Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Rogério Mendonça

29ª Sessão Extraordinária - 25/09/2007

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Sr. presidente, srs. deputados, utilizo a tribuna nesta tarde, na Assembléia legislativa, para falar sobre um assunto que já foi tocado levemente pelo deputado Antônio Aguiar, em Rio do Sul, na última quinta-feira, quando da instalação do I Fórum Estadual Pró-implantação da Malha Ferroviária.

Srs. deputados, também participei do evento e utilizei a palavra, falando em nome desta Casa, representando o deputado Julio Garcia. E quando falávamos sobre a questão das ferrovias com a participação do governador Luiz Henrique, diversos empresários, inclusive o empresário de Lages, sr. Hildo Battistella, aliás, um empresário do qual tive uma belíssima impressão quando conversei com ele no gabinete do prefeito Milton Hobus, antes do fórum, sobre diversos assuntos e percebi o grande conhecimento que possui, comentavam acerca da implantação de alguns trechos da ferrovia, o trecho norte/sul, ou seja, o trecho litorâneo da ferrovia, ligando os portos de São Francisco do Sul, Itapoá, Navegantes, Itajaí e também o porto de Imbituba, no sul do estado.

Srs. deputados, esses portos mudarão totalmente a situação de Santa Catarina, que será, como disse o empresário Hildo Battistella, uma esponja que atrairá mercadorias não só de Santa Catarina, mas do Paraná, do Rio Grande do Sul e do Mercosul. Através dos nossos portos serão exportadas mercadorias para diversas partes do mundo. Ele dizia que uma mercadoria, deputado Marcos Vieira, a partir de qualquer porto de Santa Catarina para qualquer lugar do mundo, custará, em média, US$ 12 por tonelada, enquanto que de São Paulo a Buenos Aires custa em torno de US$ 85 a tonelada. Dizia também que há uma projeção no Brasil até o ano 2020, e se nós quisermos ser competitivos, teremos que absorver 34% do transporte da carga de produção através do transporte ferroviário.

Srs. deputados, nós estamos atrasados. Santa Catarina já teve uma malha ferroviária muito maior do que tem hoje, pois perdemos, a partir de 1973, por exemplo, a ferrovia que vinha de Agrolândia, lá no Alto Vale do Itajaí, passava por Rio do Sul, Indaial e Blumenau e ia até a cidade de Itajaí. E hoje nós estamos fazendo reuniões e simpósios para tentar a reativação das ferrovias.

A ferrovia ligando os portos é importante, mas sem dúvida alguma a ferrovia leste/oeste também é muito importante. E como dizia o empresário Hildo Battistella, uma ferrovia não sobrevive somente com transporte de manufaturados, são necessários outros produtos. Nós temos a madeira que pode ser transportada através das ferrovias; agora, em Vidal Ramos, temos a fábrica de cimento, que haverá de transportar 1 milhão e 300 mil toneladas de cimento por ano. Portanto, praticamente só isso viabilizaria a ferrovia.

Mas ele dizia que existem muitos empresários interessados em investir na ferrovia. E ela deverá ir além do Alto Vale, até o oeste de Santa Catarina, até o extremo oeste, alcançando o norte da Argentina e indo até para o Paraguai, para trazer de lá grãos e minérios para os portos de Santa Catarina. E na contramão, o trem que traria os minérios, os grãos, o cimento e a madeira, levaria para o oeste de Santa Catarina, para a Argentina e para as províncias daquela região, os produtos de Santa Catarina.

Portanto, nós esperamos que realmente isso aconteça. Foi dito naquele simpósio que a tendência é que a BR-470 se transforme num inferno com o aumento do tráfego de caminhões e de automóveis. Eu acredito que não vai transformar-se num inferno, pois já é um inferno, tal o grau de dificuldade que temos no transporte através daquela rodovia.

Por isso, lutamos e queremos, sim, a duplicação da BR-470, mas, sem dúvida, essa grande bandeira levantada a partir de Rio do Sul, pelo prefeito Milton Hobus e pelo governo Luiz Henrique da Silveira, é fundamental para que tenhamos estrutura logística para que as empresas venham não só a continuar no estado, mas também a se instalar em Santa Catarina.

O Sr. Deputado Darci de Matos - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Pois não!

O Sr. Deputado Darci de Matos - Nobre deputado, não poderia deixar de fazer menção elogiosa ao seu trabalho de articulação, juntamente com demais lideranças políticas e empresariais de Rio do Sul, do planalto, para tratar do encaminhamento da retomada do projeto para implantar novamente a ferrovia que liga o litoral aos nossos portos com aquela região.

Sabemos que, no que diz respeito às ferrovias, o Brasil infelizmente regrediu muito nos últimos anos. Já tivemos 30 mil quilômetros de ferrovias e hoje temos somente 28 mil quilômetros.

Portanto, é através de ações como essa, de mobilização, de discussão, de debate, que vamos poder recompor a nossa malha ferroviária tão importante para o escoamento da nossa produção, tão importante para a nossa economia.

Parabéns e conte sempre com a nossa participação.

O Sr. Deputado Marcos Vieira - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Pois não!

O Sr. Deputado Marcos Vieira - Nobre deputado, permita-me parabenizá-lo pelo seu pronunciamento e acrescentar que infelizmente Santa Catarina recebe do governo federal muito pouco daquilo que lhe é de direito. Inclusive, a Federação das Indústrias recentemente publicou um relatório sobre os investimentos que estão previstos para Santa Catarina em 2007, que são da ordem de R$ 450 milhões, para infra-estrutura. Mas foram liberados somente 2,36%. É muito pouco.

Parabenizo v.exa. pelo pronunciamento.

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Muito obrigado, deputado Marcos Vieira. Também vou utilizar o tempo que me resta para falar sobre um assunto importantíssimo, que é a questão da segurança.

Um jornal de Ituporanga, na última semana, o Resenha Regional, publicou a seguinte nota em destaque na primeira página: "As ações preventivas e sérias do comando da Polícia Civil e da Polícia Militar de Ituporanga evitaram o que poderia ter sido um ato criminoso contra a nossa gente. Parabéns à Polícia Civil e Militar de Ituporanga." Ou seja, graças a uma ação integrada e conjunta das Polícias Civil e Militar evitou-se um grande seqüestro lá na cidade.

Diversos marginais estavam na cidade prontos para seqüestrar empresários daquela cidade. E, preventivamente, foram presos pela polícia antes de qualquer ato. E o importante é que isso só está acontecendo pela integração entre as Polícias Civil e Militar. Lá existe comunicação entre as Polícias Civil e Militar.

O ideal seria termos muito mais policiais, mas, sem dúvida, com a deficiência que temos, há necessidade, sim, de que eles se comuniquem. E lá, em Ituporanga, existe essa comunicação entre as Polícias Civil e Militar, que trabalham juntas, à paisana, numa viatura descaracterizada, fazendo trabalho de levantamentos, investigações, elucidação de casos com a maior rapidez possível, como esse que foi citado.

Na verdade, as operações são realizadas em conjunto. Participam o comando da Polícia Civil e o comando da Polícia Militar. O delegado Edson e o comandante capitão Toneti evitam que haja divergências entre as diferentes polícias. Portanto, é possível, sim, trabalharmos juntos, sem a preocupação de quem manda.

Por isso, quero parabenizar essa integração existente lá, em Ituporanga, entre as Polícias Civil e Militar, porque gostaríamos que esse mesmo clima de harmonia, que faz com que o trabalho aconteça mesmo com a deficiência de pessoal e de veículos, acontecesse em todo o estado de Santa Catarina.

(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)