Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Ceron

18ª Sessão Ordinária - 30/03/2000

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Sr. Presidente e Srs. Deputados, antes de entrarmos no assunto que nos traz a esta tribuna, gostaria de em meu nome pessoal, e tenho certeza que em nome da Bancada do PFL também, cumprimentar o Deputado João Henrique Blasi, que neste dia assume uma cadeira no Parlamento catarinense. Temos certeza de que pela sua competência, pela sua lisura e pelo seu compromisso com Santa Catarina haverá de fazer, como fez da vez anterior, um brilhante trabalho como Deputado Estadual aqui, na Assembléia Legislativa.

Sr. Presidente, meu nobre Líder, Deputado Júlio Garcia, quero falar hoje de um assunto muito importante e que terá amanhã, com a presença do Presidente da República, a assinatura do início do funcionamento no nosso Estado do Gasoduto Brasil/Bolívia.

Falo e trago alguns dados até porque sendo a SC-Gás a empresa que trata dessa questão aqui, em Santa Catarina, e sendo ela uma empresa ligada à Secretaria do Desenvolvimento Econômico, gostaria de dizer que tivemos a oportunidade, ao longo do ano passado e no início deste, de acompanhar o trabalho do Luiz Gomes, da sua diretoria e funcionários, na busca desse importante ingrediente, que é o gás natural, para a economia do nosso Estado.

A SC-Gás é uma empresa de economia mista e tem por parte do Governo a maioria de suas ações ordinárias; ela foi fundada em l994. Este Deputado, o Deputado Gilmar Knaesel, o Deputado Júlio Garcia e outros Colegas que aqui estão tiveram na época a oportunidade de ajudar na sua aprovação nesta Assembléia Legislativa.

Então, desde aquela data essa empresa tem feito um trabalho dedicado, que terá o seu coroamento com a inauguração desse gasoduto amanhã, que estará oficialmente entrando em operação na próxima segunda-feira.

Mais de uma dezena de empresas de Santa Catarina estão com contrato assinado, e a partir da próxima segunda-feira estarão recebendo na sua unidade industrial o gás natural, que é um insumo barato, desejável em termos de meio ambiente e tecnicamente eficaz.

Nessa primeira etapa foram investidos nesses 250 quilômetros de linha, com 60% do seu cronograma já executado, algo na ordem de R$60.000.000,00. E um gasoduto da Bolívia até a cidade de Canoas, onde é o seu ponto final, tem uma distância de mais de 3.000 quilômetros de extensão.

É pensamento, e já está em andamento, que dentro de 90 dias a cidade de Indaial - Presidente Gilmar Knaesel, V.Exa. que tão bem representa aquela região - também já tenha uma extensão desse gasoduto. E há também dentro do cronograma de trabalho da SC-Gás a expectativa de que no mês de dezembro do ano 2000 esse gasoduto chegue ao Município de Rio do Sul, passando por aquela importante região do Alto Vale do Itajaí.

Há também, e está em fase de execução, um projeto para que esse gasoduto chegue ao Planalto Norte catarinense, já de imediato ao Município de São Bento do Sul, para atender a todas aquelas unidades industriais, principalmente a Indústria Cerâmica Oxford, que é uma indústria tradicional não só em Santa Catarina mas também em nível nacional e que será, por certo, uma grande consumidora desse importante insumo, como disse há pouco.

Esse gasoduto para atender Indaial, Rio do Sul e, no caso, São Bento do Sul poderia ser feito para atender a essas regiões com uma espessura, ou bitola, de 6 polegadas, mas já está sendo projetado para que a sua tubulação seja de 10 polegadas, exatamente para que possamos levar no sentido São Bento do Sul/Planalto Norte/Rio do Sul, numa primeira etapa na região de Lages e, em seguida, para o Meio-Oeste e o Grande Oeste do Estado de Santa Catarina.

Na região de Lages ele vai atender o seu parque industrial, especialmente as duas industrias de papel que estão instaladas hoje nos Municípios de Correia Pinto e Otacílio Costa. Também dentro desse programa pretende-se chegar no Grande Oeste, Deputado Milton Sander, porque se hoje já há um desequilíbrio no desenvolvimento do Estado, concentrando-se mais na região litorânea, com a chegada do gasoduto Brasil/Bolívia aqui no litoral, se não houver essa ação política no sentido de interiorizar a chegada do gás natural, esse diferencial continuará.

Deputado Neodi Saretta, V.Exa. que representa uma importante região tendo como pólo Concórdia, sabe que este Município, por certo, também sentirá essa dificuldade em atrair novos investimentos no futuro.

Por isso, quero neste dia louvar o trabalho do Governo do Estado, da SC-Gás e das empresas que fazem parte da SC-Gás, a Petrobrás, a Infragás, no sentido de que o mais rápido possível o gás possa chegar a todas as regiões do Estado de Santa Catarina.

A indústria cerâmica, para que tenhamos algum dado, será consumidora de mais ou menos 50% de todo o gás consumido em Santa Catarina. No processo de custos, na planilha de custos da cerâmica, do azulejo, por exemplo, Deputado Ronaldo Benedet, V.Exa. que é da região de Criciúma, uma grande região produtora, ou a maior região produtora de cerâmica do Estado, saiba que esse gás representa de 20 a 30% do custo daquele produto. E o gás é hoje de 20 a 30% mais barato, economicamente falando, do que o insumo que está sendo utilizado pela indústria que é o GLP.

Então, só por esses números, podemos observar o quanto esse gás natural será importante para a indústria cerâmica do nosso Estado de Santa Catarina.

Ao concluir essas colocações e com a vinda amanhã do Presidente da República, gostaríamos também de deixar aqui registrado o estudo que está sendo feito dentro da SC-Gás, para que sejam instaladas em Santa Catarina, além da Usina Termoelétrica a Gás, de Joinville, que vai gerar 300 megawatts na sua produção, mais três unidades de usinas termoelétricas: uma no Planalto Norte, uma no Meio Oeste e outra na região de Florianópolis, exatamente para dar condições de justificativa da ida do gasoduto a essas regiões.

Srs. Deputados, o consumo dessas termoelétricas por si só já justifica a construção desse gasoduto e mais do que isso: elas fariam também com que Santa Catarina gerasse aí em torno de 600 a 700 megawatts de energia, que por certo ajudariam muito a deixarmos de ser um Estado quase que totalmente importador de energia.

Portanto, num futuro bem próximo, com as termoelétricas a gás e a carvão do Sul do Estado e com as hidroelétricas de Itá, de Machadinho, de Campos Novos e de Volta Grande, no Município de Anita Garibaldi, Santa Catarina, então, passará a ser um Estado produtor e exportador de energia em nível de Brasil.

Por certo, isso trará ao desenvolvimento do nosso Estado, que já é modelo em nível nacional, mais um ingrediente forte para que Santa Catarina continue na trilha do seu desenvolvimento econômico.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, este era o pronunciamento que gostaria de fazer no horário do meu Partido, o PFL.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)