Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

81ª Sessão Ordinária - 06/08/2014

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados. Na verdade, gostaria de usar a tribuna para falar de outro assunto, mas dada a importância e relevância do último assunto tratado aqui pelos dois últimos oradores, primeiramente, pelo deputado Jailson Lima, meu particular amigo e pessoa com quem tenho uma grande amizade e respeito pelas suas posições em que pese não compactuar com elas; mesmo caso do deputado Sargento Amauri Soares, a quem tenho uma grande estima, mas também temos pontos de vista bastante diferentes. E sobre a questão desses investimentos que estão sendo feitos fora do Brasil, especialmente Cuba e Venezuela, digo que ninguém é cego e bobo, sabemos que há um investimento com fundo ideológico. É evidente.

Não é um investimento porque lá é bom, é o melhor lugar para se fazer aquilo. É um investimento com fundo ideológico. Existe a ideologia atrás dessa intenção econômica e política. Ninguém é bobo, ninguém aqui acredita em papai noel.

Então, a verdade deve ser dita: esse investimento será interessante sob o ponto de vista ideológico e estratégico dentro dessa ideologia, que é muito importante, não tenho a menor dúvida.

Agora, investir na Venezuela também sob o ponto de vista político e ideológico é muito importante, porque são países que se falam ou que têm, os mesmos sentimentos, as mesmas ideias. E não precisamos ir longe. Temos aqui o Mercosul. E pergunto da onde se colocaria uma Venezuela no Mercosul? E aí arranjaram um problema com o Paraguai porque este não aceitava a Venezuela no Mercosul. Deram uma advertência no Paraguai, como se fosse um aluno malcriado, que não fez a lição de casa direito e trouxe o coleguinha que ele não queria para a sala de aula, porque a maioria da sala de aula queria o coleguinha naquela sala. É assim que funciona e temos que entender que tem ideologia no fundo de todas essas iniciativas. Também, há possibilidade de termos um Equador no Mercosul. A Bolívia já foi convidada para participar do Mercosul.

E qual é a intenção por trás disso? É para formar um bloco econômico robusto? Há quem acredite que é apenas essa a ideia e não a maior das outras ideias, que é formar um bloco ideologicamente coerente cada um com suas ideias, quer dizer, todos que têm mais ou menos um perfil, uma ideia, estão tentando formar um bloco. Essa é a intenção.

Assim, não irei ficar admirado se tivermos o Equador também no Mercosul. Não ficarei admirado se o Brasil investir maciçamente na Bolívia. Não estou admirado de o Brasil querer importar banana do Equador como estava fazendo quando houve um levante dos agricultores deste Brasil inteiro, plantadores e produtores, mas que, se não fosse isso, estaríamos, hoje, vendo inúmeras famílias numa situação desesperadora por conta de que ideologicamente precisaríamos atender a um companheiro, a um amigo de sala de aula, vamos dizer assim, como se fossemos uma salinha.

Então, o Equador precisava ser atendido, porque é colega, porque tem a mesma ideologia. E os pequenos agricultores, os pequenos produtores de banana do nosso país, por pouco, não se danam todos. Houve um grito geral, participei de inúmeras reuniões de pequenos agricultores, e foi colocado, não um basta, mas um até depois. Não foi extirpado do meio essa intenção de trazer, de importar banana do Equador. Isto é uma brincadeira! O Brasil, um dos maiores produtores de banana do mundo querendo importar banana do Equador? Isto é para matar a galinha em vez de colher o ovo. É impressionante!

Quero muito bem ao nosso colega deputado Jailson Lima, é meu amigo de coração e tenho o maior respeito por ele, a mesma coisa com relação ao deputado Sargento Amauri Soares, são pessoas queridas e não estou fazendo nenhum desrespeito à questão ideológica de partido deles, mas cada um tem o seu ponto de vista e a nossa discussão é nesse nível respeitoso. Temos que falar quando não concordamos, porque esses investimentos atendem uma intenção ideológica, isto é evidente, tem ideologia atrás dessa questão, não podemos é ficar dizendo que vai ser ótimo, que vai ser um espetáculo. É claro que vai ser, ideologicamente vai ser muito bom. É só falar com o compadre Fidel Castro, falar com aquele lá da Venezuela, que estão todos de caso.

Então, quero apenas relatar que essa questão economicamente não é tão importante quanto ideologicamente para quem está fazendo esses investimentos por aí afora. Porque nós teríamos outros lugares para investir é só querer. Esta é a grande verdade.

O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!

O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Deputado Nilson Gonçalves, eu também concordo com v.exa. que por trás de toda proposta econômica sempre existe uma ideologia, isso vale para todos os lados e para todas as circunstâncias. Eu não sou fechado o suficiente para não admitir isso.

Eu também discordo da importação de bananas do Equador, e inclusive porque a empresa de lá não é pública, não é do povo equatoriano, é um monopólio cuja propriedade é de cidadãos norte-americanos, é o mesmo monopólio que há cinco décadas, seis décadas, explora trabalhadores na América Latina.

Então, é a pressão desse monopólio sobre o governo do Equador ou brasileiro, ou vice versa, ou também interesse comercial e evidente com fundo ideológico, que pode garantir isso. Mas com certeza, não precisamos importar banana de nenhuma parte do mundo, até porque o nosso estado é um grande produtor. Muito obrigado, pelo aparte.

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Deputado Sargento Amauri Soares, nosso futuro senador, se Deus quiser, quero apenas acrescentar, para terminar a minha fala, sr. presidente, que por conta dessas questões ideológicas, leva-se desaforo a torto e a direito. Aqui, na Argentina, a presidente Cristina Kirchner, marota como é, vira e mexe, tranca tudo. E só quem lida com o mercado, com a exportação para a Argentina, sabe o sufoco que passa, apenas quem lida com transportadora sabe o sufoco que é entrar na Argentina com mercadorias, vira e mexe e, do nada, ela manda trancar tudo. Caminhões aos milhares parados na fronteira com a Argentina. Ela faz desaforo à luz do dia para todos nós, mas ideologicamente não podemos falar porque pensamos a mesma coisa, existe uma ideologia política por trás.

A Bolívia uma vez mandou invadir a nossa Petrobras e no Brasil se ouvia dizer: Calma, fiquem calmos! Somos amigos! Isto tudo é uma barbaridade.

Mas é uma pena, está-se esgotando o tempo da minha fala.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)