosso País, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Aliás, com muito orgulho, pela primeira vez na minha vida - tenho 46 anos -, consegui eleger um Presidente, porque votei em 1989 no Ulisses Guimarães, no segundo turno no Lula; em 1994, no Quércia, do meu Partido; e em 1998 votei no Lula. E tenho certeza de que a sua governabilidade não vai ser só um mar de rosas - vai ser também com dificuldades -, mas estarei aqui para ajudar a manter a governabilidade do que o Lula pretende para o Brasil.
Gostaria de me manifestar aqui sobre as eleições.
(Passa a ler)
"A persistência é uma característica inerente aos que têm a essência guerreira. Os que não se abalam diante do primeiro revés, acabam, mais cedo ou mais tarde, vendo recompensado o seu espírito de luta. Os que não se furtam a cravar as unhas na terra árida, tendem a saborear melhor o milagre da frutificação.
Os resultados das urnas em 06 de outubro - que num primeiro instante não me concederam a graça de um segundo mandato a Deputado Estadual - não arrefeceram o calor da batalha. Ao contrário, aguerriram o ânimo daqueles que, como eu, têm certeza de que um tropeço não inviabiliza a caminhada.
O resultado dessa obstinação aí está: Luiz Henrique da Silveira eleito, em segundo turno, com 50,34% dos votos válidos, trazendo a Santa Catarina a esperança de dias mais radiantes e a certeza de que a vida sempre vai valer a pena. E digo mais: a vitória do PMDB traz a este Deputado a senha para continuar no campo de batalha.
Aos 27.923 cidadãos que confiaram a este Deputado o passaporte para prosseguir lutando e aos 1.512.447 que outorgaram a Luiz Henrique da Silveira e a Eduardo Moreira o diploma de mandatários do Estado, os mais sinceros e fraternos agradecimentos."
E quero agradecer principalmente àqueles que votaram em Luiz Henrique pela minha pessoa, sabendo que iríamos continuar aqui na Assembléia Legislativa votando e apoiando Luiz Henrique e Eduardo Moreira.
Queremos dizer que temos grande gratidão, reafirmando nossa fé em Deus de que Ele fez justiça com o nosso trabalho, com as nossas propostas, com o caminho da verdade que procuramos trilhar, e que repudiamos a campanha de baixo nível, a compra de votos e o uso excessivo da máquina, que acabou tirando a nossa classificação por 48 votos.
Mas assim, erguemos a cabeça e continuamos lutando no segundo turno com a garra de quem em momento algum sentiu-se derrotado, porque a vitória de Luiz Henrique para o segundo turno significou o máximo para nós. Foi a troca, talvez, que tinha que ser feita para aqueles que acreditam em algo universal, nas leis universais da vida: que é preciso, às vezes, perder o menor para ganhar o maior.
Acreditamos na luta e fomos adiante. Mas não nos conformamos - e queremos aqui rechaçá-las - com as mentiras difamatórias praticadas contra a pessoa de Luiz Henrique da Silveira.
Infelizmente, o Governador não soube manter o nível na campanha, trazendo o fato de que Luiz Henrique participou da ditadura como membro do Dops.
Ora, desde quando isso pode ser verdade?! Luiz Henrique foi funcionário da Secretaria de Segurança em 1958 e o Governador quis aproximá-lo do órgão repressivo da ditadura militar, que era o Departamento de Ordem Política e Social; dos tempos de 1964 em diante, quando Luiz Henrique já não fazia mais parte, porque foi tirado exatamente por não concordar com o método, sendo perseguido e preso por suas idéias contrárias à ditadura militar.
O Governador, na minha cidade, teve o disparate - ele, que é filho da ditadura, que nasceu na ditadura, que foi protegido por ela, que é o que é porque a ditadura lhe fez - e a coragem de confundir o eleitorado para que o eleitor mais da esquerda, provavelmente do PT, desavisado, não votasse em Luiz Henrique da Silveira.
E acabou acontecendo o inverso, porque o povo... E o universo conspirou contra ele e fez pior ainda, porque o Governador, que quebrou o Besc em 1987 - e uma CPI mostrou isso nesta Casa -, difamando-o e levando-o para a federalização... O relatório da CPI, da qual fui Relator e a Deputada Ideli Salvatti membro, tem 240 páginas que estão aqui nos Anais da Casa para mostrar que foi o Governador que quebrou o Besc e quis imputar a Eduardo Moreira, nosso amigo pessoal, um homem de luta, com um perfil político sem que se possa fazer uma só correção, a pecha de ter quebrado o Besc, porque uma empresa, da qual no passado foi sócio e que depois vendida para um atual membro do Governo Esperidião Amin... E um Deputado Federal, que apóia Esperidião Amin - foi comprada e assumida a dívida -, quis imputar a Eduardo Moreira uma dívida dessa empresa que o Eduardo não era mais dono, a quebra do Besc.
Ora, é o absurdo dos absurdos querer imputar a Eduardo Moreira uma dívida contraída pelo Estado para recuperar o Banco, feita por este Governo, que já está na casa dos R$3 bilhões. E fizeram isso com faixas, com panfletos em Criciúma, fazendo terror com a população, tentando, através da mentira, ganhar votos e denegrir a imagem de um homem público que foi Prefeito e Deputado Federal, de um homem honrado, de um médico que voltou a sua profissão para viver do seu trabalho nos últimos dois anos.
O Sr. Esperidião Amin fez isso em Criciúma para tentar, através da mentira, denegrir a imagem de Eduardo Moreira.
Mas o que o Sr. Esperidião Amin quis fazer no afã, no calor da campanha, quando não dava para explicar nada, querendo criar uma confusão na cabeça do eleitor, foi querer dizer que numa enchente não é a tempestade que enche o rio e sim um copo d’água que se derrama nele.
Essas baixarias, essas mentiras e baixezas fizeram com que as leis universais da vida fizeram com que o Sr. Esperidião Amin perdesse as eleições.
Se ele tivesse usado e acreditado naquela expressão bíblica que sempre usava, "Como medires, serás medido", não teria praticado o que praticou e, talvez, não tivesse perdido as eleições. E perdeu porque o universo conspirou a favor de Luiz Henrique da Silveira e de Eduardo Pinho Moreira, porque foram injustiçados, e contra aquele que quis novamente vencer através da injustiça.
E as nossas eleições de 1982, quando eu era ainda um jovem advogado, coordenador da campanha de Jaison Barreto, foram resgatadas nesta eleição, porque aquela foi através da compra e nessa a justiça, a lei eleitoral e o voto eletrônico não permitiram que houvesse o mesmo método de vitória que ele obteve em 1982.
Houve a justiça! O universo conspirou ao nosso favor! E a justiça veio tarde, mas não falhou!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)