51ª Sessão Ordinária - 03/08/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, não fomos designado para ocupar o horário do partido no dia de hoje, mas imagino que o nosso Colega, envolvido em outros compromissos, não tenha conseguido chegar em tempo.
Portanto, Sr. Presidente, volto à tribuna e desta feita, bem ao sabor do improviso, quero discorrer sobre a necessidade de uma urgente reforma política neste país, que venha curar o sistema político brasileiro dos males, das mazelas, das feridas, das chagas e até do câncer que existe nesse modelo, tal a sua perversidade.
Por isso, a necessidade urgente de uma reforma política que permita uma blindagem à democracia brasileira e permita os avanços que a sociedade brasileira clama ocorram, tais como: geração de oportunidades de emprego e uma economia voltada para a prosperidade interna.
Hoje, temos uma economia mais voltada para o público externo, mais calcada nas exportações, porque também é uma necessidade. O nosso mercado interno está praticamente saturado. O poder aquisitivo do nosso povo está no limite.
Então, precisamos de reformas que permitam que esse país avance, que dêem estabilidade para que os governantes, quando eleitos, possam, com competência, implantar os seus projetos sem sobressaltos e sem outras surpresas draconianas.
Por isso é urgente que este país passe, em primeiro lugar, por uma reforma política profunda, no sentido de fazer com que não só os partidos políticos, não só os políticos, como também o Poder Judiciário (e aí me reporto mais à justiça eleitoral) possa dispor de uma logística de acompanhamento do processo eleitoral. Senão iremos, de pleito em pleito, de caixa dois em caixa dois, aos trambolhões, aos trancos e barrancos, assustando a democracia, encurralando a nação brasileira perplexa, sem saber o que fazer ou para quem apelar.
É imprescindível que o Congresso Nacional, sem se descuidar dos trabalhos de investigação que desenvolve nas CPIs, volte-se também para a construção de coisas boas, exercite um grande acontecimento, uma boa nova, uma reforma política e outras tantas reformas.
Temos uma previdência social no fio da navalha, correndo riscos, tal o seu déficit que só tende a se agigantar! É preciso buscar a implementação de ações por conta de deliberações que o Congresso Nacional tem que fazer. O Congresso Nacional não pode esquecer das suas obrigação de deliberar e, principalmente, de fazer uma reforma ou as reformas que o Brasil tanto necessita.
Por isso, Sr. Presidente e Srs. Deputados, no horário destinado ao meu partido, quero fazer esse comentário à luz daquilo que penso, que acho que é uma grande necessidade, blindar a democracia, fazer acontecer coisas boas, fazer brotar no seio da nação brasileira, desse povo tão sofrido e, não raras vezes, acometido de sustos e sobressaltos, uma esperança forte e consistente no futuro de um país, de uma nação forte desenvolvida e justa, porque terá, se o Congresso Nacional assim entender, um modelo político sério e consistente para blindar a democracia, porque terá, por conta de reformas a serem implementadas, condições de dizer que vamos ter um longo período de prosperidade, de paz, sem sobressaltos.
Ouso dizer que se o Congresso Nacional, que está cumprindo o seu dever no que se reporta às investigações nas CPIs, ficar só ali e esquecer das outras tarefas que lhes são devidas e constitucionalmente impostas, que são as de legislar, de fazer boas leis que se voltem para atender aos anseios e aos clamores da nossa sociedade brasileira, eu não sei o que vai acontecer. Essa mansidão e essa passividade do nosso povo e da nossa sociedao, rejeite toda e qualquer proposta de um pastelão ou de uma pizza, faça o que tem que fazer mas, faça também, supletivamente, as reformas que precisam ser feitas, continue legislando, porque esse é o dever do Parlamento brasileiro.
Eu, como parlamentarista convicto que sou, sonho em ver um dia um estado brasileiro moderno, em que o Parlamento e o Executivo se entendam, que possam marchar juntos na mesma direção, que a transparência seja total e absoluta, que representantes do povo não se ocultem nas leis protetoras das malandragens, que quem fizer a opção pela vida pública possa fazê-lo de forma transparente. Eu ouso dizer isso, sob a minha inteira responsabilidade. Eu vou fazer de conta que estou me olhando no espelho. Não aceito que eu, como representante do povo, tenha o direito de me ocultar em sigilo bancário, em sigilo telefônico e em outros sigilos, porque sou um homem público e, como tal, devo disponibilizar tudo a meu respeito, para que a sociedade possa fazer uma avaliação mais acurada na hora de escolher ou de renovar o mandato deste peão que está na tribuna.
É este o Brasil que eu penso e eu acho que é este o Brasil que o nosso povo deseja.
Por isso, Sr. Presidente, ao assomar à tribuna bem ao sabor do improviso, e até me solto um pouco mais quando estou improvisando, em face dessas considerações, quero pedir escusas a quem desagradei com as colocações que fiz, mas é o que eu penso.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)