Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Onofre Santo Agostini

62ª Sessão Ordinária - 16/06/1999

O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, hoje eu estava escalado para falar em nome do meu Partido para tratar do assunto referente aos dois projetos de lei complementar que deram entrada nesta Casa, um de autoria do Deputado Pedro Uczai e outro de autoria do Deputado Paulo Bornhausen, que dizem respeito à regulamentação do art. 170 que trata de bolsa de estudo, crédito educativo, bolsa de trabalho, etc.

Mas, escutávamos atentamente o pronunciamento do Deputado Nelson Goetten, que fazia referência a três catarinenses de grande importância não só para Santa Catarina, mas para o Brasil, que pereceram num lamentável acidente: o ex-Governador Jorge Lacerda, o Senador Nereu Ramos e o Deputado Federal Leoberto Leal.

Deputado Nelson Goetten, talvez a história não lhe mostrou ou não lhe colocou a par, mas quero dizer que neste lamentável acidente houve um episódio muito interessante em que a figura central era um amigo meu e seu, que foi um grande Prefeito do Município de Santa Cecília, Oréstes José de Souza.

Ele também, na época, exercia o cargo de Prefeito de Santa Cecília e viajava no mesmo avião, pois era correligionário de Nereu Ramos, porque eles eram do PSD. Eu era da UDN, de saudosa memória, Deputado Nelson Goetten, como diz um grande amigo de Curitibanos.

Então, Oréstes José de Souza viajava exatamente sentado ao lado do seu correligionário, o catarinense Nereu Ramos. Exatamente na hora do acidente (veja o que acontece com o ser humano), no momento em que o avião já estava embicando para o lamentável episódio, Oréstes José de Souza levantou-se e foi atender ao chamado de um dos passageiros, amigo seu, que estava sentado na cauda do avião. Salvou-se, não teve nenhum arranhão. Se ele estivesse sentado ao lado de Nereu Ramos, também teria, evidentemente, morrido naquele lamentável episódio, naquele lamentável acidente.

Esta história é muito importante porque Oréstes José de Souza hoje tem 92 de idade, mora no Mato Grosso e, quando se fala em avião, ele lembra deste episódio. Inclusive, na última vez que eu o vi, perguntei se ele foi para Mato Grosso de avião ou de carro. Ele disse: "Olha, nem posso passar perto de avião. Quando ele passa por cima de mim, eu procuro me esconder". Ele ficou traumatizado com aquele episódio.

É claro, Deputado Nelson Goetten, que eu estou contando esta história porque, apesar de ainda jovem, eu a vivi. E na minha cidade, Curitibanos, o povo de lá, através da sua colenda Câmara de Vereadores, quis prestar uma homenagem a Leoberto Leal. E uma das avenidas mais importante de Curitibanos leva o nome do Deputado Federal Leoberto Leal, pela forma dele ser.

Eu era guri e estudava no Colégio Arcipreste Paiva, de Curitibanos, e Leoberto Leal foi um dos primeiros Deputados Federais que visitou a minha terra. Eu me recordo que, ainda de uniforme (e tenho essa fotografia), com a bandeirinha na mão, fomos receber o Deputado Leoberto Leal pela primeira vez em Curitibanos, pois, como disse, foi a primeira oportunidade em que lá compareceu um Deputado Federal.

Eu faço esta referência para fazer aqui uma reflexão. Veja que naquela época o povo respeitava os políticos, pois nós, de uniforme (o Prefeito decretou feriado porque recebia a visita de um Deputado Federal), em forma na rua, com bandeirinhas, recebíamos um Deputado Federal.

Hoje, Srs. Deputados, se nós formos em qualquer cidade (é claro, eu estou falando isso em tese; claro que lá na minha terra, como na terra de cada um, V.Exa., em Taió, V.Exa., no Sul do Estado, somos respeitados porque conhecemos pessoalmente cada uma das pessoas e as pessoas nos conhecem) o Deputado, o político é tratado de uma forma totalmente diferente daquela que foi tratado o Deputado Federal, Leoberto Leal. Não há mais respeito ao homem público, não há mais respeito ao político. Muitas vezes, Deputado Nelson Goetten, não é por culpa do povo. Muitas vezes ou na grande maioria o povo tem razão porque o político, o homem público, muitas vezes não se dá ao respeito ou tem condições de receber o respeito do povo.

Às vezes, algum amigo meu diz, brincando: "Deputado, o senhor também é marajá? Deputado, como é que está lá a mordomia? O senhor está fazendo alguma coisa, Deputado?". O amigo de confiança que faz esta indagação muitas vezes não conhece o nosso trabalho, a nossa luta, o atendimento diário. Quantas vezes ficamos sem almoçar e jantar, quantas vezes tivemos que nos reunir, mesmo sem condições de saúde. Hoje, eu estou usando esta tribuna e participando da sessão. Mas ontem, às 19h, quando terminou a sessão, corri para casa e fui para a cama com 38 graus de febre. Estou com uma gripe terrível, mas vim aqui cumprir com o meu dever, como sei que todos os Deputados da Assembléia Legislativa fazem isso com todo o carinho, com todo o respeito. Fazem isso porque estão cumprimento com o seu dever.

Nós não fomos eleitos apenas para receber o nosso salário. Nós fomos eleitos para defender o povo. Infelizmente, Deputado Nelson Goetten, dizem aí fora, e eu confirmo, que hoje nós somos office boy de luxo. Hoje a nossa missão, o nosso dever é confundido, porque nós não estamos aqui só para legislar. Nós somos obrigados a fazer o papel de office boy: correr nas Secretarias, nas repartições com o Prefeito, com o Vereador debaixo do braço porque, infelizmente, é isso que faz hoje o Deputado.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)