38ª Sessão Ordinária - 23/05/2006
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. presidente, srs. deputados e público que nos acompanha através da TVAL e da Rádio Alesc Digital,as sessões nesta Assembléia têm-me dado até sono, deputado Vieirão, porque os discursos não são mais os mesmos. Estou sentindo falta dos discursos do ano passado, porque os discursos deste ano eleitoral estão sendo mais uma prática de ataques pessoais, não têm nada de interessante para o povo de Santa Catarina, está tudo traduzido e virado para as eleições que estão chegando.
Preocupa-me hoje, sr. presidente e srs. deputados, a greve dos professores no estado. A greve que se inicia amanhã, dos funcionários da Educação, do município de Florianópolis, é uma greve que nos faz refletir muito.
Estou acompanhando a greve através da imprensa, inclusive estiveontem em uma reunião na bancada do governo para tratar justamente desse assunto, deputado Vieirão, com a secretária da Educação, e pude perceber que na greve dos professores do estado - e são aproximadamente 6.000 professores e 1.500 aderiram à greve - a maioria são professores contratados que facilmente podem ser demitidos.
Percebo também que o norte do estado não aderiu à greve, que muito poucos foram os professores que aderiram à greve. O sul do estado tinha aderido, mas agora parece que os professores começaram a retornar, e o grande problema está aqui na região de Florianópolis. Inclusive escutei da secretária que o maciço do Morro da Cruz aderiu à greve total.
Por que essa greve dos professores está com tanto problema? É uma greve que tem conotação política. Por que o norte do estado, Joinville, não aderiu à greve e a Capital aderiu à greve? O que se está passando? Será que realmente é verdadeiro ou será que é um jogo que nos acaba deixando entristecidos?
Dá a impressão que estão querendo colocar a cidade de Joinville contra a cidade de Florianópolis ou vice-versa. O que se está passando? Joinville é uma cidade de Santa Catarina, e nós somos simplesmente a Capital dos catarinenses. Acho que nós não podemos fazer essa guerra política de que Florianópolis não tem nada a ver com Joinville, que não gosta de Joinville e que Joinville não gosta de Florianópolis.
Está chegando a eleição e está-se jogando isso para a população de Florianópolis e de Joinville. Por isso estão usando desse instrumento da greve. Joinville não aderiu à greve, quem aderiu à greve foram os professores de Florianópolis.
A imprensa divulga que 20% aderiu à greve. O sindicato diz que são 50%, mas o governo diz que não chega a 15%. Não é interessante no momento saber a percentagem certa, o importante é que se acabe com essa greve de uma vez, que o governo abra um diálogo e chame o sindicato para conversar, porque o maior prejudicado está sendo a criança. Mesmo que o governo alimente que seja uma greve política, acho que não podemos caminhar por esse lado.
Chegou a ponto dos pais dos alunos fazerem reuniões públicas, apelando para que o governo solucione de uma vez o problema. Ficamos estarrecidos e preocupados com a educação em Santa Catarina e se são só 15%, fica mais fácil para sentar com esse pessoal e conversar.
Dizem que o governo fez um apelo para os deputados que indicaram alguns diretores de escola no sul do estado para chamarem esses diretores e pedirem para que eles voltem às escolas. Alguns, parece, atenderam o pedido dos deputados, outros, não, estão resistindo. Como nunca indiquei ninguém nem quero indicar nenhum diretor de escola, não recebi essa mensagem do governo para fazer essa ponte. Mas faço um apelo a esses deputados que indicaram diretores de escola para que conversem com os seus diretores, já que têm essa responsabilidade, esse compromisso com o governo. Então, sentem de uma vez por todas e cheguem a um denominador comum, a fim de acabar com essa greve.
Estamos na metade do ano letivo, e os alunos estão fora da sala de aula. Parte do Instituto de Educação aderiu à greve, outra parte não aderiu, mas saiu na imprensa que a greve no Instituto de Educação é total, em outro dia saiu que é parcial.
Faço um apelo ao governador em exercício, dr. Eduardo Pinho Moreira, e à secretária da Educação, como pai que sou, pois tenho vários filhos em escola pública, em nome de todos os pais de Santa Catarina, para conversar com os professores e acabarem com essa greve, porque isso está fazendo um mal para a educação, um mal para as crianças catarinenses.
O Sr. Deputado Reno Caramori - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Pois não!
O Sr. Deputado Reno Caramori - Pode ter certeza de que a preocupação de v.exa. é a nossa também. Nunca gostei de greve, nunca aconselhei greve, mas talvez seja a última solução que eles encontraram, até porque foi um tanto agressiva.
Não vou usar o termo aqui porque é um pouco chato, mas é cuspir para cima e cair... Seria um pouco diferente. Quem comandava a greve no governo passado hoje tem uma certa restrição em solicitar para que os que estão em greve parem com ela. É complicado! Quando oriento, quando faço greve junto, quando pondero junto e agora não dá para fazer greve, é complicado!
O seu apelo é o meu apelo, pode ter certeza disso, porque as nossas crianças estão sofrendo, pobre ou rica, não interessa, estão sofrendo.
Assisti hoje pelo noticiário à secretária dizer que não tem solução, que eles não vão voltar atrás, que o que foi dito foi dito. É complicado!
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Então, que os professores cheguem a 100% de greve, que o governo fique paralisado, já que chegou ao final e não tem nenhuma negociação, e que se pare com a educação em Santa Catarina. Acaba o ano letivo, os professores vão para casa, os alunos vão para casa e boa-tarde a todos. É só o que nos resta dizer, já que não tem negociação.
Se o governador em exercício e a secretária da Educação chegaram a ponto de dizer que não tem mais o que conversar, imaginem o que nós, pais, temos a dizer. Vamos fazer o quê? Mudar de estado, procurar um estado que não esteja fazendo greve? Acho que não! Acho que temos solução, sim. Acho que a secretária da Educação e o governo em exercício podem chamar o sindicato para conversar, deixar de picuinhas, porque estamos vendo que tudo isso é proveniente do ano da eleição, que alguém está querendo se sobressair com essa situação.
Se Joinville não aderiu à greve e se Criciúma aderiu, e é expressivo o número de escolas que estão em greve, se Florianópolis aderiu à greve e Araranguá não aderiu, mas Chapecó aderiu, o importante é que temos crianças fora da escola e mesmo que fosse só uma escola em greve já era preocupante, já era para se ter uma solução, imagina quase 20%, vou em cima da estatística do governo, de crianças fora da sala de aula. Não importa o percentual, o importante é que as crianças estão fora da escola. Não se pode falar em estado de qualidade com crianças fora da escola, seja com greve ou sem grave.
Acho que é preciso ter uma solução, acho que o sindicato tem que vir conversar com o governo, e o governo tem que abrir as portas para a negociação, porque com essa história toda quem está sofrendo é a criança catarinense.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)