68ª Sessão Ordinária - 22/09/2004
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sras. Deputadas, Srs. Deputados, quero inicialmente dizer que se a matéria do jornal está sendo contestada agora, Deputado Genésio Goulart, ela deve ser contestada ao jornal. Eu recomendo que V.Exa. acesse as notas taquigráficas, como eu já acessei, pois eu me limitei ontem a reproduzir aquilo que o jornal Diário do Sul, que V.Exa. conhece, que é da nossa cidade, noticiou. Não fiz nenhum acréscimo, eu reproduzi aqui as declarações da diretora e da orientadora.
Se são verídicas ou não, o jornal tem responsabilidade e as duas funcionárias também. Eu disse que não estava acrescentando nada, apenas reproduzindo a notícia veiculada no jornal O Diário do Sul. Hoje o jornal O Diário do Sul traz uma foto, novamente, da escola, que mostra a situação precária.
E a diretora disse mais coisas, ontem, que eu não entrei em detalhe. E não vou detalhar porque isso é coisa que o próprio PMDB tem que resolver. A diretora é cargo de confiança do Partido. A briga é entre irmãos. É preciso acertar para ver se a diretora vai desmentir o que disse ou não ou se o jornal falou demais.
Eu confio, pois o jornal O Diário do Sul é um jornal de muita credibilidade. Não acredito que o jornal tivesse publicado aquilo que não é verdadeiro.
Eu prestei atenção na manifestação do Deputado Genésio Goulart, agora, e eu fico satisfeito que ele tenha mudado radicalmente o seu posicionamento, o seu comportamento de ontem para cá.
Afinal de contas o jornal A Notícia, na matéria da Sílvia Pinter, coloca entre aspas que o Deputado Genésio Goulart afirmou: "não vou pedir desculpas a Ponticelli, ele não merece, não tem credibilidade." Isto está escrito na imprensa catarinense no dia de hoje.
O jornal o Diário Catarinense, na matéria da Ana Minosso, tem a seguinte declaração de V.Exa.: "Acho que serei mais reconhecido. As pessoas me perguntavam por que eu não dava a devida resposta a ele, já que fica o tempo todo fazendo provocações".
E afirmou mais: "Ele me provoca o tempo todo, diz mentiras, ofensas, ironiza, humilha, é um nojento".
São manifestações publicadas pelo jornal Diário Catarinense e A Notícia, de hoje, muito diferentes da manifestação do Deputado Genésio Goulart. Eu me alegro muito mais com esta manifestação de agora, do que com aquelas que li nos jornais no dia de hoje. Afinal de contas, eu repito, eu nem vou ler aqui o que ele disse no jornal O Diário do Sul, porque é um pouco mais agressivo.
Mas eu me alegro com este comportamento, com a mudança de comportamento. Afinal de contas eu dizia no início da minha manifestação sobre este assunto que esta Casa é a casa do bom combate, do combate no campo das idéias. Ninguém tem que nortear o colega sobre a maneira de se posicionar aqui.
Quem é Governo tem que contestar. Por que não a contestação no microfone de apartes, no horário do Partido, na Explicação Pessoal? Comprovem que o que eu estou falando não é verdadeiro e desmoralizem-me, aí sim.
Eu tenho muito cuidado com cada palavra que pronuncio nesta tribuna, por duas razões, primeiro, porque sei que se eu disser uma só inverdade vai ser suficiente para este Governo, com a sede que tem de mim, colocar outdoor em Santa Catarina inteira, por toda Santa Catarina, chamando-me de mentiroso e outras coisas. Então, meço e tenho muito cuidado com cada palavra que digo. Segundo, porque sei que estar na condição de Opositor é circunstancial. O poder é uma roda em movimento. Este grupo que Governa Santa Catarina não vai se perpetuar no poder, um dia vai mudar. E um dia, certamente, o meu grupo voltará ao poder, até pela alternância histórica que Santa Catarina tem.
E aí é que eu tenho mais cuidado ainda, Deputado Antônio Ceron, porque sei que o que cobro e o que eu digo hoje, que sou Oposição, será cobrado de mim quando for Situação novamente.
E eu não quero ter que passar o constrangimento que alguns estão passando hoje, como recebi hoje uma carta que foi endereçada ao suplente de Deputado Vânio de Oliveira, de quatro páginas, pelos seus antigos colegas de sindicato.
Então, ter que recolher as palavras ditas, ter que justificar a mudança de comportamento, é um negócio muito complicado. Por isso eu tenho muito cuidado no que digo, meço o que digo, para não faltar com a verdade e porque sei que quando eu for poder novamente aquilo que estou dizendo e pedindo vai ser dito e cobrado, acerca do meu Governo, como foi quando eu era Líder do Governo nesta Casa.
Já disse, a Deputada Simone Schramm integrava o Governo, assim como o Deputado Antônio Ceron, o Deputado Antônio Carlos Vieira, o Deputado Celestino Secco, o Deputado Francisco Küster, e eu era pelas ações, inclusive, que V.Exas. praticavam no Executivo, porque eu era o Líder do Governo, representando o Governo nesta Casa. E exerci o meu papel com coerência, com altivez, com responsabilidade.
Eu não estou na Oposição por vontade própria. Eu confesso que não queria estar na Oposição. E trabalhei muito na campanha para não vir para a Oposição, queria continuar na Situação, mas o povo não deixou. O povo disse que era a minha vez de fazer Oposição e para isso me elegeu, com quase 35.000 votos, dez a mais do que fiz na primeira. O povo me mandou para outra trincheira, para cumprir o meu papel aqui, e eu vou cumpri-lo até o final do meu mandato, já disse e repito, com coerência, com responsabilidade, assumindo tudo que digo aqui dentro, tudo o que faço, porque sei que estou sendo monitorado. Só do Governo deve ter, dos 45 Secretários, deve ter uns cinco, pelo menos, acompanhando-me agora.
Existe um Secretário-Adjunto que é pago só para escrever artigos quinzenais para me difamar. Um sujeito que não vou nem registrar o seu nome na tribuna, porque é uma função triste que lhe concederam. Aliás, no último artigo ele diz que é triste o papel que ele tem que desempenhar, de ter que me atacar. Ele é pago pelo erário, um grande salário, só para escrever um artigo quinzenal tentando me atingir e outras ações que o Governo tem empreendido.
Eu estou com o meu lombo lanhado, Deputado Genésio Goulart. Ameaças, ligações anônimas, ameaçando a minha integridade e a integridade física do meu filho - do meu filho, por ligações anônimas!
Vocês não podem imaginar o que é receber uma ligação anônima dizendo: "Tome cuidado, porque sabemos o horário que o seu filho entra e sai do colégio". Não pensem que é fácil, não pensem que é fácil. E ontem foi pública, está nos jornais, está gravado, mas isto não me intimida. O lombo está lanhado, está vermelho, é verdade, mas isto me encoraja mais ainda, pois estou sendo pago para isso.
Não é nenhum demérito fazer oposição, é sim fazê-la de forma burra, desrespeitosa, mas eu tenho consciência de que não estou fazendo.
A verdade dói, evidente que dói, mas eu também paguei, também respondi, também tive que justificar quando era poder, quando era Governo, quando era Líder do Governo, também tive que arcar com o bônus e o ônus de ser Governo. Mas nunca intimidei ninguém, nunca ameacei, nunca coloquei em risco a integridade física de nenhum colega e de nenhum opositor.
Repito, vou continuar exercendo o meu papel e não são ações como essas que irão me intimidar. Acho que política tem que ser feita com responsabilidade, com coerência e com coragem, para cada um assumir o seu papel.
Eu tenho coragem, graças a Deus! E peço a Deus, Deputada Odete de Jesus, que continue dando-me discernimento e serenidade para suportar o que eu tenho suportado.
Não é fácil fazer oposição a este time, não é fácil, mas eu estou com a cabeça erguida, com o lombo lanhado é verdade, mas com coragem, com determinação, com altivez, e não são cenas como as de ontem, ou outras, que vão me intimidar.
Eu só espero que não se repita, pois não é bom para o Parlamento, tenho consciência disso, não é bom para os Parlamentares. Não é boa esta fotografia que foi mostrada para Santa Catarina hoje. Só que aqui é a síntese da sociedade, é a Casa do Povo, e não se pode dar mau exemplo para o povo.
Eu tenho consciência do papel que estou empreendendo aqui e não vou retificá-lo em nada, porque tenho a consciência de que estou no caminho certo.
Tenho consciência e tenho conversado com as pessoas. É possível e é evidente que não tenho a unanimidade a meu favor. É possível que tenha muita gente que não goste, que ninguém do Governo gosta do que eu falo. Mas eu tenho sido muito bem recebido por toda Santa Catarina. Tenho sido melhor recebido agora do que até quando era Líder do Governo.
Estive em mais de 120 Municípios. A minha dificuldade neste período eleitoral está sendo em administrar a minha agenda, tamanho o número de convites que tenho recebido, para estar nos palanques do nossos companheiros e dos nossos projetos. Certamente, porque estou fazendo o meu trabalho, repito, com coerência e responsabilidade, senão não seria chamado.
E se não fosse a certeza de que estou no caminho certo, com toda a certeza, as pesquisas do nosso candidato em Tubarão, que é meu amigo e meu aliado, não seriam tão favoráveis, e as pesquisas na maioria dos Municípios da minha região também não seriam tão promissoras.
Mas este é um assunto para cinco de outubro, porque aí já passou a eleição, e ninguém poderá me acusar de transformar isto aqui em palanque eleitoral. Eu irei vir com resultados para mostrar quem é que está melhor na sua região, quem é que tem mais respeito da sua gente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)