42ª Sessão Ordinária - 30/05/2006
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. presidente e srs. deputados, ocupo a tribuna, no dia de hoje, para falar sobre três temas importantes com relação ao meio ambiente. O primeiro deles é com relação à extração de areia, que preocupa os agricultores de Santo Amaro da Imperatriz.
Estivemos ontem numa audiência pública com a participação dos empresários que fazem a extração de areia e também tivemos a participação da Federação dos Agricultores, do Sindicato dos Agricultores daquela cidade, que pleiteavam uma ação que tranqüilizasse o agricultor com relação à extração de areia, achando que a estiagem ou coisa parecida é provocada pela sua retirada.
Levamos à Fatma e analisamos essas empresas que estão extraindo a areia. Todas estão com o licenciamento ambiental em dia, todas elas têm tido uma ação de fiscalização pontual da Fatma e da secretaria municipal do Meio Ambiente.
Essa audiência pública fez com que fizéssemos alguns encaminhamentos e criássemos, em Santo Amaro da Imperatriz, uma comissão, um grupo para trabalhar, para tirar as dúvidas e analisar as áreas de extração de areia e as áreas de agricultura.
Além das discussões, saíram propostas para fazer o plano diretor daquela cidade e regiões onde existe o conflito entre o agricultor e a extração de areia.
A audiência pública foi altamente concorrida. E para mostrar aqui a sua eficácia, podemos dizer que elas conseguem proporcionar às pessoas interessadas a possibilidade de discutir e buscar propostas. A audiência pública talvez seja a maneira de, através do debate, achar uma saída, deputado Afrânio Boppré.
Lá criamos um grupo de trabalho, formado por oito atores de diversos segmentos, entre eles a Fatma, a secretaria do Meio Ambiente, os empresários de extração de areia, os agricultores e a Assembléia Legislativa, para criar o Estatuto da Cidade e o seu plano diretor.
Existe um conflito, existe uma atividade econômica, e através da criação desse grupo de trabalho teremos a oportunidade de debater, discutir o problema e achar a solução tanto para aqueles que extraem a areia como para os agricultores, permitindo que a ecologia e o meio ambiente sejam preservados.
A extração de areia hoje é tema dos jornais e quero registrar, inclusive, que a Assembléia Legislativa não esteve presente, sr. presidente, que a TVAL não se fez presente para fazer os registros. Mas esperamos que a TVAL participe desses eventos, porque é importante divulgar o trabalho da Assembléia Legislativa e o quanto tem conseguido, nessas audiências, oportunizar esses debates e chegar a bom termo. Ontem eram mais de 200 pessoas preocupadas com esse tema da extração de areia no município de Santo Amaro da Imperatriz.
Gostaria, sr. presidente, de falar hoje sobre a notícia do jornal que reporta o falecimento de um grande artista lageano. Queria prestar aqui uma homenagem a esse grande escultor e chargista de Lages, que ontem, aos 47 anos, faleceu, e mostrar as fotos dos seus trabalhos. Queria agradecer e parabenizar o jornal ANotícia, que divulgou a matéria.
(Passa a ler)
"Adeus ao artista do fim do século
Câncer mata o pintor, professor e chargista Clênio Souza.
Morreu ontem, aos 47 anos, o artista Clênio Souza, pintor, professor de artes e chargista. Uma das últimas exposições do artista ocorreu em Itajaí, no final do ano passado. Em Lages, onde faleceu devido a um câncer, sua última grande exposição foi no Sesc, há três anos, intitulada 'Da Cor ao Concreto', que mostra que tinha como base uma visão artística da virada do milênio e do Apocalipse.
A exposição era composta por dez painéis e 15 esculturas e, como observou o escritor Raul Arruda Filho, em artigo no Anexo, era fruto de uma longa reflexão sobre o fim do século e as crises que abalam a humanidade neste período de transição. 'Segundo Clênio, o ser humano está a um passo de um grande acontecimento. Ele não sabe precisar exatamente o que, mas entende que as pessoas estão diferentes, ansiosas pelo novo e, por isso mesmo, insatisfeitas com o mundo em que vivem'. E arrisca um palpite sobre isso: 'Talvez estejam procurando por uma forma de encontrar Deus', escreveu Arruda Filho.
Clênio dizia que 'esculpir é aproximar cegos. Acredito que a escultura é uma arte especial, onde o tato é mais importante que a visão. Na escultura, o artista deve se deslocar para um plano secundário, deixando que o espectador exerça a tarefa principal, que é a de entender e sentir o volume, as formas, as reentrâncias, os perigos que o prazer representa. E isso só é possível quando os olhos estão vendados'.
Clênio Souza nasceu em Urubici em 1958. A sua família mudou-se para Lages no início dos anos 60. De origem humilde, começou a desenhar aos sete anos - ao acompanhar seu pai ao trabalho, em uma madeireira, ganhou alguns pedaços de carvão. Foi o suficiente para que o mundo das cores e das formas ganhasse vida através de sua imaginação.
Pintor autodidata, encontrou no surrealismo a forma possível de mostrar as suas dúvidas. Seus quadros já foram expostos em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre e estiveram em cerca de cem exposições individuais e coletivas. Um de seus maiores incentivadores foi Martinho de Haro.
Em 1981, Clênio ganhou o prêmio-aquisição do Jovem Arte Sul-América, do qual participaram artistas dos três estados do sul. A consagração e o reconhecimento estadual do seu talento aconteceram em 1982, quando ganhou o Grande Prêmio Reinterpretação da Primeira Missa do Brasil, promovido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e Museu de Artes de Santa Catarina (Masc)." [sic]
Então, é com grande tristeza que a cidade de Lages divulga a morte desse grande escultor, no dia de ontem.
Sr. presidente, por fim, gostaria de falar novamente sobre a araucária. No dia 5 de junho, às 18h, faremos aqui uma abertura da exposição de trabalhos das ONGs e o pré-lançamento do projeto "Plante uma Araucária", na galeria de artes Meyer Filho, no hall da Assembléia Legislativa, com a presença de representantes da Fatma, secretarias regionais, Instituto Camargo Corrêa e Assembléia Legislativa do estado de Santa Catarina.
Nesse dia, sr. presidente, lançaremos essa campanha, que tem como parceiras a Assembléia Legislativa, o governo do estado de Santa Catarina, o Instituto Camargo Corrêa, para que possamos fazer o pré-lançamento do projeto "Plante uma Araucária".
Temos aqui uma espécie de araucária e teremos a oportunidade de falar nesse Dia Mundial do Meio Ambiente, dia 5 de junho, sobre o papel importante das ONGs, sobre o trabalho importante que têm desempenhado ao longo de sua existência, daquelas verdadeiras ONGs que têm feito muito daquilo que o estado não consegue fazer. Elas têm se empenhado em buscar a conscientização, a educação ambiental e as ações pontuais naquilo que cada ONG se propõe, umas com relação à floresta, outras com relação às águas, outras com relação à fauna, à baleia branca.
Portanto, estaremos no hall da Assembléia Legislativa no Dia Mundial do Meio Ambiente, no dia 5 de junho, fazendo uma pequena mostra de tudo aquilo que está sendo feito, de tudo aquilo que as ONGs, o governo do estado e a Assembléia Legislativa também têm proporcionado, para que possamos ter um mundo cada vez melhor.
O lançamento dessa campanha "Plante uma Araucária", sr. presidente, já está dando o que falar, devido a importância. Estava agora na Fiesc, onde explanava à diretoria a importância de tomarmos como educação ambiental o projeto "Plante uma Araucária". Se plantarmos uma araucária, logo, logo teremos o uso dela sustentável.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)