1ª Sessão Ordinária - 16/02/2005
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente e Srs. Deputados, eu gostaria de dizer que há poucos minutos, aqui da tribuna, eu associei o Governador Luiz Henrique da Silveira como sendo um governante de plantão. E, gratuitamente, o Deputado João Henrique Blasi veio dizer que eu estava agredindo a imagem pública do Governador Luiz Henrique da Silveira, a sua carreira, porque governante de plantão era a ditadura militar, etc.
Eu tentei explicar ao Líder que não era o sentido da palavra, até porque quem dá plantão não são somente os militares. Dão plantão também o médico, o enfermeiro, os jornalistas, na redação, todos dão plantão.
Então, foi gratuita a associação. A pretensão não foi associar o Governador Luiz Henrique da Silveira aos Generais da Ditadura Militar. O Deputado João Henrique Blasi, gratuitamente, fez essa associação, a qual eu não pretendia.
Mas digo que, diferentemente do que se costuma discutir no senso comum, em que o Deputado Líder do Governo dizia que cada um interpreta do jeito que quer, com o seu caleidoscópio, olhando do seu jeito, não é esse o sentido, porque eu não estou interpretando do jeito que quero. Eu estou discutindo aquilo que está escrito e assinado, preto no branco, pelo Governador Luiz Henrique.
Fiz a leitura novamente com atenção e não tem uma outra interpretação, se não a de querer usar exemplos para dizer que aqueles que resistem às suas mudanças - dele -, na frente o tempo tardará para dizer que essas reações relevam-se erradas, quando não cômicas. E diz ainda: a história da civilização relata milhares de casos de resistências às mudanças. Como se quem resistisse às mudanças que ele está fazendo, inevitavelmente estaria promovendo uma piada, porque ele é o dono da razão. E não é bem assim, é como quem diz: "Eu falo do jeito que quero, você fala do jeito que quiser". Não é bem assim!
Na área da engenharia, por exemplo, quando vai-se construir uma estrada, não se diz: "Ah, eu faço a estrada do jeito que eu quero". Não! A estrada tem parâmetros técnicos e científicos que precisam ser obedecidos.
Na área da física, quando vai-se estudar os astros, também tem modelos matemáticos, a ciência está presente. E penso que quando vai se construir uma casa, também não é do jeito que cada um quer, porque ali tem fundamentos matemáticos e científicos para a edificação.
E não aceito a idéia de que na política cada um interpreta do jeito que quer. Não! Também não é assim! A política também é uma ciência, tem limites, padrão, orientações e balizamentos éticos e morais. E não vale escrever e depois dizer: "Não, eu não queria dizer isso, não é o que está escrito"!
E tem que ser dito aqui ao Governador Luiz Henrique da Silveira que, no meu modo de entender, quero sempre fazer questão de resistir às suas mudanças porque elas estão dentro de paradigmas, de fundamentos e de diretrizes que considero exatamente opostas às mudanças que entendo que devam ser feitas.
Então, eu vou estar aqui para dialogar, para resistir, e não aceito a técnica discursiva de buscar dizer que está na entrelinha. Não está! Está na linha, está no preto e no branco, está escrito, está assinado! E o Governador Luiz Henrique, neste caso, busca negar o direito da Oposição, busca negar o direito da minoria, quando diz de maneira divergente.
Quero aqui estabelecer exatamente esta oportunidade de dialogar sempre que necessário, com as orientações governamentais do Governador Luiz Henrique.
Muito obrigado, Sr. Presidente, respeitando os cinco minutos!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)