89ª Sessão Ordinária - 19/10/2010
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, não poderia, de forma alguma, antes de entrar no assunto que me traz a esta tribuna, deixar de prestar uma homenagem toda especial ao deputado Lício Mauro da Silveira, de quem tive a honra de ser amigo durante muitos anos; ao deputado Lício Mauro da Silveira que eu conheci ainda como presidente da Casan; ao deputado Lício Mauro da Silveira que foi meu parceiro nesta Casa e que lamentavelmente não conseguiu sua reeleição na legislatura passada, mas que continuou junto a nós por força de uma responsabilidade que lhe foi dada por esta Casa. E agora, que havia ganhado o legítimo direito de ficar por mais quatro anos nesta Casa, através de uma eleição limpa, clara e franciscana, ele acabou deixando-nos de uma maneira bastante triste.
Eu gostaria de me referir ao deputado Lício Mauro da Silveira que conheço há muito tempo. Aprofundei a amizade com ele quando fizemos uma viagem juntos há muitos anos, na época em que o governador era Esperidião Amin. Nós, antes de assumirmos os compromissos daquela viagem, caminhávamos muito juntos - eu, o referido deputado e o ex-governador Esperidião Amin -, e já naquela época ele tinha problemas de coração. O então governador Esperidião Amin, muito voluntarioso, tinha umas passadas largas e para acompanhá-lo não era fácil, sendo que o deputado Lício Mauro da Silveira, por conta do problema no coração, ficava sempre para trás. Esse problema que o acompanhou durante vários anos acabou, lamentavelmente, tirando-lha a vida.
Quero deixar aqui registrado esse sentimento, essa tristeza por perder esse grande amigo. Aliás, este ano para mim está sendo um ano totalmente atípico, pois tenho perdido grandes amigos.
Durante a campanha perdi Marcos Mannes, vereador de Guaramirim, que estava envolvido comigo na campanha, ajudando-me de todas as maneiras, que acabou saindo do nosso meio também por conta de um ataque cardíaco. Perdi outro amigo, o Djalma José da Conceição, o popular Jamico, vereador de seis mandatos em Araquari, no meio da campanha, que sempre me ajudou e procurou me dar todo o apoio. E agora perdemos o deputado Lício Mauro da Silveira.
Eu espero chegar até o final do ano e não perder mais nenhum amigo, porque acho que já completou a quota. Foram três grandes amigos que eu perdi somente em 2010.
Eu até marquei, por precaução, uma consulta com o cardiologista esta semana, porque não sei se pelo susto que tenho levado de ver amigos indo embora e a eleição deste ano ter sido bastante emocionante, houve uma hora em que, devido à contagem dos meus votos ter dado uma encruada, o meu coração balançou também. Eu via a contagem dos votos do deputado Kennedy Nunes disparando, do deputado Darci de Matos disparando, e como pensei que já haviam sido abertas as urnas de Joinville e os meus votos não haviam saído, o coração balançou.
Então, por conta de todas essas balançadas, resolvi marcar uma consulta com um cardiologista para a semana que vem, para ver se esse velho coração está em ordem, até porque já estou batendo à casa dos 60 e quando chegamos a essa fase é bom dar uma geral para ver como estão as coisas.
Eu quero referir-me agora à regionalização ou à descentralização tão propalada, que tanto se fala no governo que está por terminar como no governo que está por chegar. Eu acho excepcional essa ideia na teoria, mas para mim ela, na prática, deixa muito a desejar, principalmente em relação ao número de SDRs criadas em Santa Catarina. Eu acredito que essa ideia deva prosperar, mas de maneira mais sensata, porque Santa Catarina não comporta 36 secretarias de Desenvolvimento Regional. Não comporta! Temos secretarias que, sinceramente, nem reunião estão fazendo! Devem estar assinando ata de reunião em cima das pernas, porque não há nem razão de ser.
O novo governo de Raimundo Colombo propôs colocar em prática uma gestão pública mais voltada para a técnica, claro que com as indicações políticas, dando ênfase e prioridade à qualidade e à técnica. Eu, de antemão, vislumbro e espero que esse governo que vem aí possa enxugar um pouco essas secretarias e colocar em prática aquilo que todos queremos, que é a verdadeira descentralização, dotando-as, inclusive, de verbas, de condições para efetivamente fazerem aquilo que delas se espera.
Como estão, acho que confunde muito. Há lugares em que as secretarias não precisariam existir. São mais políticas do que técnicas, essa é a grande verdade. Por isso esperamos que o próximo governo, do qual deverei fazer parte, do qual deverei ser parte da base nesta Casa, cobre com veemência mais critério com relação à coisa pública.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)