Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

81ª Sessão Ordinária - 17/09/2009

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, deputado Pedro Uczai, eu prestei muita atenção nas suas palavras. V.Exa, tem uma convicção ideológica inabalável. Eu o admiro e respeito-o por isso, sem, contudo, concordar com tudo o que v.exa. fala, até porque...

Deputado Pedro Uczai, gostaria da sua atenção! V.Exa. tem convicções absolutas e inabaláveis com relação à forma de governo. Embora eu não concorde, respeito plenamente as suas convicções, mas entendo que o socialismo absoluto também não deu certo, basta ver o que se descortinou com a queda da cortina de ferro, com a queda do muro de Berlim: o comunismo e o socialismo absoluto ruíram.

Ao mesmo tempo, deputado Pedro Uczai, também vimos recentemente que o liberalismo absoluto não funciona, vimos que o mundo sofreu um grande baque por conta da liberdade total e absoluta da iniciativa privada, principalmente o setor financeiro. E é por isso, que eu tenho uma convicção muito grande na ideologia do meu partido, que é um partido social democrata. O PSDB condensa as duas coisas: a democracia com o social.

Assim, por acreditar na social democracia, deputado Pedro Uczai, é que, com relação a algumas das suas afirmações, principalmente a fúria estatizante do governo do meu partido, quero dizer-lhe que não era bem assim. Agora, se hoje nós vemos, graças a Deus, o cobrador de ônibus e o catador de papel, que empurra o seu carrinho pelas ruas, com telefone celular, é porque o governo tucano privatizou a telefonia e democratizou-a. Caso contrário, hoje estaríamos na contramão do mundo na questão da telefonia fixa e móvel.

Então, existem casos e casos. Evidentemente que v.exa. e muitas outras pessoas se apegam ao fato de o nosso governo ter tentado privatizar a Petrobras. Mas, sinceramente, não acredito que o presidente Fernando Henrique Cardoso quisesse fazer isso, não acredito que ele iria perder o juízo a ponto de privatizar a Petrobras. Acho que, na verdade, estavam querendo fazer uma meia sola.

Quanto ao pré-sal, há uma propaganda enorme em cima disso, mas nós sabemos que para conseguir retirar esse petróleo lá de baixo vamos ter que esperar até 2020 mais ou menos. Contudo, estão fazendo uma festa impressionante em cima disso.

Mas com tudo isso, deputado Pedro Uczai, respeito suas convicções, eu o admiro muito pela forma como se conduz nesta Casa e acho que é um dos grandes valores e uma das cabeças arejadas deste Parlamento. Parabéns pela sua maneira de ser e por suas convicções também, mesmo que não concorde com muitas delas.

Nós estamos com um problema em São Francisco do Sul e vamos ter que apelar para o PP, para o deputado Silvio Dreveck, que é da nossa região; para o deputado Kennedy Nunes, que é de Joinville. E eu, por ser de lá também, tenho um apreço muito grande por São Francisco do Sul e posso irmanar-me aos amigos, aos colegas. Vamos ter que apelar ainda ao deputado Dagomar Carneiro para ver se achamos uma solução para o problema que está ocorrendo entre o prefeito Luiz Zera e o seu vice-prefeito Dorlei João Antunes. A coisa tomou um rumo muito desagradável e constrangedor para todos nós, principalmente para o município de São Francisco do Sul, já que o vice-prefeito está despachando, está trabalhando na praça.

Nós, que estamos mais perto, conhecemos muito de perto e, inclusive, somos amigo dos dois, do vice-prefeito, que é um músico por excelência, possui uma banda, é cantor, uma pessoa extremamente popular; e do prefeito, que tem uma cultura empresarial muito grande, vem de família de empresários, e tem uma grande empresa que atua no porto de São Francisco do Sul.

Os dois têm visões muito diferenciadas com relação à administração, o prefeito quer a prefeitura funcionando como uma empresa, e o vice-prefeito quer ver a prefeitura funcionando mais ou menos dentro daquilo que ele entende como um modelo popular, atendendo as bandas que são amigas, abrindo a porta e deixando todo mundo entrar, porque a prefeitura é a casa do povo e todos têm que ser atendidos. E aí houve o choque de convicções, um choque na forma de administrar.

O prefeito acha que por ser o prefeito tem que dar as ordens, tem que determinar as coisas. O vice-prefeito entende que também tem que ter o seu direito assegurado de receber as pessoas, de tocar o seu barco e também tomar algumas decisões. E a coisa degringolou de vez. Primeiro o vice-prefeito foi afastado para um canto da prefeitura. A coisa azedou. O prefeito trocou a fechadura da sala do vice-prefeito, lá num cantinho da prefeitura, e o vice-prefeito não pode mais nem entrar na prefeitura. Assim, ele foi para a praça.

Há uma controvérsia muito grande porque grande parte das pessoas apoia o vice-prefeito e outras entendem que a prefeitura precisa ter ordem, tem que funcionar de acordo com aquilo que o prefeito está preconizando.

Então, o que temos que fazer? Na verdade, vou apelar aos parlamentares do PP para fazermos uma visita ao prefeito Luiz Zera e ao vice-prefeito, para ver se conseguimos colocá-los sentados frente a frente. E nós poderíamos ser os mediadores e tentar fazer um acerto entre os dois. Acredito que poderíamos alcançar um bom resultado e fazer com que São Francisco do Sul voltasse à paz na questão político-administrativa, acabando de vez com o constrangimento diário de ver o vice-prefeito despachando em plena praça pública.

Sr. presidente, quero mais uma vez lamentar profundamente a falta de segurança, em que pese todo o esforço do governo, em que pese todo o esforço das nossas Polícias Militar e Civil em Joinville, que não é pouco, mas o crime, o assalto avança, progride com muito mais rapidez do que a polícia, do que o governo, do que o esforço de todos. Como costumo dizer, é igual a chuchu na serra, cresce desordenadamente.

Hoje pela manhã uma verdureira foi assaltada e o dono, que vinha para Florianópolis comprar verduras, levou um tiro do assaltante na hora em que embarcava no carro. Isso é uma coisa absurda! Acontece todo santo dia! É uma festa! E não se sabe mais o que fazer para controlar!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)