Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Aguiar

24ª Sessão Ordinária - 03/04/2012

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO AGUIAR - Sr. presidente, colegas parlamentares, público que nos assiste no plenário ou pela TVAL, saudações aos ouvintes da Rádio Alesc Digital.

(Passa a ler.)

"Nos dias de hoje muito se fala em qualidade de vida, bem-estar e longevidade. São palavras e expressões que têm relação direta com uma condição essencial para a vida das pessoas, que na síntese absoluta, em uma única palavra, pode ser traduzida por saúde!

No próximo sábado, dia 7 de abril, festejaremos o Dia Mundial da Saúde, criado em 1948, com o objetivo de propalar a necessidade das pessoas gozarem de boa saúde e também com o intuito de alertar a população para riscos a que pode estar submetida se negligenciar cuidados básicos no dia a dia ou diante de fatores como epidemias e doenças de grande alcance.

A iniciativa da Organização Mundial de Saúde - OMS - é a divulgação da ideia de que a saúde envolve o bem-estar das pessoas, desde os aspectos físicos, mentais e sociais, o que representam em harmonia.

Neste ano o Dia Mundial da Saúde coincide com o sábado de Aleluia, que marca a véspera da Páscoa. Portanto, é mais um momento indicado para refletirmos sobre ações que sempre se fazem necessárias. Afinal, ter saúde não é apenas não estar doente. Envolve boa higiene, alimentação adequada, prática regular de exercícios e até dormir bem. São coisas que parecem simples, para alguns, sem muita importância, mas nos ajudam bastante a ter saúde.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer já dizia que 'a saúde é essencial à felicidade' e justificava: 'Para saber o quanto nossa felicidade depende da jovialidade do ânimo e este do estado de saúde, é preciso comparar a impressão que as mesmas situações ou eventos exteriores provocam em nós nos dias de saúde e vigor, como aquela produzida por eles quando a doença nos deixa aborrecidos e angustiados'.

Quando pensamos em saúde de forma mais ampliada, não devemos ater-nos apenas a políticas restritas para a saúde, embora entendamos que essas, sim, sejam essenciais. Com certeza, para a boa saúde também dependemos de boas políticas sociais, de ações educacionais, de políticas agrícolas, até mesmo habitacionais, para ficarmos apenas em algumas frentes que têm ligação direta com a boa saúde das pessoas.

Hoje, por exemplo, toda a comunidade enfrenta o flagelo das drogas. Em cidades pequenas, médias ou grandes há drogas e famílias aflitas com pessoas doentes por conta do vício. E essa é uma questão de saúde pública, com certeza, mas uma questão que só pode ser bem combatida quando conseguirmos modificar a essência da abordagem da questão das drogas, seja na família, seja nas escolas.

No ensejo da passagem do Dia Mundial da Saúde devemos lembrar que a humanidade vem consolidando conquistas na saúde, e essas refletem em maior expectativa de vida, mas também há riscos enormes a que se submete grande parcela dessa massa de sete bilhões de humanos que hoje habitam o nosso planeta.

É bom lembrarmos que por volta do ano de 1500, quando o Brasil foi descoberto, a expectativa média de vida das pessoas era de 30 anos, que o homem era dizimado por moléstias infectocontagiosas e que somente por volta de 1900 foram disseminados hábitos simples de higiene como lavar as mãos, o que já significou ampliar em 50% a expectativa média de vida, ou seja, para 45 anos.

Hoje, entre os incontáveis avanços, estão o sequenciamento do código genético humano, o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas e terapias minimamente invasivas, a criação de medicamentos para controlar a Aids, tumores e doenças cardíacas e a constatação do poder das células-tronco.

Hoje já temos uma expectativa média de vida de 80 anos, mas projetamos a possibilidade de, ainda no meio do século XXI, ampliar bem mais essa faixa de vida, com a banalização da substituição de órgãos humanos e da implantação de chips eletrônicos para controlar doenças.

No entanto, de outra parte ainda vivemos num mundo de muitos miseráveis com fome e sem teto, sem acesso ao mínimo, como água potável, esgoto, alimentos saudáveis, roupas limpas, educação, tudo o que depende, antes de qualquer coisa, de políticas públicas que ampliem a possibilidade das pessoas terem saúde e qualidade de vida!

Em Santa Catarina temos uma situação vista como privilegiada no cenário brasileiro, com uma população que ostenta índices de saúde melhores do que a média nacional, com um padrão de atenção ao cidadão maior do que o dispensado à média dos brasileiros, mais ainda assim temos grandes desafios pela frente! Somos um estado que tem a marca da superação pela perseverança da sua gente, por seu espírito empreendedor, e na saúde também apresentamos bons exemplos.

E citamos o Programa Estadual de Cirurgias Eletivas que está em andamento, que em breve ensejará a instalação, nesta Casa, de um fórum parlamentar para que nós deputados possamos acompanhar regionalmente a demanda ainda existente de cirurgias tão aguardadas pelos pacientes.

Portanto, estão convocados todos os deputados para a instalação, às 15h30 de hoje, do Fórum Parlamentar das Cirurgias Eletivas.

Há um grande esforço por parte do governo em ações que têm o olhar direto do governador Raimundo Colombo e de seu vice-governador Eduardo Moreira, que é médico, juntamente com o competente secretário da Saúde, sr. Dalmo Claro de Oliveira, e seu adjunto, Acélio Casagrande.

É certo que apesar do esforço para envolver médicos e outros profissionais de saúde, instituições hospitalares e todo o corpo de servidores da área, sempre teremos que apontar problemas ainda pendentes. Mas também é certo que houve um avanço e que há vontade política em fazer o melhor, o que é o primeiro passo para acertar na caminhada.

Quando falamos em sucesso ou insucesso no que diz respeito à saúde, há um quadro complexo que passa desde as questões básicas do saneamento, da qualidade da água consumida pela população, por questões ligadas à urbanidade, como as do trânsito que todos os dias incapacitam pessoas, ou mesmo os acidentes de trabalho que levam muitos jovens a ser dependentes, de forma temporária ou permanente, das estruturas já sobrecarregadas dos hospitais públicos, unidades de pronto atendimento, as UPAs, e postos de saúde.

Quando falamos em saúde também temos que sempre apontar, ao menos no Brasil, para um modelo concentrador dos recursos, que centraliza à União a maior parte do que deveria ser investido, deixando para os municípios e estados o maior quinhão dos gastos. E aí está o SUS, que é um modelo exemplar de política de saúde ampliada à população, mas tem uma tabela de remuneração dos que atuam na área totalmente defasada.

De qualquer modo, o importante é constatarmos que há avanços, embora muitas vezes em velocidade aquém do que gostaríamos de presenciar. E para tanto na área da Saúde conta muito o esforço de médicos, enfermeiros, técnicos, socorristas, laboratoristas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, profissionais ligados a atividades físicas, psicólogos, cientistas, pesquisadores em geral e servidores administrativos, incluindo até mesmo quem trabalha em secretaria de hospitais.

É uma grande engrenagem a quem devemos valorizar permanentemente, mas sugiro de forma especial esta semana de Páscoa em que comemoramos o Dia Mundial da Saúde.

Para finalizar, lembro como reverência a todas essas pessoas uma frase do célebre escritor Érico Veríssimo: 'felicidade é a certeza de que a nossa vida não se está passando inutilmente'.

Quem atua numa área tão delicada em seu cotidiano, envolve atenções com a vida das pessoas, sabe que a sua atuação de vida pode fazer a diferença para o próximo.

Finalizo deixando a todos os catarinenses os meus melhores votos de uma feliz Páscoa em família e que Deus os ilumine."

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)