76ª Sessão Ordinária - 29/10/2002
O SR. DEPUTADO JAIME DUARTE - Sr. Presidente e Srs. Deputados, gostaria, a exemplo do que fez aqui o Deputado Jaime Mantelli, de fazer uma pequena alusão ao processo eleitoral que se encerrou neste domingo.
Este processo sintetizou a grande vontade do povo brasileiro pelas mudanças, haja vista a votação astronômica que teve o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como aqui em Santa Catarina também, com a vitória do ex-Prefeito Luiz Henrique da Silveira.
Acredito sinceramente que o povo brasileiro, por extensão o de Santa Catarina também, optou por sepultar velhos projetos, velhas práticas, velhos encaminhamentos, buscando governos de maior inclusão social num País de tantas dificuldades e exclusões, de tanta miséria absoluta a que está submetida parcela preponderante do povo, que quer que governos tenham os olhos mais voltados para investir na área social.
Por isso, espero que os governos que assumirão a partir de 1º de janeiro tenham ouvido o recado das urnas, porque após essa euforia podem vir, se não houver um comprometimento sério com o que foi assumido durante a campanha, as frustrações. E como tal acredito até que podem comprometer a questão do estado de direito da democracia neste País.
No que compete ao nosso Partido, o PPS, que historicamente sempre teve uma vocação para a responsabilidade, haveremos, no Congresso Nacional, com os 15 Deputados eleitos, de ajudar o Governo, de ajudar, fundamentalmente o Brasil.
O nosso Partido tem compromisso com o Brasil e quer que o Governo Lula dê certo. Os nossos 15 votos - segundo o contato que fizemos com o nosso Presidente Nacional, Senador Roberto Freire, na semana passada -, serão de compromisso e de ajuda ao novo Governo que se instala, sem que com isso o Partido busque qualquer tipo de espaço no Governo. O fundamental para nós é o espaço na responsabilidade.
Por isso o nosso Partido, no Congresso Nacional, vai se posicionar favoravelmente ao novo Governo que se implanta, porque nós no segundo turno ajudamos na vitória do Lula.
Aqui em Santa Catarina o nosso Partido pagou um preço enorme pela coerência. Pagou o preço da coerência. Nós pagamos o preço porque não aceitamos determinadas coligações e fomos para uma coligação estreita, que infelizmente não conseguiu, a par de todo o esforço dos nossos candidatos, não conseguiu alcançar o coeficiente eleitoral.
Mas mais do que uma vitória em cima da incoerência, das negociatas, creio que vale para a vida, para a biografia séria de qualquer político e de qualquer cidadão o preço da coerência, o prejuízo da coerência. E nós temos o enorme orgulho em poder dizer aqui que não alcançamos o coeficiente porque não aceitamos determinados encaminhamentos que vão contra a ética na política e contra a seriedade da política.
Mas não tem nada, não. A nossa luta continua, o nosso Partido está aí, é um Partido com grande futuro, e nós haveremos, em outros espaços, em outros campos, de continuar o nosso trabalho. Esse Partido tem um grande passado e haverá de ter, com certeza, um grande futuro.
Por isso estamos totalmente comprometidos e contentes com as decisões dessas eleições. Acima da nossa vitória pessoal ou do Partido deve estar a vitória do povo brasileiro. Tenho certeza de que essa eleição representou isso.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)