38ª Sessão Ordinária - 23/05/2006
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, como forma de empenhar a minha solidariedade aos trabalhadores da educação, eu vou me resumir à leitura, na íntegra, da Carta Aberta da Greve na Educação: sobre Verdades e Mentiras! Esta carta, que está sendo distribuída em todas as sinaleiras no centro da capital, diz o seguinte:
(Passa a ler)
"Nesta semana a greve histórica e heróica dos trabalhadores em educação de Santa Catarina completa um mês de muita resistência e bravura. Histórica, por ser uma das maiores e mais mobilizadas greves nos últimos anos desta categoria tão sofrida e que só é lembrada em propaganda eleitoral. Heróica, porque resiste na luta e na rua aos ataques vindos de todos os lados, desde a imprensa vendida, passando por setores atrasados da elite catarinense e que vem principalmente do governo do estado que antes ameaçava e agora implementa um absurdo desconto de 10 dias nos salários já pífios do magistério convocando os trabalhadores e alunos das escolas a voltarem, sem negociação da pauta, mas, com imposição e autoritarismo, através de inserções na TV que podem chegar a custar 9.000 reais e acordo com o horário por 30 míseros segundos.
A atual proposta do governo não representa avanço nenhum na nossa pauta de reivindicações mas, ao contrário, ataca nosso plano de carreira, construído na luta da década de 80. Esta proposta de incorporar 100 reais que já recebemos em forma de abono sem que essa incorporação seja revertida em porcentagem ao longo de toda a carreira, significa na prática dizer que é burro quem estuda mais, pois, quanto mais se estuda menos se recebe.
Como se isso não fosse o suficiente para atacar a educação e tentar destruir a escola pública, este governo, inimigo da educação, ainda usou, irregularmente, 33 milhões de reais desviados do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental) para fazer e distribuir os uniformes e kits escolares, que além de não terem chegado em todas as escolas (algumas só receberam as meias do uniforme e outras, nada), são uma parte importante da propaganda pela reeleição deste governador autoritário e toda a sua ‘turma’ de plantão.
Tendo em vista então, todos esses ataques ao magistério e os desvios do Fundef, levando-se em consideração também o grau de mobilização do interior e da capital, é que deliberamos na última assembléia estadual, quase que por unanimidade, pela continuação da greve. Entendemos todos os transtornos que nossa greve pode causar e tem causado, porém entendemos também que o único culpado por todas as ruas fechadas em nossas passeatas, pelas escolas estarem sem alunos ainda é o senhor governador do estado Luiz Henrique da Silveira e o governador em exercício Eduardo Pinho Moreira. Ambos, ao invés de nos receberem para negociar, gastam dinheiro com propagandas de valores astronômicos na TV e em mentiras, além claro, do desvio do FUNDEF que em reais é o dobro do necessário para atender nossas reivindicações."[sic] Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Santa Catarina.
Esta carta está sendo distribuída, hoje, nas sinaleiras da capital, sendo que os professores estão nas ruas conversando diretamente com a população e levando ao conhecimento público a intransigência do governo em não querer abrir espaço para encontrar uma saída.
A postura do governo, além de inaceitável, é burra, contraproducente porque a situação não é de punir, o momento não é de penalizar o professor. O momento é de encontrar um caminho, uma abertura para se negociar uma alternativa.
Por isso consideramos muito importante, sr. presidente, a reunião que fizemos hoje pela manhã com a comissão do comando de greve do Sinte, sendo que a Assembléia legislativa foi procurada para buscar um canal de mediação. E amanhã vamos nos reunir em colegiado de líderes para pensar e deliberar uma ação que possa ir ao encontro da solução desse impasse.
Considero muito importante a reunião dos líderes amanhã para encontrarmos uma saída e um canal de conversação, porque a postura do governo é de intransigência e, ao invés de resolver, vai jogar ainda mais gasolina na fogueira e nós precisamos encontrar um caminho para viabilizar a negociação.
Era isto o que eu queria colocar, sr. presidente!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)